Ponto Lacaniano

O AMOR À MESA – O Banquete de Platão

Terça-feira, 29 Abril, 2008 · Deixe um comentário

A Casa do Saber do Rio oferece o curso: O AMOR À MESA – O Banquete de Platão. Com Alexande Costa, professor de Estética e Teoria da Arte no Instituto de Artes da UERJ. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e doutorando da Universidade de Osnabrueck, Alemanha.

“O curso vai analisar os vários discursos sobre o amor expostos no diálogo “O banquete”, de Platão, cada um deles responsável por uma abordagem e uma perspectiva específicas, propiciando uma reflexão sobre diversos temas relacionados ao amor: o amor e a beleza; o amor e o apetite sexual; o amor e a medicina; o amor e a complementaridade entre o feminino e o masculino; o amor como divindade e o amor como desejo de conhecimento. “

Início: 19 MAI
Duração: 6 encontros
Dias/horários: Segundas-Feiras, às 17h (19/05, 26/05, 02/06, 09/06, 16/06, 23/06)

19 MAI | 1. INTRODUÇÃO AO DIÁLOGO BANQUETE
Contexto geral e apresentação do tema. O amor e a beleza. Primeiro discurso, Fedro: o primado e a excelência de Eros e seu caráter divino. A genealogia mítica do amor.

26 MAI | 2. PAUSÂNIAS E A DUPLA TIPOLOGIA AMOROSA
O amor vulgar e a satisfação do apetite sensual do homem em contraste com o amor que promove o bem do amado. Amor e liberdade. O amor como orientação à virtude.

02 JUN | 3. ERIXÍMACO E O OLHAR NATURALISTA DA MEDICINA
O amor como potência motora da natureza. Amor e harmonia, medicina e música. A concessão ao prazer consoante a medida: o amor deve promover o bem, não a corrupção.

09 JUN | 4. ARISTÓFANES: AMOR E COMPLEMETARIDADE
O masculino e o feminino. A distinção sexual e a unidade amorosa. A interdependência entre a parte e o todo.

16 JUN | 5. AGATÃO: O RETORNO AO EROS MÍTICO
A identidade entre o amor e o belo. O amor como o “lugar” de todas as virtudes, o maior e melhor dos deuses.

23 JUN | 6. SÓCRATES E DIOTIMA, O AMOR COMO AGENTE EDUCATIVO
A aspiração à verdade. O amor como desejo de conhecimento (filosofia) e orientação afetiva para o belo, o bom e o justo. A atitude do filósofo.

 

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: 

Tel.: (21) 2227-2237 ou inforio@casadosaber.com.br 

postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br ou fmaa@uol.com.br

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Freud disse que a Psicanálise era uma peste?

Terça-feira, 29 Abril, 2008 · 1 Comentário

Reportagem de 07 de Fevereiro de 2008 do Semanário de Portugal a respeito da célebre frase de Freud: “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” (português de Portugal)

 ”Numa conferência nos EUA, em 1909, Freud terá comentado com Jung, a propósito da psicanálise, que “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” O SEMANÁRIO questionou vários psicanalistas sobre a veracidade destas palavras e o sentido que Freud lhe quis dar. Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Celeste Malpique, Eurico Figueiredo, Eduardo Sá, Jaime Milheiro, João Seabra Diniz e Rui Coelho deram as suas opiniões.

Coimbra de Matos: “As ideias de Freud abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa”
“O termo ‘peste’ deve ser interpretado em sentido metafórico – as ideias de Freud eram, efectivamente, revolucionárias e abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa.”

Carlos Amaral Dias: “A ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma ‘peste’ que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.”
Tudo indica que Freud terá proferido o comentário em epígrafe ou pelo menos, algo muito semelhante.
Considero particularmente feliz a metáfora, já que a ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma “peste” que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.

Celeste Malpique: “Notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva.”
Freud fez realmente esse comentário quando em 1909 visitou os USA a convite de Stanley Hall,da Univ. de Clark em Worcester.Foi muito bem acolhido,fez conferências muito claras e interessantes e sentiu-se aceite ,o que não acontecia no meio científico europeu.Bom observador ,como era ,notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva,e que também ali, surgiriam resistências.Como se veio a verificar na divulgação da Teoria e numa certa superficialidade e deturpação do método psicanalítico.

Eurico Figueiredo: “Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja ‘peste’.”
A pergunta, para evitar o problema da sua veracidade, poderá ser feita pelo Sr Director: “Trouxe a psicanálise a peste ao mundo?” A minha resposta é de modo nenhum: a Psicanálise é uma prática que aumenta a liberdade do analisando libertando-o de repetir comportamentos que resultaram de uma aprendizagem empobrecedora. Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja “peste”.

Jaime Milheiro: “O puritanismo americano foi certamente um despertador para tal expressão.”
Trata-se de uma excelente metáfora, perfeitamente compreensível na inteligência de Freud. O puritanismo americano, mais vincado na altura do que no momento presente, foi certamente um despertador para tal expressão em tal sítio, embora a sua “peste” tenha valor universal.

João Seabra Diniz: “Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste.”
Admito que Freud pudesse ter feito este comentário. Estava, desde há anos, empenhado no estudo do funcionamento do psiquismo humano. A investigação dos processos psíquicos inconscientes, bem como a descoberta da sexualidade infantil representavam elementos de grande novidade que tinham mesmo provocado escândalo. As suas concepções vinham obrigar a uma profunda revisão da imagem tradicional do homem como ser pensante, determinado por motivos racionais, e da ideia idílica que se fazia da infância e da inocência que lhe era atribuída. A grande obra que é a ‘Interpretação dos Sonhos’ é de 1900. Os ‘Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade’ são de 1905. Quando em 1909 teria proferido esta frase, tinha já ampla e dura experiência de que as suas ideias, por inovadoras e brilhantes que fossem, não só não despertavam entusiasmo mas provocavam em muitos rejeição indignada. Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste. Se de facto proferiu esta frase, a ironia que ela contem parece-me traduzir este sentimento.”

Rui Coelho: “O papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.”
Penso que o termo “peste” foi empregue em sentido metafórico; isto é, o pensamento de Freud, em 1909, era praticamente desconhecido nos EUA e as cinco palestras proferidas em alemão, então, a convite do reitor da Clark University, Stanley Hall, foram posteriormente traduzidas por H. W. Chase como “The Origin and Development of Psychoanalysis” e publicadas no American Journal of Psychology, XXI: 2, 3 (1910). Assim, toda a valorização já então referida pela investigação psicanalítica acerca das relações precoces (mãe/pai/bebé) e do papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.

Eduardo Sá: “Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada”
Terá proferido. Mas devemos contextualizá-lo. Freud estaria a falar de um modo metafórico. Isto quer dizer que, num mundo onde a intimidade e a subjectividade humanas pareciam ser descartáveis, chamar a atenção para os componentes animais de algumas das nossas reacções ou para a nossa competência para pensarmos, muito para além da nossa intenção para o fazermos, era – naquela altura como hoje – uma espécie de peste. Responsabilizava-nos mais como pessoas, mobilizava-nos para a autenticidade e alertava-nos para a prevalência das nossas relações significativas (quer no sentido da saúde como no do adoecer psíquicos).
Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada.”

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