Ponto Lacaniano

Entradas do Abril 2008

HOJE ÀS 18:00 - Seminário O INCONSCIENTE: DE FREUD À LACAN

Quarta-feira, 30 Abril, 2008 · Não Há Comentários

 

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O AMOR À MESA - O Banquete de Platão

Terça-feira, 29 Abril, 2008 · Não Há Comentários

A Casa do Saber do Rio oferece o curso: O AMOR À MESA - O Banquete de Platão. Com Alexande Costa, professor de Estética e Teoria da Arte no Instituto de Artes da UERJ. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e doutorando da Universidade de Osnabrueck, Alemanha.

“O curso vai analisar os vários discursos sobre o amor expostos no diálogo “O banquete”, de Platão, cada um deles responsável por uma abordagem e uma perspectiva específicas, propiciando uma reflexão sobre diversos temas relacionados ao amor: o amor e a beleza; o amor e o apetite sexual; o amor e a medicina; o amor e a complementaridade entre o feminino e o masculino; o amor como divindade e o amor como desejo de conhecimento. “

Início: 19 MAI
Duração: 6 encontros
Dias/horários: Segundas-Feiras, às 17h (19/05, 26/05, 02/06, 09/06, 16/06, 23/06)

19 MAI | 1. INTRODUÇÃO AO DIÁLOGO BANQUETE
Contexto geral e apresentação do tema. O amor e a beleza. Primeiro discurso, Fedro: o primado e a excelência de Eros e seu caráter divino. A genealogia mítica do amor.

26 MAI | 2. PAUSÂNIAS E A DUPLA TIPOLOGIA AMOROSA
O amor vulgar e a satisfação do apetite sensual do homem em contraste com o amor que promove o bem do amado. Amor e liberdade. O amor como orientação à virtude.

02 JUN | 3. ERIXÍMACO E O OLHAR NATURALISTA DA MEDICINA
O amor como potência motora da natureza. Amor e harmonia, medicina e música. A concessão ao prazer consoante a medida: o amor deve promover o bem, não a corrupção.

09 JUN | 4. ARISTÓFANES: AMOR E COMPLEMETARIDADE
O masculino e o feminino. A distinção sexual e a unidade amorosa. A interdependência entre a parte e o todo.

16 JUN | 5. AGATÃO: O RETORNO AO EROS MÍTICO
A identidade entre o amor e o belo. O amor como o “lugar” de todas as virtudes, o maior e melhor dos deuses.

23 JUN | 6. SÓCRATES E DIOTIMA, O AMOR COMO AGENTE EDUCATIVO
A aspiração à verdade. O amor como desejo de conhecimento (filosofia) e orientação afetiva para o belo, o bom e o justo. A atitude do filósofo.

 

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: 

Tel.: (21) 2227-2237 ou inforio@casadosaber.com.br 

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Freud disse que a Psicanálise era uma peste?

Terça-feira, 29 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Reportagem de 07 de Fevereiro de 2008 do Semanário de Portugal a respeito da célebre frase de Freud: “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” (português de Portugal)

 ”Numa conferência nos EUA, em 1909, Freud terá comentado com Jung, a propósito da psicanálise, que “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” O SEMANÁRIO questionou vários psicanalistas sobre a veracidade destas palavras e o sentido que Freud lhe quis dar. Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Celeste Malpique, Eurico Figueiredo, Eduardo Sá, Jaime Milheiro, João Seabra Diniz e Rui Coelho deram as suas opiniões.

Coimbra de Matos: “As ideias de Freud abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa”
“O termo ‘peste’ deve ser interpretado em sentido metafórico - as ideias de Freud eram, efectivamente, revolucionárias e abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa.”

Carlos Amaral Dias: “A ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma ‘peste’ que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.”
Tudo indica que Freud terá proferido o comentário em epígrafe ou pelo menos, algo muito semelhante.
Considero particularmente feliz a metáfora, já que a ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma “peste” que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.

Celeste Malpique: “Notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva.”
Freud fez realmente esse comentário quando em 1909 visitou os USA a convite de Stanley Hall,da Univ. de Clark em Worcester.Foi muito bem acolhido,fez conferências muito claras e interessantes e sentiu-se aceite ,o que não acontecia no meio científico europeu.Bom observador ,como era ,notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva,e que também ali, surgiriam resistências.Como se veio a verificar na divulgação da Teoria e numa certa superficialidade e deturpação do método psicanalítico.

Eurico Figueiredo: “Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja ‘peste’.”
A pergunta, para evitar o problema da sua veracidade, poderá ser feita pelo Sr Director: “Trouxe a psicanálise a peste ao mundo?” A minha resposta é de modo nenhum: a Psicanálise é uma prática que aumenta a liberdade do analisando libertando-o de repetir comportamentos que resultaram de uma aprendizagem empobrecedora. Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja “peste”.

Jaime Milheiro: “O puritanismo americano foi certamente um despertador para tal expressão.”
Trata-se de uma excelente metáfora, perfeitamente compreensível na inteligência de Freud. O puritanismo americano, mais vincado na altura do que no momento presente, foi certamente um despertador para tal expressão em tal sítio, embora a sua “peste” tenha valor universal.

