Ponto Lacaniano

II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI-RJ nota no Jornal O Globo

Domingo, 8 Novembro, 2009 · Deixe um comentário

Saiu uma nota no Jornal O Globo, no caderno de Niterói, na coluna de Gilson Monteiro a respeito do II Simpósio de Psicanálise de Niterói – RJ

Vejam!

COLUNAGILSONMONTEIRO

Para os interessados, a vagas estão se esgotando. É preciso correr com a inscrição! O depósito deve ser feito no Banco Bradesco ag. 2510 c/c 2358-2 no valor de R$ 40,00. Após efetuado o depósito, é NECESSÁRIO entrar em contato pelo telefone (21) 9792-8326 ou e-mail flavia@pontolacaniano.com.br informando data do depósito, nome completo, telefone para contato e e-mail.

Lembrando que teremos sorteios de livros da Cia de Freud assim como um stand desta editora com excelente livros de psicanálise a venda.

simpósio - imagem p certificado e programação

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Ainda sobre Freud Além da Alma…

Sábado, 7 Novembro, 2009 · Deixe um comentário

Os psicanalistas e interessados na psicanálise estão comemorando finalmente o lançamento – bastante tardio – do DVD “Freud Além da Alma”. Mas poucos sabem de alguns bastidores como o fato de que o roteiro inicialmente ter sido solicitado a Sartre que, por 25 mil dólares, entregou o roteiro tão longo e detalhado que daria para 5 horas de projeção. E após revisado, foi entregue um roteiro ainda mais extenso. Com isso, o roteiro foi elaborado por Huston e Wolfgang Reinhardt, sob a supervisão de 2 psiquitras: Dr. David Stafford Clark e Earl Loomis.

O filme, então é construído como um filme quase policial, onde o protagonista seria um detetive da alma decifrando por meios interrogatórios. A fachada da casa de Freud em Viena serviu de locação e Montgomery Clift, no papel de Freud, intrometeu-se a todo momento com o intuito de mudar as cenas argumentando que sabia a respeito pois estava fazendo análise há 11 anos.

Outro bastidor interessante é o fato de Marilyn Monroe ter sido cogitada – inclusive por Sartre – para o papel feminino que acabou sendo atuado por Suzannah York, mas seu analista a desaconselhou aceitar o papel muito provavelmente porque seria algo bastante complicado atuar em um filme que lidasse com o tema da psicanálise para uma atriz que andava bastante depressiva. No mesmo ano do filme, 1962, Marilyn vem a morrer. Comenta-se ainda que Suzannah York agia de forma histérica no estúdio. Bastante oportuno, não?

E para os que tanto esperaram para este lançamento em DVD, fica a dica  de alguns livros além, claro, do próprio DVD. Basta clicar nas imagens.

FREUDALEMDAALMA  DVD DUPLO: FREUD ALÉM DA ALMA

 

sartrefreudalemdaalmaFREUD ALÉM DA ALMA: ROTEIRO PARA UM FILME - Sartre

marilynasultimassessoesMARILYN: AS ÚLTIMAS SESSÕES

marilynomito

MARILYN MONROE: O MITO Espetacular livro que mostra 62 fotos do acervo do fotógrafo Bert Stern do último ensaio da atriz 6 semanas antes de sua morte, com texto do próprio fotógrafo contando os bastidores. Promoção no submarino a R$ 10,00. IMPERDÍVEL!!

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Morre, aos 100 anos, Lévis-Strauss

Quarta-feira, 4 Novembro, 2009 · Deixe um comentário

claudelevistrauus

PARIS - 

“Às vésperas de seu 101° aniversário, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss não era mais figura fácil nas imediações de sua casa, no 16° distrito de Paris, nem nos corredores do metrô da capital francesa. Tampouco era visto no Collège de France, a instituição fetiche da alta cultura do país, onde foi professor na disciplina de Antropologia Social, nem nas páginas de jornais e programas de TV. Às vésperas de sua morte, o acadêmico era um homem recluso. Mas este comportamento não significava que seu intelecto de exceção não continuasse ativo.

“Lévi-Strauss se mostrava incrivelmente lúcido em seus últimos anos. Era claro como uma lâmpada”, conta o brasileiro Marcelo Fortaleza Flores, uma testemunha especial. Cineasta e doutor em Antropologia, Flores, então morador de Nova York, correspondeu-se por correio com Lévi-Strauss por 16 anos, até se transferir para Paris, em 2005. No ano seguinte, a relação de confiança mútua resultou em um projeto comum: uma série de entrevistas realizada no Collège de France.” Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

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PROGRAMAÇÃO II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ

Terça-feira, 3 Novembro, 2009 · Deixe um comentário

simpósio - imagem p certificado e programação

09:00 ENTREGA DE MATERIAIS

09:40 – ABERTURA

Fernanda Pimentel – psicanalista, organizadora

Flávia Albuquerque – psicanalista, idealizadora e organizadora

09:50 – MESA I

SEXUALIDADE E AMOR: SUAS PERIGOSAS E DELICADAS LIGAÇÕES

Maurício Lima - em formação permanente dos cursos introdutórios da Escola Brasileira de Psicanálise, Formações Clínicas do Campo Lacaniano, e das atividades do Ponto Lacaniano.

TÍTULO A DEFINIR (Tema: história da sexualidade)

Isabella Leite – graduanda em Psicologia na UFF

11:00 – MESA II

TÍTULO A DEFINIR (Tema: introdução à sexualidade)

Flávia Albuquerque – psicanalista, pós-graduada em Teorias e Técnicas da Clínica Psicanalítica, foi membro da ELP-RJ

“MEU PALETÓ ENLAÇA O TEU VESTIDO…” ARTICULAÇÕES EM TORNO DO AMOR E SEXUALIDADE NA MÚSICA DE CHICO BUARQUE

Daisy Justus – Psicóloga, Psicanalista (foi membro do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro), escritora, Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional – UFRJ, participante Escola Letra Freudiana, coordena grupos de estudos em torno da articulação Literatura e Psicanálise, autora do livro O Vestido Grená

12:10 – ALMOÇO

13:30 – MESA III

LINGUAGEM E GÊNERO: INTERFACE COM A TEORIA DA SEXUALIDADE INFANTIL (INFANTO-JUVENIL?) DE FREUD

Gertrud Friederich Frahm – Linguista e Psicanalista Universidade Federal do Paraná

HOMOSSEXUALIDADE E NARCISISMO – PONTUAÇÕES SOBRE O TEMA

Simone Aziz – psicanalista, pós-graduada em Psicanálise e Laço Social na UFF e participante da Escola Letra Freudiana

14:40 – MESA IV

SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE

Fernanda Pimentel psicóloga, psicanalista, pós-graduada em Psicanálise e Laço Social pela UFF

