Frase digitada pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel. colunista do caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo. Suzana participou de um bate-papo virtual da UOL na última quinta-feira, dia 10 de Julho de 2008, sobre novidades da ciência e o impacto que as descobertas causam à vida humana. A seguir, trechos do chat, que contou com a participação de 129 internautas, que me pareceram interessantes. Os grifos s]ao da própria neurocientista.
“RICARDO fala para SUZANAHH: Suzana, boa tarde. Quais os avanços da neurologia no campo da bipolaridade?
SUZANAHH: Oi, Ricardo. Tem um bocado de descobertas interessantes sobre a bipolaridade, sobretudo no que diz respeito ao envolvimento do sistema de recompensa, que fica desregulado. Mas eu acho que uma das mais impactantes é o reconhecimento de que a mania existe como distúrbio isolado: nem toda mania pertence a um distúrbio bipolar, ou seja, existe a mania pura, sem depressão alternando com ela. Acho que esse reconhecimento irá ajudar um monte de gente que vem sendo tratada erroneamente como bipolar.”
“RBARROS fala para SUZANAHH: sobre o processo de cura mente-corpo (psiconeuroimunologia). A mente pode curar o corpo e vice-versa?
SUZANAHH: NÃO. Não é assim, nesses termos tão genéricos, apesar de coisas estapafúrdias como aquele livro O Segredo, uma das coisas mais vis que já escreveram, na minha opinião. A mente certamente influencia o corpo, sobretudo quando há estresse envolvido. Mas o corpo não adoece por culpa da mente, e também não pode ser curado exclusivamente com a ‘força da mente’. Dizer isso é horrivelmente injusto com quem sofre de uma doença com pneumonia ou câncer.”
“LUIZ fala para SUZANAHH: Profª, com as descobertas das neurociências, o que sobra da Psicanálise?
SUZANAHH: a Psicanálise vai muito bem, como sempre. Ela nunca dependeu da Neurociência, e não será agora que vai depender. São dois sistemas separados, paralelos. Rolam uns namoros aqui, umas brigas ali, mas o fato é que um não depende do outro.”





































1 resposta Até agora ↓
Anônimo // Terça-feira, 15 Julho, 2008 às 4:33 pm |
Não consigo pensar no porquê da última pergunta. Oras! Não pode ser mais evidente pra mim que elas se completam; e nos pontos que têm interseção apenas dão uma visão diferente — enriquecendo-se mutuamente.
Em tudo no mundo há o concreto e o abstrato. O objetivo e o subjetivo. Por que diabos os cientistas só conseguem entender o concreto?