João Seabra Diniz: “Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste.”
Admito que Freud pudesse ter feito este comentário. Estava, desde há anos, empenhado no estudo do funcionamento do psiquismo humano. A investigação dos processos psíquicos inconscientes, bem como a descoberta da sexualidade infantil representavam elementos de grande novidade que tinham mesmo provocado escândalo. As suas concepções vinham obrigar a uma profunda revisão da imagem tradicional do homem como ser pensante, determinado por motivos racionais, e da ideia idílica que se fazia da infância e da inocência que lhe era atribuída. A grande obra que é a ‘Interpretação dos Sonhos’ é de 1900. Os ‘Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade’ são de 1905. Quando em 1909 teria proferido esta frase, tinha já ampla e dura experiência de que as suas ideias, por inovadoras e brilhantes que fossem, não só não despertavam entusiasmo mas provocavam em muitos rejeição indignada. Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste. Se de facto proferiu esta frase, a ironia que ela contem parece-me traduzir este sentimento.”

Rui Coelho: “O papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.”
Penso que o termo “peste” foi empregue em sentido metafórico; isto é, o pensamento de Freud, em 1909, era praticamente desconhecido nos EUA e as cinco palestras proferidas em alemão, então, a convite do reitor da Clark University, Stanley Hall, foram posteriormente traduzidas por H. W. Chase como “The Origin and Development of Psychoanalysis” e publicadas no American Journal of Psychology, XXI: 2, 3 (1910). Assim, toda a valorização já então referida pela investigação psicanalítica acerca das relações precoces (mãe/pai/bebé) e do papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.

Eduardo Sá: “Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada”
Terá proferido. Mas devemos contextualizá-lo. Freud estaria a falar de um modo metafórico. Isto quer dizer que, num mundo onde a intimidade e a subjectividade humanas pareciam ser descartáveis, chamar a atenção para os componentes animais de algumas das nossas reacções ou para a nossa competência para pensarmos, muito para além da nossa intenção para o fazermos, era - naquela altura como hoje - uma espécie de peste. Responsabilizava-nos mais como pessoas, mobilizava-nos para a autenticidade e alertava-nos para a prevalência das nossas relações significativas (quer no sentido da saúde como no do adoecer psíquicos).
Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada.”

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Palavras, todas palavras

Terça-feira, 29 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Estou mais uma vez aqui!

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O seminário de Melman

Segunda-feira, 28 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Foi uma excelente oportunidade para os que estiveram no Hotel Glória, no Rio, neste último fim de semana (25 e 26 de Abril de 2008) por conta do evento oferecido pelo Tempo Freudiano: O que é que ele quer, o psicanalista?. Com uma pontualidade britânica, o incansável psicanalista francês Charles Melman - 76 anos, colaborador direto de Jacques Lacan, trabalhou a questão da ética. Vale ressaltar o constante apoio de Antônio Carlos Rocha - membro fundador do Tempo Freudiano - e o trabalho árduo e bem feito dos tradutores presentes à mesa possibilitando a riqueza dos lapsos e atos falhos.

Ele lembrou, obviamente, de uma das máximas de Lacan a respeito da ética: ‘não ceder quanto a seu desejo’ pontuando que não há a ‘boa resposta’ e que o ‘animal humano deve renunciar ao que seria uma satisfação para sustentar a incerteza de seu gesto’ (Melman).

A seguir, alguns dos que considerei os ponstos altos de sua fala*:

‘ Quando um menino se interessa por uma menina, ela tem duas respostas a oferecer: ou não quer que o outro se interesse por ela, ou a maneira como ele se interessa é inadequada. Há um não saber a respeito da boa posição dentro de uma relação.’

‘ Há uma sabedoria que se refere à religião e a moral que não tem nada a ver com a Psicanálise. Seria conveniente aceitar nossa própria condição humana: nós não podemos atingir nem a felicidade e nem o bem. Não há resposta para a questão da felicidade e do bem.’ 

‘ O que vinha dominar na escola de Lacan era sua ética. A ética de Lacan era exatamente a mesma de Freud, dizer as coisas como elas são, dizer o que há. O psicanalista se interessa pelo desejo.’

‘ A satisfação das necessidades não é muito simples. Por conta da relação com o desejo. A demanda transborda com a questão de sempre querer mais.’

‘ O enigma da psicanálise não se faz de um saber mas um de um questionamento ao saber. Um saber que lida com o real, com a impossibilidade do saber. É o problema da diferença da psicologia e da psicanálise.’

‘A psicanálise enquanto não-ciência: aquilo que a psicanálise busca não é suprimir o impossível, mas deslocá-lo. Por exemplo, a fórmula lacaniana: não há relação sexual. Uma das interrogações de Lacan era: será que que podemos deslocar o impossível de tal modo que a insatisfação da sexualidade fosse resolvida? (…) A ciência foraclui o sujeito, já a psicanálise inclui o sujeito nos seus cálculos. (…) O cientista não se interessa pela verdade, se interessa pelo modelo. É extraordinário que a seja a psicanálise que nessa ocasião possa vir a sublinhar o que é a verdade do sujeito.’

‘ Com essa pergunta ao Outro que se mantém sem resposta: o quê é o bom objeto do desejo? temos como resposta: o objeto que você escolheu na sua fantasia e que faz a lei do seu desejo.’

‘Lacan diz que a ética da psicanálise é a de não ceder quanto a seu desejo, isto é, não aceitar os sintomas da neurose. A sintomatologia do homem moderno é seu temor de estar perto demais do objeto do seu desejo. O neurótico mantém a nostalgia daquilo que seria sua felicidade, se cercando de proteção contra o objeto esperado.’