TÍTULO A DEFINIR (Tema: homossexualidade feminina)

Silvia Mangaravite psicanalista, membro-fundador da Escola Lacaniana de Psicanálise – RJ, membro-fundador do Espaço de Psicanálise de São Paulo

15:50 – COFFEE BREAK

16:30 – MESA V

A MASCARADA E O SEMBLANTE

Fernanda Samico Küpper psicanalista, professora da Psicologia da Personalidade da Universidade Severino Sombra (Vassouras – RJ)

O AMOR FEMININO E OS SEMBLANTES

Vivian Ligeiro – psicanalista e mestranda do programa de pós-graduação da UERJ

17:50 – ENCERRAMENTO

 

ATENÇÃO: HAVERÁ UM STAND DA EDITORA CIA DE FREUD COM VENDA DE LIVROS AO LONGO DE TODO O EVENTO E ALGUNS TÍTULOS SERÃO SORTEADOS.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

FLÁVIA ALBUQUERQUE

(21) 9792-8326

flavia@pontolacaniano.com.br

ÚLTIMAS VAGAS

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Versátil lança clássico: FREUD ALÉM DA ALMA

Domingo, 1 Novembro, 2009 · Deixe um comentário

FREUDALEMDAALMA

A Versátil lançará nesta semana o clássico “Freud – Além da Alma” (Freud ou Freud – The Secret Passion).

Esta será a primeira vez que o filme será disponibilizado para o público brasileiro, uma vez que é inédito no país tanto em VHS quanto em dvd.

Produzido em 1962, mostra parte da vida de Sigmund Freud (1856-1939), o pai da Psicanálise, desde sua gradução em Medicina até o desenvolvimento de suas primeiras teorias psicanalíticas. Em parte, foca no tratamento de uma jovem paciente, no qual formula o Complexo de Édipo.

No elenco, Montgomery Clift como Freud e Susannah York como a paciente Cecily Koertner. A direção é do grande John Huston, de filmes como “O Falcão Maltês” (1941) e “O Tesouro de Sierra Madre” (1948). A trilha sonora foi composta por Jerry Goldsmith, que foi indicado ao Oscar pelo trabalho.

“Freud – Além da Alma” é muito cultuado no Brasil, tanto por aqueles que se interessam por Psicanálise quanto por cinéfilos, sobrevivendo às escassas reprises na tv ou às gravações de VHS.

Apesar de ser uma produção norte-americana, da Universal, o filme permanece inédito em dvd nos EUA.

A edição disponibilizada pela Versátil é dupla, trazendo no segundo disco dois interessantes extras: o depoimento do Prof. Renato Mezan (PUC-SP), um dos maiores especialistas brasileiros sobre a obra de Freud; e o documentário “Freud em Viena”.

Sinopse:

A Versátil, sob licença da Screen Media Ventures, apresenta o inédito Freud, Além da Alma, aclamado clássico do mestre John Huston sobre a vida de Sigmund Freud (1856 – 1939). Esta caixa com 2 DVDs traz o filme em versão integral e muitos extras, incluindo um depoimento do Prof. Renato Mezan (PUC), um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Freud, e o documentário Freud em Viena.
O roteiro cobre o período da vida de Freud desde sua graduação em Medicina na Universidade de Viena até o desenvolvimento de suas primeiras teorias psicanalíticas, relacionando suas descobertas acerca do funcionamento do inconsciente humano às suas experiências pessoais. Ao tratar uma jovem histérica e sexualmente reprimida, Freud (o astro Montgomery Clift em grande atuação) formula o conceito do Complexo de Édipo.
Com ótimos diálogos e direção magistral de John Huston, Freud, Além da Alma é uma excelente introdução às idéias do criador da Psicanálise.

Dados Técnicos:

Áudio: Inglês (Dolby Digital 2.0)

Legendas: Português

Duração: 135 min.

Formato de Tela: Widescreen 1.85:1

Cor: Preto & Branco

Extras:

* Depoimento do Prof. Renato Mezan (PUC-SP)
* Documentário Freud em Viena
* Vida e Obra de John Huston

fone: tudodvd.com.br

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BOLETIM: II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ

Sábado, 24 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

Informamos que já estão disponíveis os nomes do palestrantes que estão confirmados para o evento. Basta acessar o link do II Simpósio no topo da página.

NOVIDADE: Haverá um stand de venda de livros da Cia de Freud. A editora também disponibilizará alguns títulos para sorteio.

LEMBRANDO QUE AS VAGAS ESTÃO TERMINANDO, GARANTA O QUANTO ANTES A SUA INSCRIÇÃO!

informações:

Flávia Albuquerque

(21) 9792-8326

flavia@pontolacaniano.com.br

CARTAZIISIMPOSIO

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NOVOS ECOS DE NELSON

Sábado, 24 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

Nelson Rodrigues sempre ronda o cotidiano do brasileiro. Cotidiano repleto de contradições, onde a sexualidade é uma das mais fortes vertentes. Aí está o plano trágico da obra rodrigueana. Acaba de chegar às livrarias contos inéditos de seu clássico “A Vida Como Ela É…”

O livro reúne textos inéditos publicados no jornal carioca Última Hora, no começo dos anos 1950. Foi da coluna que mantinha no periódico que o escritor tirou os textos do famoso “A Vida Como Ela É…”.

Os contos, que tanto sucesso fizeram, foram escritos no jornal “Última Hora”, de Samuel Wainer. Nelson já era um dramaturgo consagrado. Tinha criado novas bases para o teatro brasileiro com a montagem de “Vestido de Noiva”, em 1943. Era famoso também por suas crônicas sobre os pequenos dramas e tragédias do cotidiano urbano carioca, escritas no jornal “O Globo”.

Ao receber o convite de Samuel Wainer para escrever “A vida Como Ela É”, histórias baseadas na vida real, Nelson não se fez de rogado. Era, na verdade, o que desejava naquele momento de profundas transformações no jornalismo brasileiro: com o lead, pirâmide invertida, copidesque (“o idiota da objetividade”) e o trágico fim do ponto de exclamação.

O jornal de Wainer fez intensa publicidade antes da estreia da coluna de Nelson na época. Abusou em letras garrafais. Queria seduzir o leitor para o conteúdo das crônicas de Nelson: tragédia, drama, farsa e comédia. Quer dizer, tudo o que não desejava o jornalismo da época repleto de manuais, objetividade, leads e pirâmides invertidas. Era, talvez, o jornalismo de não-ficção. Ou de imaginação mesmo. Se existe este gênero no chamado jornalismo de referência.

A tão esperada coluna de Nelson Rodrigues estreou em 16 de novembro de 1951. A pedido de Samuel Wainer, Nelson retrataria com um toque ficcional histórias policiais. O próprio Nelson explica em uma de suas crônicas.

