Entradas do Junho 2009
LEITURA DA NOVA TRADUÇÃO – O Recalque
Segunda-feira, 29 Junho, 2009 · Deixe um comentário
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Colóquio sobre HOMOSSEXUALIDADES
Segunda-feira, 29 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Tive a oportunidade e o prazer de estar presente na última sexta-feira, dia 26 de junho, na Universidade Veiga de Almeida – Campus Tijuca, por ocasião do Colóquio sobre HOMOSSEXUALIDADES idealizado por Marco Antonio Coutinho Jorge e Antonio Quinet. A abertura do evento com introdução do tema foi apresentada pelos dois psicanalistas mencionados.
Destaque para os trabalhos de Sonia Alberti e Ana Vicentini.
Lá foram discutidos temas que certamente nortearão os trabalhos do II Simpósio de Psicanálise organizado por mim e pela Psicanalista Fernanda Pimentel em 14 de novembro de 2009.
Abaixo, alguns livros que foram mencionados em trabalhos:
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Quando a psicanálise encontra o MST
Sábado, 27 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Há três anos, um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perguntou à psicanalista Maria Rita Kehl como a psicanálise poderia ajudar a militância. Não era a primeira vez que Maria Rita estava palestrando para uma turma de alunos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação e ensino idealizado pelo MST. Ela respondeu que a psicanálise não é uma prática militante, mas que muitos militantes precisariam fazer análise por razões particulares. E explicou:
– A neurose interfere na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância.
Ao contar o episódio, Maria Rita, nome de referência da psicanálise no Brasil, diz que eles entenderam imediatamente o que estava implícito naquelas palavras. E, na saída, dois administradores da escola perguntaram:
– Quando você pode começar?
Na semana seguinte, Maria Rita deu início à experiência sobre a qual debateria hoje, às 9h, no Ritter Hotel, por ocasião da Jornada do Instituto Appoa – Psicanálise e Intervenções Sociais. A cada 15 dias, Maria Rita deixa São Paulo, onde mora, e percorre 60 quilômetros até a ENFF, em Guararema, e lá atende pacientes fixos e outros que estão de passagem. Não cobra pelas sessões, e, se alguém precisar de uma consulta extra em seu consultório, pede somente R$ 15.
– Eles sabem que meu trabalho lá não é por caridade nem por amor pessoal a cada um deles – é a “minha militância”. Este é o valor que eles me dão em troca do trabalho. Levam suas análises muito a sério, como quase todas as escolhas que fizeram.
Maria Rita também leva a sério seus compromissos – só topou dar entrevista desde São Paulo por e-mail (não por telefone) depois de se certificar de que teria tempo em sua agenda para se dedicar à tarefa. O evento de hoje deverá ser o terceiro desde sábado passado, quando estava programada uma conferência sobre seu trabalho junto ao MST na PUCSP. Ontem, faria sua segunda participação na 11ª Jornada da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, com reflexões acerca do masculino e do feminino, e hoje volta ao tema do movimento social na jornada da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, da qual é membro.
Doutora em Psicanálise, a campineira Maria Rita trilhou uma trajetória singular. Cursou Psicologia na USP em tempos de ditadura, trabalhou sete anos como jornalista, fez mestrado sobre televisão, teve um filho quando morava em uma comunidade e só em 1981 começou a atuar como psicanalista – e logo mais poeta e ensaísta. Suas palestras e seus livros transitam por diferentes temas – TV, juvenilização, ressentimento, feminino, ética na psicanálise… – o lançamento mais recente, O Tempo e o Cão – Atualidade das Depressões, teve início a partir de um pequeno incidente a caminho da ENFF, quando, premida pelo tráfego na Via Dutra, Maria Rita viu um cão atravessar a pista mas não pôde evitar bater no animal (que sobreviveu) – travestido de metáfora, o episódio a fez refletir sobre a aceleração da vida e seus efeitos subjetivos.
Neste longo percurso, analisar integrantes do MST e transitar no seio do movimento surge como a oportunidade de descobrir um universo fundado no coletivo e, como ela conta na entrevista a seguir, um privilégio.
Cultura – Para alguém que chega de fora, o que mais lhe chamou atenção no MST como movimento e no trato com seus membros, individualmente? É possível comparar questões que predominam entre os pacientes de seu consultório particular, em São Paulo, e os pacientes que atende na ENFF? As formações do inconsciente não variam muito; lá existem neuróticos como em toda parte. Recebi alguns alcoólatras também, pois este é um dos sintomas mais frequentes, sobretudo entre homens, na sociedade brasileira – e nas classes pobres, mais ainda. O que é muito diverso da minha clínica em São Paulo são as histórias de vida, evidentemente. 100% dos analisandos do MST têm origem pobre, a maioria do meio rural; alguns, os mais jovens sobretudo, já vieram das periferias das cidades, onde, além da pobreza, conheceram muita violência. São histórias de vida que implicam maior sofrimento real, mas os sintomas que se formam a partir da experiência traumática não variam muito. Trata-se, sempre, de tentar escutar as pistas que indiquem o que está recalcado e fazer com que a pessoa também se escute e questione o que diz, de modo a encontrar pistas que a orientem na via de seu desejo.