*é importante ressaltar que faz parte de minhas anotações a partir da tradução do evento, portanto não é a transcrição oficial do mesmo

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HOJE NO RODA VIVA - tv cultura - 22:40

Segunda-feira, 28 Abril, 2008 · 1 Comentário

Contardo Calligaris
Psicanalista

 

A análise do mundo e da vida contemporânea

 

Sexo, violência, casamento, adolescência, política e conflitos culturais

A sociedade vive a expectativa de mudanças sensíveis muito em breve. O aquecimento global obriga a tomada de medidas para impedir o desmatamento, buscar combustíveis menos poluentes e evitar a falta de alimentos. Os atentados de setembro de 2001 provocaram sentimentos de indignação e revolta na população, enquanto outras pessoas comemoraram. A Europa vive uma onda de xenofobia que expõe uma contradição: europeus precisam de imigrantes, mas não conseguem conviver com eles. Os brasileiros compartilham o sentimento de uma nação, mas com a dúvida se todos estão no mesmo barco.

No divã do terapeuta, além das inúmeras colocações do mundo, as dificuldades sentimentais e amorosas se misturam às frustrações e tentativas de juntar os cacos de relações em crise. No extremo do desamor e do desafet o, a violência social e doméstica aterrorizam as pessoas, expondo assassinatos, inclusive com jovens e crianças como vítimas.

Contardo Calligaris reflete e escreve sobre o cotidiano que nos rodeia. Ele considera que se as pessoas pensarem e refletirem mais, elas podem ter uma experiência de vida melhor. Faz suas análises pelo olhar de um estrangeiro ou de um desterrado, como costuma se definir. Nascido em Milão, na Itália, há sessenta anos, está radicado no Brasil há vinte.
Ele escreve uma coluna no jornal Folha de S. Paulo há treze anos e tem publicado centenas de ensaios, crônicas e 11 livros.

Participam como convidados entrevistadores:
Jurandir Freire Costa, psicanalista, escritor e professor de medicina social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Ricardo Kotscho, repórter da revista Brasileiros e do portal IG; Caterina Koltai, socióloga e psicanalista, professora dos programas de graduação e pós-graduação em ciências sociais da PUC de São Paulo; Clóvis Rossi, colunista do jornal Folha de S. Paulo; Eliane Brum, repórter especial da revista Época; Mário Sérgio Cortella, professor-titular do departamento de teologia e ciências da religião da PUC - São Paulo.

Apresentação: Mônica Teixeira

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DICA DE LIVRO - O dia em que Lacan me adotou

Segunda-feira, 28 Abril, 2008 · Não Há Comentários

“No dia seguinte, depois que ele me fez entrar no consultório, decidi não me deitar. Sentei-me, calmo e decidido, na beira do divã. Ele ficou muito surpreso. “O que está acontecendo?
- Desta vez quero lhe falar frente a frente.
- Pois bem, de acordo!”

Ele se sentou diante de mim. Parecia muito emocionado, inquieto talvez. As palavras brotavam da minha boca, cortantes feito uma lâmina, numa total verdade. O que eu disse nesse dia? Uma longa queixa provavelmente, brotada de meu infinito abandono. Ele me escutava no mesmo nível de verdade. Nem ele nem eu gozávamos. Algo da vida e da morte estava em debate.”

Este texto é o relato, quase o romance de uma experiência que transformou radicalmente a vida de seu autor. Em 1969, sendo então engenheiro agrônomo, Gerard Haddad encontra Jacques Lacan e começa com ele uma psicanálise. Essa aventura vai durar onze anos ao longo dos quais se terá operado uma metamorfose. Pela primeira vez, desde Freud, um psicanalista arrisca contar sua própria análise. Ele nos dá aqui um testemunho único sobre a prática tão controvertida de Lacan, ao qual no entanto o autor presta homenagem.

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A PSICANÁLISE NÃO PROMETE FELICIDADE

Domingo, 27 Abril, 2008 · Não Há Comentários

O psicanalista francês Charles Melman esteve no Rio de Janeiro neste fim de semana para realizar o seminário ”E o que é que ele quer, o psicanalista?”, no Hotel Glória a convite do Tempo Freudiano. Estive neste evento e ainda farei um post a respeito. Enquanto isso, outra entrevista de Melman concedida à Veja:

“Entrevista ao repórter Ronaldo Soares, da sucursal carioca de VEJA.

Veja — Por que a psicanálise vem perdendo terreno para terapias que prometem resultados imediatos?
Melman — Porque ela não busca nenhum tipo de cura, não se propõe a isso. Está, portanto, na contramão da medicina, cuja história é rica em experiências baseadas na cura, com métodos variados. Alguns desses métodos, até pelos efeitos de sugestão, não são ineficazes. Mas é preciso saber se nós preferimos os métodos fundados sobre a sugestão ou se consideramos que é melhor privilegiar a livre atitude e o pensamento de cada pessoa, e assim estimular nela sua autonomia de julgamento. Nos períodos de crise moral, como o atual, proliferam os métodos que prometem a cura. Aos que escolhem esse caminho, só me resta desejar boa sorte.

“A última contribuição realmente original
ao pensamento de Freud foi dada por Lacan, que já morreu há quase
30 anos”


Veja —
Além de espaço, a psicanálise perdeu prestígio?
Melman — Ela perdeu prestígio junto aos intelectuais, porque os que se inspiram em Freud não conseguiram dar prosseguimento de forma válida e original ao trabalho dele. Desse vazio surge a impressão de que Freud está ultrapassado. A última contribuição realmente original ao pensamento de Freud foi dada por Lacan, que já morreu há quase 30 anos (em 1981). Ele deixou ainda muito por fazer para que possamos dar conta das mudanças que estamos presenciando.