- Tratava-se de valorizar o fato policial, de dar ao fato policial uma categoria, digamos, assim poética, dramática (…) Alguém, que seria eu, daria ao fato um novo tratamento. Em vez da fixação rotineira, da reportagem meramente objetiva e convencional – uma penetração mais profunda e uma visão mais poética que jornalística.

A coluna de Nelson Rodrigues se tornou o espaço mais lido e popular do jornal de Samuel Wainer. Nelson “falava diretamente ao público, fazendo tremer suas convicções”. O autor de “Vestido de Noiva” nunca gostou de psicanalistas, debochava de Freud, no entanto, seus enredos estão repletos de atos falhos, sonhos, sexualidade, inconsciente. Diariamente, durante 10 anos, ele destilava suas maiores obsessões: a fidelidade, o ciúme, a inveja, a dualidade entre amor e sexo e os dilemas morais.

Logo na primeira crônica – “Não tenho culpa que a vida seja como ela” -, Nelson narra a gênese do trabalho. Depois do acerto do Wainer, do título (um achado para ele) e a conclusão de que exerceria um certo papel de “poeta dramático”, Nelson Rodrigues começou sua incursão num mundo que tanto o excitava.

- O fato policial, seja qual for, representa o grande manancial poético de cada dia. Seja homicídio, cabeça quebrada, atropelamento, adultério, agressão, facada, tiro – não importa. A verdade é que do homicídio ao furto de galinha – a crônica policial tem suas raízes nas grandes paixões humanas, nos problemas eternos de cada homem. Quando o repórter apura uma tragédia em Copacabana – está diante de uma Ana Karenina. E, então, pergunto: por que ignorar a aura trágica que marca a pecadora da vida real e carioca? Por que negar o valor dramático de um simples atropelamento.

Nelson, nunca ligou para o fato do dia. Para ele, a força do acontecimento não estava no mês, dia e hora, mas na sua “substância trágica”. Por isso, muitas vezes narrava uma história que ocorreu no Rio, mas há 30 anos. Outra explicação do autor, talvez para fugir da Justiça. Ele suprimia os verdadeiros nomes e residências de personagens. Mas a justificativa de possíveis processos não era, segundo ele, o real motivo da emissão de nomes verdadeiros.

- Com a eliminação de endereços e nomes reais, a seção atinge, em cheio, um resultado, qual seja o de atenuar a vergonha dos personagens. Ninguém os identificará debaixo do disfarce criado. Só não altero nem falsifico as suas palavras e os seus crimes.

A coluna de Nelson sempre apresentou uma característica: era uma escrita triste. Impossível, segundo Nelson, qualquer disfarce, qualquer sofisma. “Por uma tendência fatal, irresistível, só tratava de paixões, crimes, velórios e adultérios. Criou-se uma dupla situação: sofriam os personagens e também os leitores”.

Ele conta uma história que confirma sua mística numa de suas crônicas. “Um dia um telefone bateu. Voz de mulher, perguntando por mim. Atendo e do outro lado da linha, vem a pergunta. É o senhor que escreve aquela seção “A vida como ela é…?”. Perfeitamente, responde. Continuou a voz: Aqui fala uma leitora. Me diz uma coisa: o senhor é inimigo das mulheres? Caio automaticamente das nuvens. Eu, minha senhora?! Pelo amor de Deus!… A leitora insiste: Então, como é que, nas suas histórias, as mulheres fazem o diabo?”.

Ali estava criado os dramas. As observações não pararam mais. Todos achavam “A vida como ela é” muito triste. Por isso, o sucesso da coluna. Ela se tornou útil pela sua tristeza, imensa e vital. Para o dramaturgo, a pessoa que só tem uma visão da vida unilateral e rósea, “é uma pessoa mutilada”.

“A Vida Como Ela É” tem um subtítulo também em letras garrafais – “Nelson Rodrigues: Não tenho culpa que a vida seja como ela é”. O livro reúne 30 textos inéditos de diferentes fases, nunca publicados. Foram pinçados no baú de Nelson Rodrigues duas preciosidades – “O Broto de 16 Anos” e “Viuvíssima” – assinadas por Suzana Flag, pseudônimo usado por Nelson em folhetins e no seu consultório sentimental.

Apontado pelo público como um tarado, um sádico, Nelson Rodrigues não se sentia incomodado. Dizia trabalhar num universo repleto de sadismo – chegou a chamar o seu teatro de hediondo. Muitas vezes ele defendia-se: “O sexo é a satisfação impossível. O amor é que justifica o fato de o homem ter nascido. Nego a qualquer um o direito de virar as costas à dor alheia. Há uma leviandade atroz na alegria”.

Desde a Grécia a tragédia é parte integrante da realidade social e a experiência do trágico é um elemento fundamental na vida do individual. Nas crônicas e no teatro de Nelson Rodrigues, o espectador se descobre, ele mesmo, um enigma, pois põe em questão as certezas e os limites da vida humana. O questionamento do homem e seu destino trágico é uma constante na obra rodrigueana Por isso, tanto sucesso. Tantas reedições. Tanta falta faz Nelson. Hoje, com a implantação da violência urbana cada vez mais atroz, o aspecto trágico da vida se desenrola num ritmo mais dramático do que nos inocentes anos 50 de “A Vida Como Ela é”.Tanta falta faz Nelson.

PREVENDANELSON

CRÔNICAS
“Não tenho culpa que a vida seja com ela é”
Nelson Rodrigues
R$ 44,90
264 páginas
2009
AGIR

JOSE ANDERSON SANDES
EDITOR DO CADERNO 3 do DIÁRIO DO NORDESTE

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Uma introdução à teoria de Jacques Lacan

Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

MARCO ANTONIO COUTINHO JORGE

 

Jacques Lacan (1901-1981) e Sigmund Freud (1856-1939) jamais se conheceram pessoalmente, mas os caminhos desses dois pensadores se encontraram e se entrelaçaram de maneira definitiva para a história da Psicanálise. Psiquiatra francês, Lacan propôs, a partir da década de 1950, um movimento de “retorno a Freud”, com o qual pretendia resgatar a origem e os princípios fundamentais da Psicanálise. Neste percurso, debruçado sobre a obra freudiana, Lacan se deparou com questões ligadas à clínica, à ética e ao lugar do analista e, a partir disso, propôs novas compreensões a algumas antigas noções da Psicanálise. Este curso vai apresentar os principais elementos do trabalho desse pensador que reinventou a Psicanálise sem, no entanto, abandonar o campo freudiano.

 

4 AULAS

TERÇAS-FEIRAS, ÀS 17H

 

03 NOV

RETORNO AO SENTIDO DE FREUD

A retomada dos fundamentos da Psicanálise. Os quatro conceitos fundamentais: inconsciente, transferência, pulsão, repetição.

