Ponto Lacaniano

Freud e Shakespeare

Terça-feira, 13 Maio, 2008 · 1 Comentário

Foi com enorme prazer que atendi ao pedido da estudante de Jornalismo Ana Paula Campos, da cidade de Bauru: responder algumas perguntas para um trabalho de graduação da UNESP. Pedi um exemplar eletrônico do trabalho em questão que se trata de um Jornal cujo tema era Shakespeare. Ela, gentilmente, não só me enviou o resultado final como também permitiu que eu publicasse no meu site a sua parte. Aí está:

TEATRO DE INDIVÍDUOS - A peculiaridade dos personagens shakespearianos sob a ótica da Psicanálise de Freud - Ana Paula Campos - estudante do 3º termo de jornalismo da UNESP

O título de ‘Inventor do Humano’ atribuído a William Shakespeare, pelo renomado crítico literário, Harold Bloom, não é em vão. Criador de personagens imortais e universais, o escritor inglês foi um grande conhecedor da natureza humana. A sua capacidade de individualizar os personagens, concedendo-lhes as ambigüidades e complexidades próprias dos ser humano, tornou-os facilmente identificáveis, sensibilizando quem assiste a suas peças ou o lê.

‘Shakeaspeare é semelhante ao mundo ou à vida. Cada época encontra nele o que busca ou o que quer.’, afirmou Jan Kott, autor do livro Shakespeare nosso contemporâneo. De fato, nascido 240 anos após a morte do gênio inglês, Sigmund Freud encontrou em suas obras exatamente o que precisava.

O pai da psicanálise foi um grande admirador de Shakespeare, considerando-o o maior escritor de todos os tempos. O autor inglês teve papel fundamental nas teorias freudianas. ‘As peças escritas por Shakespeare falam de algo inerente à vida do sujeito que é o desejo. Mais especificamente falam da tragédia do desejo, pois o sujeito desejante sofre deveras por se tratar, sobretudo, do encontro com a falta. E é isto, que é estrutural do ser humano, que vai interessar à Freud.’, afirma a psicanalista Flávia Albuquerque, de Niterói (RJ), pós-graduada em Teorias da Clínica Psicanalítica.

Para Freud, os personagens Shakespearianos são como ecos de suas teorizações e interpretações. Ele se aproveitou do universo conflituoso que circunda a obra de William Shakespeare para confirmar e ilustrar suas hipóteses. Segundo Flávia Albuquerque, ‘A arte toca o ser humano no plano do inconsciente. É a partir desse conhecimento adquirido por Freud sobre a alma humano que ele pode fazer uso dos personagens de Shakespeare para exemplificar os comportamentos humanos.’

Tolice tentar comparar ou rivalizar os gênios. Trata-se de dois grandes escritores e dois grande psicólogos. ‘Acredito que Shakespeare põe em cena, em ato, o que é do ser humano. Freud avançou no que tange ao estudo pormenorizado da tragédia humana, mas a arte sempre estará a frente para nos tocar no mais íntimo.’, conclui a psicanlista.

postado por Flávia Albuquerque - Psicanalista - (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br

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1 response so far ↓

  • Eduardo Marciano // Sábado, 12 Julho, 2008 às 1:59 am

    Muito boa a matéria. Sempre quis entender um pouco mais sobre a ligação entre esses dois grandes gênios da humanidade.

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