 

Veja — O senhor concorda que há uma excessiva utilização de psicotrópicos atualmente?
Melman — A saúde hoje é algo que se calcula em bilhões de dólares. É compreensível e até inevitável que os laboratórios estimulem o alto consumo de medicamentos como os antidepressivos. A França, por exemplo, tornou-se um grande consumidor desses produtos justamente em virtude das ações que os representantes dos laboratórios desenvolvem junto aos consultórios médicos. A questão é que a hiper-medicalização contém muito mais riscos do que vantagens. No caso das crianças, por exemplo, isso fica evidente. Sobretudo no que diz respeito ao uso precoce, recomendado pelos laboratórios, de neurolépticos (inibidores das funções psicomotoras). Esses medicamentos vêm sendo usados nas crianças para tratar distúrbios de personalidade ou para combater problemas como insônia ou falta de apetite, entre outras coisas. Trata-se de algo absolutamente condenável, com implicações nefastas tanto sobre o desenvolvimento quanto sobre o estado físico da criança. Outra conseqüência grave da hiper-medicalização é a predisposição do indivíduo para desenvolver dependência química. Primeiro, de remédios. Mas em seguida, possivelmente, de produtos fora do mercado legal. Com isso, poderemos chegar ao ponto em que a dependência vai parecer uma situação absolutamente normal, porque em muitos casos terá começado na infância.

 

Veja — O Prozac e as idéias de Freud podem conviver harmoniosamente?
Melman — Eles vivem juntos. Às vezes de maneira harmoniosa e outras, não. No primeiro caso, devemos lembrar que Freud sempre pensou que o processo psíquico tinha um suporte neuro-hormonal. Ele esperava que a ciência descobrisse esse processo. Produtos como o Prozac agem sobre esses mecanismos neuro-hormonais e podem, então, levar a uma modificação do comportamento. Outra abordagem que mostra essa harmonia é lembrar que todos nós, assim como o próprio Freud na juventude, já sonhamos com a existência de uma panacéia de medicamento que dariam conta de todas as dores e todas as dificuldades. O Prozac se apresenta um pouco assim. Mas — e é aí que a harmonia desaparece — será que devemos apostar num procedimento que vai tratar o conjunto dos problemas psíquicos pelas drogas? Ou devemos continuar a levar em conta, primeiramente, a livre escolha do sujeito e, em segundo lugar, o próprio papel do corpo? Nesse sentido, um produto como o Prozac desencadeia um curto-circuito.

 

Veja — Como assim?
Melman — Dou um exemplo. Digamos que surja amanhã uma droga que, agindo sobre os centros cerebrais, produza um prazer sexual bem superior ao que se pode obter com o corpo. O que vamos preferir? Isso ou um acesso ao prazer sexual que continua a passar pelo corpo, mesmo não tendo a mesma qualidade do que pode ser proporcionado pela droga que atua diretamente sobre o cérebro? Eis o tipo de questão que se coloca com o uso do Prozac.

 

“Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis.”


Veja —
Para que serve a psicanálise nos dias de hoje, quando se pode contar com tantos recursos destinados a proporcionar bem-estar psíquico?
Melman — A psicanálise permite a você se debruçar sobre os problemas reais e incontornáveis da existência. Não sobre os problemas ligados a sua infância, ao seu meio social, às neuroses em geral que interromperam seu desenvolvimento psicológico. Ela não propõe uma cura de dificuldades que são próprias da vida social, como as ligadas à vida do casal, à relação entre pais e filhos, etc. Mas permite colocar essas dificuldades em seus devidos lugares e, ao mesmo tempo, tratá-las de outra forma. A psicanálise não terá jamais a pretensão de prometer a felicidade. Mas também não a proibirá a ninguém. Ela convidará cada um a buscar o que pode ser a felicidade para si.

 

Veja — Quem procura psicanálise atualmente?
Melman — Fico surpreso quando constato que, se há uma clientela interessada e engajada na psicanálise hoje em dia, é a dos jovens dos 18 aos 30 anos. Eles não procuram a psicanálise pelo fato de reprimirem seus desejos, mas principalmente porque não sabem o que desejam. É uma situação totalmente original em relação a Freud. Antes, a pessoa recorria à psicanálise porque não ousava realizar seus desejos. Hoje, principalmente no caso dos jovens, é por não saber o que desejar.

 

Veja — A que o senhor atribui essa mudança?
Melman — Nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. É o meio social que propõe a eles essa maneira de agir em sociedade. O problema é que o tratamento dispensado ao desejo produz situações de dificuldades para os jovens. E isso os leva ao divã.

 

Veja — Que situações são essas?
Melman — Muitos jovens encontram dificuldade para desenvolver plenamente uma vida sexual. Parece paradoxal, porque hoje em dia o sexo é muito acessível. Mas na verdade essa facilidade leva à busca de uma vida sexual sem compromisso, que proporcione um prazer ocasional, como o cinema, a bebida ou a dança. Há aí uma mudança interessante, talvez uma tentativa de se proteger em relação ao compromisso que uma vida sexual pode evocar. A idéia é aproveitar sem se engajar, mas isso impõe uma questão: eles aproveitam plenamente? Esse é o fenômeno que chamei de nova economia psíquica. Ele é fundado sobre o princípio da busca imediata de prazer máximo, sem freios nem restrições. Esses momentos de prazer, que proporcionam uma satisfação profunda, são vividos mas não organizam a existência, nem o futuro. Ou seja, a existência é feita de uma sucessão de momentos sem nenhuma projeção no futuro, de momentos que podem desaparecer porque não terão continuidade. Isso é novo. E é o que está por trás do sucesso do mundo virtual proporcionado pela internet.