 

10 NOV

O REAL, O SIMBÓLICO E O IMAGINÁRIO I

Real: a relação sexual impossível. O objeto a. Amor, desejo e gozo. O lugar da fantasia.

 

17 NOV

O REAL, O SIMBÓLICO E O IMAGINÁRIO II

Simbólico: o inconsciente estruturado como linguagem. A lógica do significante. O Outro. Imaginário: o eu é um outro. O estádio do espelho. O esquema L.

 

24 NOV

A RENOVAÇÃO DA CLÍNICA PSICANALÍTICA

Função e campo da fala e da linguagem. A resistência é sempre do analista. A interpretação já vem pronta do Outro. A teoria dos quatro discursos: mestre, histérica, psicanalista, universitário.

 

Marco Antonio Coutinho Jorge. Professor adjunto da Uerj, psiquiatra, psicanalista, diretor do Corpo Freudiano Seção Rio de Janeiro e membro da Association Insistance (Paris/Bruxelas). Autor de Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan, co-autor de Freud – Criador da psicanálise e de Lacan – O grande freudiano e organizador da coletânea Lacan e a formação do psicanalista. Tem artigos publicados em revistas e coletâneas no Brasil, Canadá, França, Itália e México.

CASA DO SABER

LAGOA – Av. Epitácio Pessoa, 1.164 – Lagoa

Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 22h.

Informações: 2227-2237 ou www.casadosaber.com.br

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Os temas da psicanálise hoje

Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

JÔ GONDAR, GUILHERME GUTMAN, CÉSAR MUSSI IBRAHIM, BENILTON BEZERRA JR.

 

Quando Freud inventou a Psicanálise, em 1900, a célula social era composta pela família burguesa, a pílula anticoncepcional não havia sido inventada, tampouco os medicamentos psiquiátricos. Mais de um século depois, os modos de sentir, sofrer e intervir no sofrimento se transformaram profundamente. Pânico, compulsões,depressões e fenômenos psicossomáticos são as formas pelas quais a alma dos homens expressa hoje seu mal-estar. Os medicamentos psiquiátricos prometem cura com pouco esforço e engajamento; a família contemporânea ganha novas formas: a paternidade se desarticula, surgem novos métodos de contracepção e de fertilização, as relações se tornam menos sólidas. Como a Psicanálise se situa diante dessas novas configurações? Quatro psicanalistas se propõem a discutir sua teoria e sua prática diante dos desafios que os novos tempos apresentam ao campo psicanalítico.

 

4 AULAS

QUINTAS-FEIRAS, ÀS 20H

 

05 NOV

OS SINTOMAS CONTEMPORÂNEOS

As expressões do sofrimento psíquico encontradas hoje são bem diferentes dos

sintomas histéricos e obsessivos descritos por Freud. Como entender e tratar o pânico, as depressões e os fenômenos psicossomáticos tão presentes na atualidade?

Jô Gondar

 

12 NOV

A MEDICALIZAÇÃO DA SOCIEDADE

As abordagens biológicas e químicas da mente humana se fazem cada vez mais presentes no cotidiano, oferecendo possíveis respostas a questões sobre comportamentos e afetos humanos. É possível articular essas intervenções no organismo às interpelações subjetivas propostas pela Psicanálise?

Guilherme Gutman

 

19 NOV

AS NOVAS FAMÍLIAS

As novas formas de organização familiar e a produção de subjetividade. A transformação de aspectos ligados à família, tais como casamento, autoridade paterna e liberdade sexual e seus efeitos no psiquismo de crianças e jovens educados a partir dessas novas referências.

César Musi Ibrahim

 

26 NOV

A PSICANÁLISE NO SÉCULO XXI

Da Viena do século XIX ao mundo globalizado do início do século XXI: de que maneira as mudanças sociais e culturais verificadas ao longo desse período repercutem no campo da Psicanálise?

Benilton Bezera Jr.

 

 

Jô Gondar. Professora do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Memória Social na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO). É psicanalista. Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-Rio, com pós-doutorado na Universidad de Deusto, Espanha. Autora de Os tempos de Freud e organizadora de Memória e espaço, Trilhas do contemporâneo e O que é memória social.

 

Guilherme Gutman. Professor de Psicologia da PUC -Rio. Médico psiquiatra e psicanalista. Doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj.

 

César Mussi Ibrahim. Professor na PUC-Rio e psicanalista, especializado em terapias de família e de adolescentes. Mestre em Psicologia pela PUC-Rio. Benilton Bezera Jr. Professor do Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj e pesquisador do Programa de Estudos e Pesquisas da Ação do Sujeito (Pepas) – IMS/Uerj. Psicanalista e psiquiatra. Organizador das obras Psiquiatria sem hospício: uma contribuição à reforma psiquiátrica no Brasil; Corpo, linguagem e afeto: questão do sentido hoje e Winnicott e seus interlocutores (com Francisco Ortega).

CASA DO SABER

LAGOA – Av. Epitácio Pessoa, 1.164 – Lagoa

Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 22h.

Informações: 2227-2237 ou www.casadosaber.com.br

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14 de novembro: II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ Sexualidade: sexuação e escolha de objeto

Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

Estamos a menos de 1 mês do evento II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ Sexualidade: sexuação e escolha de objeto e restam poucas vagas. Muitos interessados têm entrado em contato para saber de haverá inscrições no local, no entanto, infelizmente não podemos garanti-las. Sugerimos que garantam as vagas o quanto antes.

A listagem dos palestrantes confirmados se encontra no link do II Simpósio no topo da página.

Outras informações:

(21) 9792-8326

(21) 7870-2323

flavia@pontolacaniano.com.br

CARTAZIISIMPOSIO

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Tempo & dinheiro

Sábado, 17 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

O DIA DO DINHEIRO – 13 de outubro (por FRANCISCO TELOEKEN – Gazeta do Sul)

“Quem acredita que o dinheiro fará qualquer coisa por ele, provavelmente fará qualquer coisa por dinheiro” – Benjamim Franklin

***

Igual a tantas datas comemorativas que passam despercebidas, o dia do dinheiro – 13 de outubro – é uma delas. Não é preciso quantificar o tempo e o esforço que lhe é dedicado para saber que a todo o momento, em qualquer lugar ou situação, todo o dia é dia do dinheiro. Trata-se de nossa maior tecnologia social. Letrados ou analfabetos, todos nós, independente do que fazemos, de alguma forma, precisamos lidar com o dinheiro.

***

O que é, realmente, o dinheiro? Hoje, o dinheiro pode ser uma cédula, uma moeda, um cartão eletrônico, um cheque, uma transferência eletrônica, um clique de computador, etc. Em tempos imemoriais, já foi representado por pedras, conchas, animais, peles, tabaco, arroz, chá, etc. O dinheiro é algo que pode satisfazer nossas necessidades e aspirações, cuja existência ou ausência tem efeitos tangíveis sobre a realidade. Dizem que ninguém mais vê a cor do dinheiro, pela rapidez e facilidade com que o gastamos ou pelas movimentações bancárias virtuais, com a perda da materialidade e as fronteiras, tornando-o tão abstrato quanto o ar. E isso é ruim. O dinheiro tem uma energia muito particular e, ao usar apenas o plástico, perdemos o contato com ela.