O que mais diverge da minha experiência com a clínica em São Paulo é que no MST não percebo, entre as queixas e indagações dos sujeitos, a prevalência do imaginário romântico-sentimental (inclusive no que diz respeito à demanda de amor, na transferência). Não é no amor que eles buscam indicadores de seu valor para o Outro – é na “luta”. As histórias de sofrimento familiar, ou conjugal, raramente se centram nas demandas de amor não-correspondidas, endereçadas ao pai, mãe, esposa/esposo. Não escuto essa queixa de que o pai ou a mãe gostava mais do irmão/da irmã/ se me ama/ se não me ama etc. Não que a questão do valor do sujeito para o Outro não exista, mas, curiosamente, não passa tanto pelas relações amorosas e familiares nem pela demanda de amor ao analista.
Cultura – Os movimentos sociais se fundam na noção do coletivo. Esta questão transparece de alguma forma quando um membro do MST está no divã? Aparece, sim, nas queixas frequentes de que o trabalho grupal, muito exigente, deixa pouca margem para os chamados “cuidados de si” – lazer, namoro, leituras, passeios, descanso. Mas não é difícil fazer com que eles percebam que o excesso de dedicação à “causa” coletiva pode ser um meio de escapar das questões singulares de cada um. Claro que estou generalizando, alguns permanecem muito mais aferrados a cumprir “o que o Outro quer de mim” do que outros etc. Ao longo de algumas análises, emergem muitos conflitos com as normas coletivas da Escola – o sujeito, ao entrar em sintonia com o desejo, torna-se rebelde. Mas essa rebeldia raramente é da ordem do individualismo, mais frequente nas classes média e alta urbanas. Eles se rebelam contra a rigidez das normas coletivas, mas não perdem de vista o fato de que estão no movimento por escolha política e têm uma responsabilidade para com ele.
Cultura – A senhora sempre teve uma posição de esquerda, uma postura crítica acerca da sociedade de consumo e seus valores. Como isso se reflete na realização deste projeto junto ao MST e até mesmo em sua atividade como psicanalista? Posso te dizer que, sempre que saio de lá, penso que sou uma privilegiada por ter encontrado o MST e ter sido acolhida por eles como pessoa de confiança. Também me acho uma pessoa de sorte por ter sido convidada a exercer a psicanálise, sem nenhuma concessão, em meio a este que é hoje o maior movimento social do mundo, com 600 mil militantes e 2 milhões de pessoas afiliadas a ele (incluindo famílias já assentadas, que às vezes não militam mais, mas reconhecem sua filiação ao MST). Não é preciso fazer concessões para exercer a psicanálise entre eles porque, apesar da origem católica e rural, o movimento é legitimamente progressista – assim como a psicanálise, aliás.
Cultura – Ao frequentar um universo marcado por bandeiras de luta e o sentido coletivo, em algum momento a senhora temeu a possibilidade de idealizar o movimento ou seus membros? Ou se sentiu cobrada a agir de forma militante? Nunca fui cobrada a agir como eles, seja isso o que for; mesmo porque entre eles as diferenças de modos de agir também são muito grandes. Sinto-me respeitada, inclusive em meu estilo mais aburguesado de ser: vou de carro, volto para São Paulo depois dos atendimentos porque quero aproveitar o sábado, raramente fico lá para dormir etc. Agora, não há dúvidas de que, para mim, é fácil idealizar o movimento. Não tanto pelo modo como eles conduzem suas lutas – tenho sérias divergências sobre algumas estratégias e falo sobre elas com pessoas que não são meus pacientes, quando os encontro no almoço, ou nos debates de que ainda participo. O que eu sinto que idealizo, no MST, é a formação humana que eles conseguem obter. A maior parte dos militantes veio de meios sociais violentos, com pouca escolarização, pouca noção de dignidade e respeito, tanto do sujeito quanto na relação com o outro. No movimento, o valor da leitura, do conhecimento, da lealdade e da solidariedade são imensos. Mesmo na clínica, onde os problemas mais profundos vêm à tona, não deixo de sentir admiração pela maioria de meus pacientes da ENFF. Para você ter uma ideia, sabe qual é a maior demanda de “ascensão social” entre eles? Não é ganhar mais ou subir para uma posição de poder: é ser incluído entre os que podem estudar mais, entre os que têm direito a frequentar os cursos etc. Eles são seriíssimos quanto a este aspecto; e quanto à solidariedade também, apesar de todos os defeitos humanos, que são os mesmos que os de todos nós.