 

Veja — Por que o mundo virtual é tão atraente?
Melman — Porque é lúdico. É um mundo coerente com a maneira de viver dos jovens, não exige engajamento nem compromisso. Ali qualquer um pode viver uma série de vidas sucessivas sem nenhum compromisso definitivo. As pessoas querem se distanciar da realidade não porque ela seja assustadora ou sem-graça, mas porque ela implica sempre um limite. Além disso, a realidade requer uma identidade, um objetivo mais ou menos claro na vida, ao passo que esses exercícios virtuais não pressupõem nenhuma identidade, nenhuma perspectiva e ainda derrubam todos os limites, incluindo os do pudor e da polidez.

 

Veja — Por que atualmente os casamentos não duram? A vida a dois ficou inviável com o novo arranjo social que igualou os papéis do homem e da mulher?
Melman — Pelos padrões vigentes na sociedade atual, nos é recomendado ao longo da vida renovar os objetos dos quais nos servimos. Trocar de carro, de tapetes, de mobília, etc. As relações afetivas acabaram seguindo esse mesmo princípio, dos objetos descartáveis. Elas não resistem a esse apetite de rejuvenescimento e renovação da sociedade contemporânea.

Veja — Freud explica as famílias atuais?
Melman — Não acredito. Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Fico surpreso que os sociólogos e antropólogos não se interessem muito por esse fenômeno. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido. Antes, o menino tinha na figura do pai um rival e um modelo. Um rival que despertava nele o gosto pela competição, e um modelo na busca do prazer sexual. Já para a menina, tratava-se de um homem em quem ela procurava se completar. Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até a descobrir o gosto pelo sexo. Nesse caso, a droga proporciona satisfações mais fáceis.

“Freud dizia que a força da religião reside no fato de que ela responde às perguntas que ninguém mais pode responder.”


Veja —
É por isso que o consumo de drogas
não pára de crescer?

Melman — Eu diria que o apelo das drogas é tornar a existência cada vez mais virtual. Dito de outra forma, as drogas afastam as contingências da realidade. Trata-se de uma outra maneira de celebrar a virtualidade, diferente da proporcionada pela internet. As drogas permitem uma aventura psíquica, momentânea, uma trip, que supostamente não teria outras conseqüências.

 

Veja — Como a psicanálise vê as fobias na sociedade atual, que vive sob ameaças concretas, decorrentes de problemas ambientais e da escalada do terrorismo, por exemplo? É possível viver sem medo?
Melman — Pode parecer um paradoxo, mas isso acrescenta pimenta à existência, esse sentimento de que vivemos constantemente ameaçados. É um reencontro com os grandes medos antigos, os medos milenares, ligados a uma suposta proximidade do fim do mundo. O que é dramático é que hoje não se trata apenas de uma crença imaginária, mas sim de algo muito mais grave do que isso. Criamos armas de destruição em massa, por exemplo. Não sei se é possível nem se seria positivo acabar com o medo na sociedade. Ele, de certa forma, é um fator de proteção do sujeito, permite saber quem é o inimigo.

Veja — Como entra a religião nesse arsenal de enfrentamento das angústias humanas?
Melman — A religião sempre foi bem-sucedida em dar soluções às angústias do homem, porque consegue explicar o que é esperado de cada um. Explica o lugar da pessoa no mundo e o papel que ela tem a desempenhar. Freud dizia que a força da religião reside no fato de que ela responde às perguntas que ninguém mais pode responder. Em nome disso, muitos se sacrificam inclusive financeiramente, doando uma parte significativa de seu salário para garantir que um ser superior vai livrá-lo das ameaças trazidas por suas falhas. Isso é muito visível em um certo número de religiões novas, como as neopentecostais. Desse fenômeno, que vocês conhecem bem no Brasil, posso citar como exemplo a Igreja Universal do Reino de Deus. Fui assistir a um culto deles e fiquei muito impressionado. Estive numa catedral, acho que em Recife, produzida exatamente como a Disneylândia de Orlando, com jogos de luzes bem feitos e pastores que fazem o estilo rapazes bonitos e simpáticos. O prazer que o público tinha em cantar e dançar junto, em subir no altar para dar dinheiro, era incrível. E eram pessoas pobres, claro.

 

Veja — Freud marcou o pensamento no século 20. Ele sobrevive ao século 21?
Melman — Não tenho certeza. O mundo caminha na direção oposta à proposta pela psicanálise. Os remédios e, mais recentemente, os avanços da neurociência, permitem ações diretas sobre os processos cerebrais, deixando em segundo plano a subjetividade. Então a vida psíquica, e eu sou pessimista nesse aspecto, corre o risco de ser cada vez menos determinante sobre o destino de cada um. Freud chegou a escrever que um dia a ciência estaria em condições de quantificar, de isolar as substâncias responsáveis pelos eventos psíquicos. Mas os que estudam o cérebro não estão interessados em Freud.”