***

Na época de Freud, muitas das doenças mentais advinham da pressão de complexos sociais. Com esses problemas mais ou menos resolvidos, pela liberação dos costumes, o dinheiro passou a ser a nova fonte de loucura pessoal e coletiva. Há muito mais loucuras e doenças associadas ao dinheiro que a qualquer outro conteúdo ou componente mental. O dinheiro é o portador simbólico da mais elementar angústia relacionada à sobrevivência. Daí a carga inconsciente de não ter dinheiro disparar as mais intensas e violentas emoções, mal-entendidos, discussões, conflitos matrimoniais e sociais, traições, brigas, separações, depressões, obsessões, ansiedades, ódios, etc, além de todas as formas de violência, como assaltos, roubos, assassinatos e guerras. O dinheiro não muda as pessoas, apenas revela como elas realmente são. Em tempos de crise, como esta da qual o mundo parece que está saindo, todos esses problemas relacionados ao dinheiro são potencializados. Culpar o dinheiro pelos dramas da sociedade seria como culpar os carros pelos acidentes de trânsito ou responsabilizar a cerveja pelo alcoolismo.

***

A forma como nos relacionamos com o dinheiro diz muito sobre nós mesmos. Alguém só se conhece quando compreende o papel que o dinheiro tem na sua vida. Dinheiro é como uma droga. Pode nos dar a sensação de que somos melhores e mais importantes do que realmente somos. A maioria das pessoas acha que o seu carro, a sua casa, as suas jóias definem o que elas são. Nada disso define uma pessoa. Quem entende esse princípio básico começa a ter controle sobre a própria vida. Para tanto, é preciso conhecer-se. Do autoconhecimento surge o controle sobre o dinheiro. Do controle do dinheiro, o controle sobre o que se costuma comprar. E disso tudo, o controle sobre a vida.

***

É possível imaginar o mundo sem dinheiro? Que valores passaríamos adiante, já que poderíamos ter tudo o que quiséssemos? Por isso, independente se é bom ou ruim a sua existência, devemos assumir uma relação séria com o dinheiro pois ele, também, não gosta de desaforo. Analisar cada centavo gasto, comprando só o que é preciso, e não o que o dinheiro – ou o crédito – permitem, o que requer, eventualmente, questionar alguns hábitos de consumo. Sócrates já dizia que “a vida sem exame não é digna de ser vivida”.

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Primeira-dama da França falará sobre seu processo de análise na televisão

Segunda-feira, 12 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

Paris – A primeira-dama da França, Carla Bruni Sarkozy, falará sobre seu processo de psicanálise em um documentário, a ser transmitido pela rede France 3 no começo de Novembro, confirmou à AFP a emissora de televisão pública.

O documentário, intitulado “La premiere seance” (“A primeira sessão”) irá ao ar no dia 7 de Novembro na edição regional para Paris e região da France 3, indicaram fontes do canal.

Carla Bruni, ex-modelo e cantora que se tornou primeira-dama da França em Fevereiro de 2008 depois de se casar com o presidente Nicolas Sarkozy, falará sobre as razões que, oito anos atrás, fizeram com que ela desse início a um processo de psicoterapia, segundo o site purepeople.com.

“La premiere seance” é dirigido por Gerard Miller, reconhecido psicanalista e apresentador de televisão na França.

Além de Carla Bruni, de 41 anos, dão depoimento ao documentário actores conhecidos e apresentadores de televisão.

FONTE: ANGOLA PRESS

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A crise ética da contemporaneidade

Sábado, 10 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

A psicanalistas Daisy Justus – que irá apresentar trabalho no II Simpósio de Psicanálise de Niterói – RJ em 14 de novembro (ver link no topo da página) – convida para sua palestra em 26 de outubro:

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Lançamento livro Quinet: A Estranheza na Psicanálise

Sexta-Feira, 2 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

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ÚLTIMAS VAGAS II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ

Sexta-Feira, 2 Outubro, 2009 · Deixe um comentário

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APC: Conversa afora dia 02 de outubro

Quarta-feira, 30 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

A Associação Psicanalítica de Curitiba convida para Conversa Afora com o filme O Livro de Cabeceira, em 02 de outubro.

livrodecabeceira

Freud destaca a importância crucial do recalque originário no advento do Pai.

Lacan brinca com a homofonia entre significante unário e “essaim”, enxame de significantes que constitui o campo do Outro.

Melman nos esclarece que a relação de uma mulher com as letras remete ao Real.

 

Vamos ao cinema com eles?

 

Conversa Afora convida a participar da exibição e discussão do filme “O Livro de Cabeceira”, de Peter Greenaway, variação cinematográfica sobre o tema do livro escrito há mais de mil anos por Sei Shonagon.

 

 

HORÁRIO: sexta-feira / 19H00

VALOR R$ 10,00

LOCAL APC

Rua Dr. Generoso Borges, 316 – Curitiba – PR

Fone: (041) 3343-1312

Email: contato@apconline.com.br

http:/www.apconline.com.br

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Tardes polêmicas em torno da clínica

Quarta-feira, 30 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

tardespolemicas

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Histeria nos tempos de Freud

Segunda-feira, 28 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

FONTE: MENTE E CÉREBRO

Peça premiada volta a ser encenada do Rio de Janeiro e no Ceará, mostrando realidade de um hospício no século XIX; plateia é convidada a participar sem os constrangimentos da interatividade

O cotidiano de cinco mulheres em um manicômio brasileiro, no fim do século retrasado, é tema de Hysteria, peça que já ganhou cinco prêmios. Na mesma época em que se passa a história, Freud desenvolvia, em Viena, sua teoria acerca dessa psicopatologia. Após 350 apresentações em 18 cidades brasileiras e 12 no exterior e de ter participado dos principais festivais de teatro de língua portuguesa, a peça será apresentado novamente no Rio de Janeiro, em outubro, e em Cariri, no Ceará, em novembro. O espetáculo com abordagem interativa, porém delicada (que não constrange o público), foi desenvolvido pelo Grupo XIX de Teatro, com base em pesquisas de documentos históricos realizadas em hospícios femininos do século retrasado. Resultado de um processo de criação coletiva, a peça resulta da “costura” dos fragmentos de histórias de personagens verídicas e de toques de ficção. Ao mergulhar nesse universo, o diretor Luiz Fernando Marques e as atrizes Evelyn Klein, Mara Helleno, Janaina Leite, Juliana Sanches e Sara Antunes traçam um desenho que passa pela pressão familiar, repressão social e introjeção de fantasmas opressivos e desestabilizadores. As questões referentes ao século XIX são colocadas em confronto com as questões das mulheres da plateia, fazendo da sala de hospício/teatro uma arena de discussões que proporciona uma emocionante troca de vivências.

