Se tem um assunto que gerou polêmica quando mencionado aqui no site ou quando citado nos estudos propostos em meu consultório, este assunto é a formação do analista. Há sempre algo ainda a ser dito. Passando pelos sites de escolas de psicanálise, me deparei com uma publicação da Escola Letra Freudiana (http://www.escolaletrafreudiana.com.br/) que fala exatamente deste tema e não hesitei em fazer o pedido de compra.
A seguir, a apresentação desta citada publicação de nº 32 da Letra Freudiana (trechos grifados por mim):
“A análise é leiga afirmou Freud em 1926, defendendo Theodor Reik, vítima de um processo por prática da psicanálise sem a qualificação médica. Produziu, então, com urgência, um texto paradigmático – “A questão da análise leiga” – que expõe as vicissitudes da transmissão da psicanálise e da formação do psicanalista: uma experiência subjetiva, singular, que implica uma ética peculiar. A psicanálise tem suas leis fundamentais e se revela irredutível a regulamentos extrínsecos à sua práxis. Portanto, a tentativa de profissionalizá-la atinge os fundamentos da formação do analista.
Ainda uma vez, em 2003, psicanalistas reuniram-se para reagir a investidas contra a psicanálise tal como o projeto de lei do Ato Médico que visa subordinar procedimentos em prol da saúde, de psicanalistas inclusive, ao controle dos médicos, em uma clara apropriação de saber. Inquietante, também, o movimento que propõe a regulamentação da profissão, psicanalista, via formação universitária, utilizando o nome da psicanálise para maquiar dogmatismos de grupos religiosos. A lâmina cortante de Freud, ao instituir o discurso da psicanálise, separou definitivamente o inconsciente de qualquer religião.
Abre esta revista a tradução da parte suprimida do Pós-escrito a “A análise leiga” em que Freud interroga a formação do analista como praticada nos Estados Unidos. Por feliz oportunidade, tivemos acesso a este trecho, escrito para não ser lido, impresso aqui, entre colchetes, o que nos permite constatar a luta aguerrida de Freud em defesa da psicanálise. Integram ainda esta seção trabalhos que discutem o texto freudiano e a questão da singular formação do analista.
Também Lacan é radical no que se refere a esta formação: para aquele que deseja autorizar-se analista é necessária a ousadia de começar por sua própria análise; o analista é conseqüência do ato analítico. Os trabalhos que constam da parte II e da Parte III da Revista, como as três conferências ministradas por Annie Tardits (École Sigmund Freud-Paris) na Escola Letra Freudiana – “As formações do psicanalista” – versam sobre o peculiar trabalho com o inconsciente.
A Parte IV remete à interrogação de Freud: “deve-se ensinar psicanálise na universidade?”, permitindo, assim, estabelecer a particularidade de um ensino na Escola, já que “a psicanálise não se transmite como qualquer outro saber”. Seguem-se escritos que examinam os dispositivos da Escola: o analítico com a questão da intensão, o cartel como estrutura de base de uma Escola e o passe, trazido aqui por três textos dos cartéis do passe.
Em maio de 2003, na jornada “A formação e a função do psicanalista”, organizada pela Escola Letra Freudiana da qual participaram analistas de distintas instituições e escolas e que, em sua diversidade e estilo de pensar a psicanálise, estavam reunidos pela transferência à causa analítica, como se verifica na parte final desta revista que traz a transcrição do debate na Mesa Redonda – “O que regula a psicanálise?”.
E.V
R.S.M.P.
V.V.”





