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Lendo Shakespeare com Freud

Domingo, 27 Abril, 2008 · Não Há Comentários

O Corpo Freudiano oferece em sua sede no Rio de Janeiro:

SEMINÁRIO

LENDO SHAKESPEARE COM FREUD

MACBETH EM 5 TEMPOS

Dia 28/04, 26/05, 07/07 e 04/08 às 19:30 com Ana Vicentini. Rua Sâo Manuel, 31 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ. Maiores informações: (21) 2295-0337 ou riodejaneiro@corpofreudiano.com.br.

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CURSO EM NOVA FRIBURGO - RJ

Domingo, 27 Abril, 2008 · Não Há Comentários

21 de JUNHO de 2008 - 13:00 às 18:00

Curso: PSICANÁLISE: UMA INTRODUÇÃO.

programação:

  • A Invenção da Psicanálise
  • Histeria
  • Inconsciente (freudiano e lacaniano)
  • Transferência
  • O fazer análise
  • A formação do analista

COM CERTIFICADO - CARGA HORÁRIA: 5 horas.

VALOR: R$ 70,00

LOCAL: Instituto Flor de Lótus na Rua Josina Barbosa Folly, 60 - Centro - Nova Friburgo - RJ

MAIORES INFORMAÇÕES: Instituto Flor de Lótus (22) 2523-8863 / (22) 2523-9372 / contato@institutoflordelotus.com.br ou Flávia Albuquerque (21) 9792-8326 / fmaa@uol.com.br / flavia@pontolacaniano.com.br

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Pais sem rumo, crianças sofridas

Domingo, 27 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Artigo da Psicanalista Maria Rita Kehl em ‘O Estado de S.Paulo’

Filhos não têm como se defender da displicência, dos excessos ou da irresponsabilidade dos pais.

No momento em que escrevo este artigo ainda não há conclusões definitivas sobre o assassinato da menina Isabella. Mas desde o primeiro dia a sociedade já havia decidido condenar o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Aos poucos a indignação popular aumentou, orquestrada inescrupulosamente pelos telejornais em disputa por audiência, até se transformar em pura sanha linchadora.

Não me disponho a tentar explicar o que teria levado um pai e uma madrasta a assassinar, ainda que acidentalmente, uma criança, e depois livrar-se do corpo de maneira tão brutal. Fora da clínica e da transferência, o psicanalista é tão leigo quanto qualquer pessoa ante os sintomas e surtos alheios. O que a experiência clínica oferece são algumas chaves para a compreensão das condições subjetivas presentes em uma sociedade, que favorecem certas manifestações aberrantes, violentas e aparentemente incompreensíveis.

Como entender essa torcida em massa para que o pai e a madrasta de Isabella sejam os culpados? Em primeiro lugar, penso que diante dos crimes domésticos as pessoas se sentem menos inseguras do que diante do fantasma da violência social generalizada que assola o país. “Se o crime foi cometido em família, isso é lá problema deles”, pensamos, na esperança de que em nossa família essas coisas não aconteçam. Em segundo lugar, a família de Isabella pertence à mesma classe média dos consumidores de jornais e revistas, público alvo dos anunciantes da televisão. No dia 20 de abril, um menino negro de 11 anos foi morto com um tiro na cabeça na favela da Vila União, em São Paulo. Até agora, não vi a imprensa acompanhar a apuração do assassinato do pequeno Jefferson Alves, considerado desinteressante pela sociedade.

É evidente que a figura mitológica da madrasta excita a imaginação popular. A personagem da madrasta má, nas histórias infantis, encobre o lado sombrio da mãe. É ela quem encarna o egoísmo, a rivalidade, a crueldade ou o descaso para com o sofrimento das crianças, de modo a manter a idealização da maternidade biológica e conservar a santa mãe em seu pedestal. No entanto, qualquer psicanalista sabe o quanto as mães são capazes de abusar de seus filhos, rivalizar com suas filhas, violentar a dignidade deles, desrespeitar seus direitos.

O colunista da Folha de S. Paulo Contardo Calligaris fez uma análise interessante sobre o ciúme que algumas madrastas sentem de suas enteadas, disputando com elas o lugar de filhas de seus companheiros. Vale lembrar que a presença do (a) enteado (a) também pode reavivar os ciúmes da madrasta em relação à mulher que a precedeu. Mas nem todas as madrastas odeiam seus enteados. Conheço casos, em meu próprio consultório, em que a presença e a intervenção de madrastas generosas e sensíveis praticamente salvou a infância de filhos maltratados ou abandonados por mães imaturas, que se vingavam do ex-marido maltratando os filhos dele. Evito embarcar em uma defesa conservadora da família “de sangue” em detrimento de outras configurações familiares.

Os crimes domésticos colocam em evidência o desamparo infantil. As crianças não têm como se defender da displicência e da irresponsabilidade dos pais, nem dos excessos de amor, de sensualidade, de ira, de gozo: pais, mães, padrastos, madrastas, avôs e avós abusam de várias maneiras, “por amor”, de crianças indefesas. Neste sentido, para a criança, a família não é um ambiente tão seguro quanto se imagina. Pesquisa da Unicef sobre a violência doméstica no Brasil revela que 44,3% dos homicídios de crianças ocorrem dentro de casa, sendo 34,4% deles cometidos por parentes das vítimas. Sem contar os casos de abuso sexual, que ocupam o primeiro lugar na lista das formas de violência familiar.