Hysteria. Nos dias 16, 17 e 18 de outubro, o espetáculo será apresentado no Rio de Janeiro, e de 13 a 20 de novembro, no Ceará. Locais a serem definidos.
Informações: contato@grupoxixdeteatro.ato.br

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Mostra debate a relação da psicanálise com o cinema em 23 filmes, na Caixa Cultural

Segunda-feira, 28 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

fonte: RioShow

RIO – A relação entre o cinema e a psicanálise é o tema da mostra “Loucos por cinema”, que exibe desta terça-feira (29.09) até domingo (04.10) 23 filmes na Caixa Cultural. Com participação de psicanalistas, professores e especialistas, o evento promoverá debates mediados pela curadora Bianca Novaes, doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-RJ.

Neurose, psicose e perversão, muitas vezes simplificadas pelo estigma de “loucura”, são retratadas pelos longas selecionados. Um dos objetivos é discutir como os atores e diretores se posicionam diante dos desafios de expor o tema tão delicado.

Entre os destaques, está o documentário ainda inédito no Brasil “The pervert’s guide to cinema” (2006), de Sophie Fiennes, em que o filósofo Slavoj Zizek analisa a linguagem escondida do cinema e conduz o espectador numa viagem por alguns dos maiores filmes da história.

Entre os brasileiros, está “O bicho de sete cabeças“, em que Rodrigo Santoro faz o papel de um jovem internado em um manicômio.

Há também clássicos, como “Fahrenheit 451“(1966), no qual o diretor François Truffaut desenha uma civilização do futuro dominada por um estado totalitário; e “O gabinete do Dr. Caligari” (1920) sobre um misterioso hipnotizador.

Toda a renda do evento “Loucos por Cinema – Mostra de Cinema e Psicanálise” será destinada ao Programa Fome Zero.

Confira a programação completa:

TERÇA-FEIRA, 29/09

Cinema 1

17h – “Delicatessen” (Delicatessen), de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, 1991, 99min.

19h30m – “Bicho de sete cabeças“, de Laís Bodanzky, 2000, 88min.

21h – “Wittgenstein” (Wittgenstein), de Derek Jarman, 1993, 75min.

Cinema 2

17h15m – (The pervert’s guide to cinema), Sophie Fiennes, 2006, 150min.

20h – “Titicut follies”, de Frederick Wiseman, 1967, 84min.

 

QUARTA-FEIRA, 30/09

Cinema 1

17h – Uma mulher sob influência (A Woman Under the Influence), John Cassavetes, 1974, 155min.

Sessão seguida de debate, às 19h35.

19h40 – Alphaville (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution), Jean-Luc Godard, 1965, 99min.

 

Cinema 2

17h15 – Pontes de Madison (The Bridges of Madison County), Clint Eastwood, 1995, 135min.

20h – Seguido de Debate com Regina Herzog e Marcia Arán

 

QUINTA-FEIRA, 01/10

Cinema 1

17h – (The Pervert’s Guide to Cinema) Sophie Fiennes, 2006, 150min.

19h40 – Viridiana ( Viridiana), Luis Buñuel, 1961, 90min. ,

21h10 – O gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari) Robert Wiene, 1920, 75 min.

 

Cinema 2

17h15 – Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451), François Truffaut, 1966, 112min.

20h – Festim Diabólico (Rope), Alfred Hitchcock, 1948, 80min.

 

SEXTA-FEIRA, 02/10

Cinema 1

17h – Almas Gêmeas (Heavenly Creatures), Peter Jackson, 1994, 99min.

20h – Seguido de Debate: com Glória Sadala e Isabel Forets.

19h40 – O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre), John Huston, 1948, 126min.

 

Cinema 2

17h15 Camille Claudel, de Bruno Nuytten, 1988, 158min.

20h – Seguido de Debate: com Glória Sadala e Isabel Forets.

 

SÁBADO, 03/10

Cinema 1

14h30 – Estamira (Estamira) Marcos Prado, 2004, 121min.

17h – Uma mulher sob influência (A Woman Under the Influence), John Cassavetes, 1974 155min.

19h40 – Louco por Cinema, de André Luis Oliveira, 1994, 100min.

 

Cinema 2

15h – Um Corpo que Cai (Vertigo), Alfred Hitchcock, 1958, 128min.

17h15 – Psicose (Psycho), Alfred Hitchcock, 1960, 109min.

20h – Seguidas de Debate: com Marcus André Vieira e Fernando Ribeiro”

 

DOMINGO – 04/10

Cinema 1

14h30 – A Bela da Tarde (Belle de Jour), Luis Buñuel, 1967, 101min.

17h – Edukators (Die fetten Jahre sind vorbei), Hans Weingartner, 2004, 127min.

19h40 – Repulsa ao Sexo (Repulsion), Roman Polanski, 1965, 105min.

 

Cinema 2

15h – Um estranho no ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), Milos Forman, 1975, 133min.

17h15 – (The Pervert’s Guide to Cinema), Sophie Fiennes, 2006, 150min.

20h – Fahrenheit 451, François Truffaut, 1966, 112min.

 

DEBATES:

- “Uma mulher sob influência” e “As pontes de Madison”

Quarta, às 20h

Com Márcia Arán e Regina Herzog

- “Camille Claudel” e “Almas gêmeas”

Sexta, às 20h

Com Gloria Sadala e Isabel Fortes

- “Um corpo que cai” e “Psicose”

Sábado, às 20h

Com Marcus André Vieira e Fernando Ribeiro

* Todos os debates terão a mediação de Bianca Novaes, curadora da mostra.

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“Loucos por cinema – Cinema e Psicanálise” @ Caixa Cultural Rio de Janeiro. Av. Almirante Barroso 25, Centro – 2544-4080. De ter (29.09) a dom (04.10). De ter a sex, sessões às 17h, 19h40m e 20h. Sáb e dom, sessões a partir das 14h30m. R$ 4

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‘Freud Além da Alma’ será lançado em DVD

Segunda-feira, 28 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

JOHN HUSTON MOSTRA A ORIGEM DA PSICANÁLISE

Freud, Além da Alma retrata o médico austríaco que revolucionou o século 20; filme foi um martírio para o ator Montgomery Clift.

publicado em GAZETA DO POVO por Paulo Camargo

montgomerycliff

Montgomery Clift foi, ao lado de Marlon Brando e James Dean, um dos melhores e mais intensos atores de sua geração. Mas dava trabalho aos diretores. Bebia, tomava barbitúricos, atrasava-se e sofria – muito. Desse sofrimento tirou alguns de seus maiores desempenhos. Um deles é seu trabalho em Freud, Além da Alma, filme de John Huston que está sendo lançado no Brasil em DVD e no qual vive o pai da psicanálise. Sua entrega ao papel é absoluta, comovente, apesar de lhe ter custado caro.

Nem Huston nem o produtor Wolfgang Rainhardt tinham certeza de que Monty, como era chamado em Hollywood pelos amigos, teria estrutura emocional para encarar um papel tão complexo. Desde o grave acidente de carro que sofreu em 1956, no qual quase morreu e teve parte do rosto deformada, sua vida foi alterada. A propensão à bebida tornou-se compulsão. Então vieram remédios para dormir e outros psicotrópicos, além de um comportamento errático, inconstante.

Tudo levava a crer que Clift não daria conta do desafio, mas Huston, que já havia trabalhado com o ator em Os Desajustados (ao lado de Clark Gable e Marilyn Monroe), resolveu apostar em sua intuição: o atormentado galã de clássicos como Um Lugar ao Sol e A Um Passo da Eternidade era seu Freud. De certa forma, o cineasta tinha razão.

A ideia de contar no cinema a história do médico austríaco que revolucionou a psiquiatria surgiu quando Huston rodou um documentário sobre ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, mental e emocionalmente dilacerados por suas experiências no campo de batalha. Sem nada saber sobre Freud, o cineasta, um homem voluntarioso e explosivo, quando não cruel, decidiu levar às telas os experimentos que conduziram à fundação da psicanálise. Pediu ao escritor e filósofo Jean-Paul Sartre o roteiro, que lhe entregou um calhamaço de 1.500 páginas nas quais nada – homossexualidade, masturbação, incesto e outros temas poucos digeríveis – ficou de fora.

Huston, ao se deparar com o roteiro gigantesco de Sartre, surtou. Não se conformava, em sua total ignorância sobre Freud, que houvesse tanto sexo na história. Pediu cortes. O francês recusou-se a fazê-los. Mas o script foi reescrito mesmo assim, numa espécie de gambiarra por anos deplorada pelo filósofo, que se recusou a assinar a versão final.

Ainda assim, Freud, Além da Alma é um bom filme, ainda que irregular. Talvez porque Clift tenha se dado ao trabalho de ler a biografia assinada por Ernest Jones e conseguido compreender a complexidade do personagem, que no filme prova de suas próprias teorias, representado por vezes entre o real e o onírico. Huston, possivelmente também purgando traumas passados, fez do set um martírio para Clift, provocando e ironizando o ator, fazendo insinuações sobre sua homossexualidade e sua fragilidade emocional. Ao ponto de Brooks Clift, seu irmão, e a atriz Susannah York, com quem Monty contracena no longa, defenderem a tese de que a morte do ator, em 1966, foi consequência direta desse abuso – o astro faria apenas um filme depois de Freud: Talvez Seja Melhor Assim, concluído pouco antes de ele sucumbir a um ataque cardíaco fulminante.

Serviço: Freud, Além da Alma (Freud: the Secret Passion. EUA, 1962). Direção de John Huston. Com Montgomery Clift. Drama. 140 min. Versátil Home Video. Preço a definir.

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MENTE E CÉREBRO: 70 anos da morte de Freud

Quinta-feira, 24 Setembro, 2009 · 1 Comentário

As hipóteses formuladas pelo criador da teoria psicanalítica marcaram a cultura contemporânea

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“Sigmund Freud é um dos personagens mais citados do último século. Coleciona tanto títulos como críticas e discordâncias: enquanto uns o consideram o “descobridor do inconsciente” outros já o qualificaram como charlatão e embusteiro intelectual. Mas o célebre neurologista, que morreu em 23 de setembro de 1939, há exatos 70 anos, não foi o primeiro a voltar sua atenção para a atividade psíquica. No âmbito da filosofia, desde o Iluminismo já era de conhecimento geral a existência de uma esfera na qual se desenrolam processos psíquicos inconscientes que co-determinam o que pensamos e sentimos, assim como o que fazemos ou deixamos de fazer. Os românticos do início do século XIX chegaram mesmo a basear nesse conhecimento toda sua produção intelectual. Do ponto de vista científico, porém, o inconsciente era terra incógnita até que Freud começa-se a mapeá-lo.

Suas teorias foram instigadoras de polêmicas. Quando escreveu A sexualidade na etiologia das neuroses, em 1898, defendendo, pela primeira vez, a existência da sexualidade infantil, causou escândalo entre os médicos vienenses. Cerca de um ano antes, tinha se desiludido com as pacientes histéricas. Na famosa carta de 21 de setembro de 1897 ao amigo e interlocutor Wilhelm Fliess, o criador da psicanálise diz: “Não acredito mais na minha neurótica”, referindo-se a sua conclusão de que os relatos de sedução na infância, feitos pelas pacientes, não correspondiam ao que, efetivamente, tinha ocorridos em suas vidas.

Posteriormente, em A interpretação dos sonhos, de 1900, Freud já detinha na questão sexual e suas formas inconscientes de expressão. Ao afirmar que a produção onírica é “a via régia que conduz aos conhecimentos do inconsciente”, apresentou um aspecto inovador para a compreensão da mente humana, enfocando a produção onírica como própria do sujeito – e não externa ele. Uma produção psíquica, aliás, repleta de desejos inconscientes reveladora da sexualidade, dado que os sonhos permitiriam a realização de desejos recalcados.

Ainda de acordo com ele, se nos aprofundarmos na análise dos sonhos, por meio da associação livre, chegaremos a conteúdos latentes repletos de conotações eróticas, resquícios de desejos sexuais infantis. Porém, para que conteúdos reprimidos possam burlar a autocensura, ainda que parcialmente, surgem travestidos por dois tipos de símbolos universais (presentes em diferentes culturas e épocas) e individuais (que ganham sentido para quem sonha).

Mais de um século após a publicação dos primeiros textos freudianos muitos pensadores partiram de suas construções para propor outras formas de compreender o ser humano e seu funcionamento. Podem-se repudiar suas ideias ou comungar com elas, aceitá-las ou não, mas algo é certo: é impossível ficar indiferente. “Hoje sabemos que não se trata de provar que Freud tinha razão – mas a psicanálise e pesquisa cerebral não precisam se contradizer”, diz o neuropsicanalista Mark Solms.”

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70 anos sem Sigmund Freud

Quarta-feira, 23 Setembro, 2009 · 5 Comentários

Completam-se hoje, dia 23 de setembro de 2009, 70 anos da morte de Sigmund Freud, conhecido como o pai da psicanálise. Freud morreu em Londres às 3 da manhã do dia 23 de setembro de 1939, aos 83 anos.