É evidente que existem famílias tranqüilas, pais e mães equilibrados e protetores. Mas a família moderna, fechada sobre si mesma, toda voltada para a produção de bem-estar, fundada nas formas mais egoístas de amor, é um canteiro propício, no mínimo, à violência psicológica. Os filhos frustram as expectativas dos pais, o amor vira moeda de barganha e chantagem mútua, a esperança de entendimento de parte a parte é freqüentemente obstruída pela culpa que cada um sente por não amar o outro tanto quanto devia.

Apesar disso, não existe nenhuma outra instituição que a substitua. Desejamos formar família, viver em família, criar condições de convívio protetoras, agradáveis. Mas é bom lembrar que se a família, em seus moldes tradicionais, fosse um mar de rosas, Freud não teria criado a psicanálise.

Se a criança é desamparada frente aos que cuidam dela, os adultos de hoje também se sentem desamparados no exercício de suas funções. A vida contemporânea está tão privatizada, tão indiferente a valores ligados ao bem comum, a sociedade tornou-se tão narcisista e infantilizada, que o bem-estar das crianças se tornou praticamente o único ideal dos adultos. Ser “bom pai” tornou-se a razão de viver de adultos que perderam as referências para saber tanto o que é ser “bom” quanto o que é ser “pai” (ou “mãe”). Se os filhos se tornam o único ideal de seus pais, estes não têm mais nada a lhes transmitir a não ser “seja feliz” - isto, numa sociedade em que felicidade se mede pela capacidade de consumo e diversão.

O desamparo do adulto diante das exigências dos filhos, a quem eles próprios prometeram dar “tudo de bom e de melhor”, tem resultados patéticos ou, no pior dos casos, trágicos. Algumas crianças, hiperestimuladas e excitadas, ficam cada vez mais insatisfeitas e agressivas enquanto os pais, incapazes de estabelecer limites para a farra que eles mesmos prometeram, vivem exasperados, culpados, impotentes - e às vezes, tão fora de controle quanto os pequenos. Um adulto que se vê incapaz de educar uma criança é capaz de confundir autoridade com violência, poder simbólico com coerção física.

Vez por outra, um desses pais incapazes de colocar limites em seus filhos também corre o risco de perder os próprios limites.

* Maria Rita Kehl, psicanalista, escreveu Sobre Ética e Psicanálise (Companhia das Letras) e Ressentimento (Casa do Psicólogo), entre outros.

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AMOR, DESEJO E GOZO

Quarta-feira, 23 Abril, 2008 · Não Há Comentários

A seção Imperatriz (MA) do Corpo Freudiano oferece, no dia 26 de Abril de 2008, sábado, o Seminário: Amor, desejo e gozo - a descoberta da psicanálise, com o psicanalista Marco Antonio Coutinho Jorge. O evento acontece a partir das 8:30.

“A fantasia regula a nossa relação com a realidade, sempre insatisfatória diante de nossos desejos e, por isso, ela é onipresente em toda atividade humana. O seminário fará uma abordagem introdutória da descoberta da psicanálise, a partir das três dimensões da fantasia: seu núcleo de desejo e seus dois pólos de amor e gozo. As longo do seminário serão abordados os seguintes temas: Fantasia e inconsciente. Fantasia, real e realidade.

Real, simbólico e imaginário. Amor, desejo e gozo. Pulsão sexual e pulsão de morte. Ao final, será apresentada a conexão entre arte e fantasia a partir de algumas obras de arte, em especial a obra do pintor norte-americano Edward Hopper.”

Marco Antonio Coutinho Jorge

Maiores informações: Cleidy (99) 3525-3562 ou Nadja (99) 8123-4901

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Programa Por dentro da mídia 30 – Psicanálise Lacaniana

Quarta-feira, 23 Abril, 2008 · Não Há Comentários

O “Por Dentro da Mídia” desta semana é sobre Lacan, quem foi e qual o seu papel na psicanálise. O convidado é o psicanalista e médico psiquiatra Jorge Forbes.

Os programas são exibidos todas as sextas-feiras na TV Aberta, das 13h30 às 14h30. A transmissão é feita em canais diferentes, de acordo com a empresa de TV a cabo: 9 da NET, 72 ou 99 da TVA e 186 da TVA Digital.

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NOVIDADE NA PROGRAMAÇÃO DOS GRUPOS DE ESTUDO

Terça-feira, 22 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Dia 28 de Maio de 2008, Fernanda Pimentel dará início ao Grupo de Estudos Sintomas Contemporâneos - um estudo psicanalítico. Os encontros serão sempre às quartas, às 19:00 com o valor de R$ 15,00, mas o encontro inaugural será gratuito! Portanto, é preciso reservar sua vaga. 

A idealização do grupo de estudos é da própria Psicanalista Fernanda Pimentel e estarei ao lado na coordenação.

Maiores informações: fernandapimentel.viafreud@gmail.com ou (21) 8853-6697

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MAIO DE 2008 - Seminário sobre Anorexia

Terça-feira, 22 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Fernanda Pimentel, psicanalista, oferece no dia 31 de Maio de 2008 - sábado de 14:00 às 17:00 - o Seminário “Anorexia”. VAGAS LIMITADAS!

Valor: R$ 50,00

Maiores informações: fernandapimentel.viafreud@gmail.com ou (21) 8853-6697

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Grupo de estudos: A Erótica em Psicanálise

Segunda-feira, 21 Abril, 2008 · Não Há Comentários

ATENÇÃO! Mesmo a terça-feira, dia 22 de Abril, sendo entre dois feriados (Tiradentes e Sâo jorge) o nosso encontro acontecerá normalmente.

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Ciúme - este incômodo afeto

Segunda-feira, 21 Abril, 2008 · Não Há Comentários

CURSO: Ciúme - este incômodo afeto

“Tradicionalmente, a filosofia considerou que as paixões não poderiam ser pensadas, pois estariam fora do alcance da razão e, além disso, opondo-se a ela. No entanto, Spinoza, cuja filosofia, escrita no século XVII, é uma das mais atuais e potentes para pensarmos nossa contemporaneidade, concebeu uma razão afetiva e uma teoria dos afetos. Entre as paixões que Spinoza analisou, uma das que nos são, talvez infelizmente, mais caras, é o ciúme. Freud, quase três séculos depois, também tematizou este incômodo afeto, que talvez gostaríamos de não sentir, mas que nos é tão familiar e recorrente. Seguindo o princípio spinozista de que para transformar um afeto é preciso compreendê-lo, a proposta deste curso é investigar, com a ajuda de Spinoza e Freud, mas também de Lacan, Winnicott e Nietzsche, por que e como nos sentimos por vezes possuídos por este sentimento atroz. E o que fazer para minimizar a freqüência de sua aparição e o tempo de sua duração.”

AULAS:

09 MAI 2008 | 1. AS PAIXÕES NA NATUREZA HUMANA

16 MAI 2008 | 2. O CIÚME SEGUNDO SPINOZA

30 MAI 2008 | 3. O CIÚME SEGUNDO FREUD

06 JUN 2008 | 4. CONATUS, DEVIR, MEDO, SOBERANIA E CONTROLE

13 JUN 2008 | 5. INVEJA, PARANÓIA, NARCISISMO E RIVALIDADE. O DESEJO E SEUS ESTIMULANTES

20 JUN 2008 | 6. CONHECENDO A SI PRÓPRIO. NÓS E O AMBIENTE. O QUE FAZER CONTRA OU COM O CIÚME?

com André Martins - Filósofo e Psicanalista

www.casadosaber.com.br

tel.: (21) 2227-2237

inforio@casadosaber.com.br

Av. Epitácio Pessoa, 1164 - Lagoa - Rio de Janeiro - RJ

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VII JORNADA BRASILEIRA DE CONVERGÊNCIA

Domingo, 20 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Acontece em Maio mais uma Jornada preparatória para a Convergência: movimento lacaniano para a psicanálise freudiana. O evento será na cidade de Varginha - MG com o título: Psicanálise, Psicoterapia, Instituição.

DATA: 17 de Maio de 2008.

LOCAL: Sest/Senat - Av. Professor Carvalho, 313 em Semionato, Varginha, MG.

MAIORES INFORMAÇÕES: (35) 3221-6866 ou laepsub-sedevga@viacabo.com.br ou Convergência Brasil

INSTITUIÇÕES PSICANALÍTICAS PARTICIPANTES:

APPOA Associação Psicanalítica de Porto Alegre, Colégio de Psicanálise da Bahia, Corpo Freudiano Escola de Psicanálise, Escola Lacaniana de Psicanálise, Intersecção Psicanalítica do Brasil, Laço Analítico Escola de Psicanálise, Maiêutica Florianópolis Instituição Psicanalítica, Práxis Lacaniana Formação em Escola.

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Nota

Domingo, 20 Abril, 2008 · Não Há Comentários

No próximo dia 26 de abril, sábado, às 14 horas, acontece o VI Fórum no Interior: “Os tempos do sujeito do inconsciente - A psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise”. Local: Casa do Médico de Piracicaba, na Avenida Centenário, 546. O evento de psicanálise é aberto a profissionais, estudantes e pessoas interessadas.

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Referência

Domingo, 20 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Também estou aqui no “Palavras, todas palavras”.

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MELMAN - próxima edição de Veja

Sábado, 19 Abril, 2008 · Não Há Comentários

Veja - Edição 2057 de 23 de Abril de 2008

“A família está acabando”

“O psicanalista francês Charles Melman, de 76 anos, foi íntimo colaborador de Jacques Lacan (1901-1981), o principal herdeiro de Sigmund Freud na França. Atento observador da realidade contemporânea, Melman usa os conceitos da psicanálise para interpretar as mudanças em curso na sociedade atual, como a dissolução do núcleo familiar. “Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona que antropólogos e sociólogos não se interessem por isso”, diz. A maneira original como ele aborda as transformações sociais o coloca na condição de um dos maiores nomes da psicanálise atualmente. Melman estará no Rio de Janeiro nesta semana para participar de um seminário promovido pela associação psicanalítica Tempo Freudiano e para lançar seu mais recente livro, A Prática Psicanalítica Hoje. De Paris, onde mora, Melman conversou com o repórter Ronaldo Soares, da sucursal do Rio de Janeiro de VEJA. Seguem os principais pontos da entrevista.

FIM DA FAMÍLIA – Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona-me que os sociólogos e antropólogos não se interessem muito por esse fenômeno. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido. Antes, o menino tinha na figura do pai um rival e um modelo. Um rival que despertava nele o gosto pela competição e um modelo na busca do prazer sexual. Já para a menina, tratava-se de um homem em quem ela procurava se completar. Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até a descobrir o gosto pelo sexo.

JOVENS NO DIVÃ –