Exaurido de lutar contra um câncer que já sofria por mais de uma década, Freud fez um pedido a seu médico particular: aplicar-lhe uma dose de morfina que fosse suficiente para deixá-lo em coma e jamais despertar.

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Lançamento de livro – Flávia Chiapetta

Segunda-feira, 21 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

Convite+Virtual

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Curso de psicanálise com crianças – Campinas

Domingo, 6 Setembro, 2009 · 1 Comentário

cursocriancampinas

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A psicanálise e os semblantes

Domingo, 6 Setembro, 2009 · Deixe um comentário

“As teses desenvolvidas por Lacan em O Seminário - livro 18, serão temas da 4ª Jornada da EPC-SC, que será realizada dias 11 e 12 deste mês, na UFSC.

Desde cedo, muitas vezes sendo irônico com certa tradição filosófica, Jacques Lacan se ocupou de pensar a questão do ser. Quando elabora sua teoria do estádio do espelho, em 1936, nos dirá que é o estádio do espelho que confrere á criança uma estrutura ontológica no mundo, ou seja, é ele que determina a criança como ser e as coisas do mundo como seres. Isso, nos informa eles, está longe de ser um processo apaziguador, para a criança, pois ela não sabe quem é senão através da imagem do outro. A partir daí, ao longa da vida de todo sujeito essa problemática continua presente e esse sujeito jamais se encontrará com algo que lhe diga quem é.

O sujeito dividido, conceito tão caro aos psicanalistas, aponta para uma verdadeira subversão que a psicanálise promove no cogito de Descartes. Ali onde sou, não penso, e onde penso, não sou. Uma preciosidade teórica que alcança uma verdade, vale dizer, que o sujeito jamais se acercará de algo que lhe dê os fundamentos de seu ser.

Ao longo de seu ensino, Lacan vai fazendo várias pontuações a respeito da questão do ser, sempre nesse clima de crítica irônica, lembrando-nos que sempre que falamos sobre o ser, estamos diante do furor narcísico, da exigência de infinitude, do absoluto, daquilo que por si mesmo pretende totalizar-se.

Então ele constrói um conceito que se mostra exemplar para nos fazer crer que nosso ser possui consistência, o de objeto a. O objeto a é um desses objetos que nos dão a consistência de ser, e não é sem razão que ele se encontre, nos tempos contemporâneos, elevado ao ‘zênite social’ , pois, sendo ele um objeto pelo qual nosso desejo se agita, é perfeito para se vestir de uma aparência, uma aparência de ser.

Lacan introduz o conceito de semblante a partir de um momento preciso de seu ensino, ou seja, por volta de 1968-1969, época em que ele recorre à lógica do discurso visando a obter alguma idéia do que é o real para a psicanálise, pois a lógica esvazia a palavra de seu sentido, reduzindo-o a letras que, por si só, nada dizem. É por esta razão que ele dirá que o discurso é sem palavras porque o real que pode apresentar a lógica matemática é um real que é aparelhado pela escrita, sendo a escrita um modo de linguagem que não fala.

O objeto a proveniente dessa operação lógica que,  por ser lógica não exclui o fato de que teve de ser extraído de um corpo vivo, ganha o status de mais-de-gozar, nome cuidadosamente emprestado de Karl Marx por sua precisão teórica do conceito de mais-valia. Podemos dizer que o advento do ser na cultura produz uma perda, perde-se o objeto que cai do corpo, e esse objeto adquire o mais-de-valor, equivalentes aos objetos que desejamos. É por meio da estrutura de cada discurso que esse objeto ganha uma localização e uma função distintas. Por exemplo, vemos aparecer o fato inédito no discurso analítico, que é o de isolar a função do objeto mais-de-gozar e colocá-lo a funcionar como causa do desejo. Ao contrário, o discurso capitalista, que historicamente substitui o discurso do mestre, promove uma relação fetichista do sujeito com o objeto mais-de-gozar não passando pela dialética dos vínculos sociais.

A configuração dos discursos de Lacan aponta para formas específicas de fazer laço social. O discurso psiscanalítico é aquele que situa o objeto no lugar preciso do semblante, ou seja, dá ao objeto o seu verdadeiro estatuto. Ao mesmote tempo, ele bem situa o lugar da verdade porque sabe a verdade é dita éla metade, que ela é mentirosa ou da estrutura da ficção.

Portanto, não existe a palavra verdeira, mas qualquer discurso que estabelece laços entre os sujeitos precisa se acercar da verdade que ele oculta e que o sustenta, ou seja, qual é sua forma de tratar o gozo. Por exemplo, no discurso do mestre antigo, a verdade oculta é a do sujeito dividido, da falta do sujeito, e não o poder de sua vontade caprichosa, como ele quer fazer parecer.

Então, o que é que se diz quando os analistas repetem esta expressão lacaniana ‘fazer semblante de…’?

O semblante, tal como elabora Lacan em seu ensino, não é ‘querer se passar por’ ou ‘fazer-se de’ como, por exemplo, quando dizemos ‘me fazer de louco’ ou ainda ‘me fazer de analista’. Essa construção pode nos conduzir a estabelecer uma falsa oposição entre a verdade e o semblante, qual seja, de que o semblante é o contrário da verdade, invalidando totalmente a relação que existe entre verdade e semblante. A verdade, nos diz ele, é aquilo que sustenta o semblante, e é, portanto, indissociável dele. Entretanto, aquilo que o semblante encobre, não é a verdade, é o real. Os discursos são forma de enganar e evitar o real, que para a psicanálise não é sinônimo de realidade. É por isso que se diz que não há discurso que não seja semblante.

Então, o semblante é este instrumento que permite manter estreita a relação com o real que ele encobre; ‘fazer semblante de’ só é possível seo real está aí para sustentá-lo, a menos que se faça semblante por uma conveniência social ou pessoal.

Um sujeito goza na vida por essa aparência, por esse semblante, operação fundamental para um analista, pois ele sabe que o ser é só aparência de ser. Saber disso faz com que a psicanálise – citada por Freud como uma das profissões impossíveis – seja efetiva, eventualmente, acrescenta Lacan, ou seja, que um psicanalista só se sustenta se não tiver que prestar contas a seu ser.

Estas e outras questões serão discutidas na 4ª Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise – SC intitulada sintomas e semblantes – Para que serve o sintoma? Acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro de 2009, no auditório da Reitoria da UFSC. Além dos convidados dos campos da filosofia, da história da arte e da psicanálise de orientação lacaniana, contará com a presença de Angelina Harari, presidente da EBP e de Marie-Hélène Brousse, membro da École de la Cause Freudienne e Professora da Universidade Paris VIII.”

*texto escrito pela psicanalista Eneida Medeiros Santos para o Diário Catarinense.

O Seminário cujo o assunto será estudado na Jornada:

seminario18

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