Mas isto não significa que eu não tenha admiração pelas pessoas que atendo em minha clínica particular. Tenho, sim, por quase todos eles, pela coragem em enfrentar seus fantasmas, em buscar sua via. Talvez a diferença não se coloque em relação ao valor de cada sujeito, um por um, mas em relação ao “caldo de cultura” em que se vive, lá e cá.
Cultura – E como a psicanálise compreende os movimentos sociais? Não sei grande coisa as respeito. Só aponto que existe, entre alguns psicanalistas, um preconceito de que a participação num movimento social seria uma forma de alienação. Como se a adesão quase religiosa à psicanálise e às instituições psicanalíticas não fosse!!!
Cultura – Como avalia a posição das mulheres e as relações entre os sexos dentro do MST? É uma posição muito interessante, a das mulheres. Até agora não encontrei, entre as mulheres que atendo no MST, nenhuma que não seja autenticamente feminista, no sentido mais profundo do termo. Ou seja: são mulheres livres em suas escolhas sexuais e amorosas – até mesmo as que vieram de movimentos da Igreja, mas que, na análise, lutam para superar os entraves da moral católica. Ao mesmo tempo, são tão decididas e dedicadas quanto os homens. É interessante a posição das mulheres no movimento: muitas delas, por exemplo, têm cargos mais altos do que seus maridos. Provavelmente, nos acampamentos, entre pessoas que vieram de outros lugares e acabam de ingressar no MST, deve haver muito machismo; este é o perfil da sociedade brasileira. Mas não o encontrei entre os “compas”, como eles se chamam, que transitam no nível da ENFF. O outro detalhe interessante é que as mulheres que atendo lá nunca submeteram a vida da militância às conveniências do casamento. Viajam para lá e para cá, estudam nos cursos em módulos que o MST oferece em convênios com universidades – três meses na faculdade, três meses no movimento, durante a duração do curso – e os maridos seguram a onda, cuidam das crianças quando elas estão fora. O amor não é o centro da vida delas, o que é muito difícil de encontrar. E também não medem seu valor pelo olhar de um homem; nunca ouvi uma moça que não namora dizer que se sente inferior por isso.
Cultura – A escolha de objetos e temas de trabalho sempre revela algo do pesquisador. Na sua trajetória acadêmica, a senhora já passou pela televisão, questões do feminino, juvenilização, ética, depressão – além deste projeto no MST. O que este percurso revela a seu respeito? Se eu soubesse, não continuaria buscando. Deixo essa resposta para depois da minha morte.
PATRÍCIA ROCHA – entrevistadora – FONTE: ZERO HORA
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Centro de estudos: PORQUE LACAN – Friburgo
Quarta-feira, 24 Junho, 2009 · Deixe um comentário
A ASSOCIAÇÃO PSICANALITICA DE NOVA FRIBURGO TEM O PRAZER DE CONVIDÁ-LO PARA MAIS UMA SESSÃO DO
Centro de Estudos:
”Porque Lacan“
- Um discorrer sobre a importância do discurso lacaniano para a psicanálise. Serão abordados alguns conceitos básicos, com ênfase no primeiro momento do grafo do desejo – Seminário 6 de Lacan.
Com: Dra. Regina Luz
Médica, atuando nas áreas de Cardiologia e Psicanálise
DIA: 02/07/09, quinta-feira
19:30 hs
Sede da APNF – Av. Alberto Braune, 99/504 - Centro
Atividade Gratuita - Vagas limitadas
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II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ Sexualidade
Segunda-feira, 22 Junho, 2009 · Deixe um comentário
INSCRIÇÕES ABERTAS !!!
“Enquanto se tratar de psicanálise, estará se falando de sexualidade. A sexualidade participa da dialética do sujeito de um modo específico, particular, profundamente conflitivo. Freud nos fala que o sintoma é, propriamente falando, a vida sexual do neurótico, constituindo assim um impasse, uma aporia.
Passamos a vida nos indagando sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, evidenciando que a anatomia não basta para que possamos aceder a uma posição sexuada. O inventor da psicanálise expôs, não sem ser criticado, a bissexualidade constitucional dos humanos e a sexualidade como algo presente desde a infância classificando-a desde sempre e para sempre infantil.
Feminilidade ou masculinidade se despontam como formações sintomáticas que tentam encobrir o vão da falta constituinte do sujeito.
Haveria sujeito homem e sujeito mulher?”
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CAFÉ REFLEXIVO
Domingo, 21 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Novo espaço de debates em Niterói : o Café Reflexivo. E a primeira proposta está voltada para questões concernentes à infância e à adolescência trabalhadas a partir da psicanálise. Ótima oportunidade para mães, pais e educadores ampliarem suas reflexões sobre os temas propostos.

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NY, 1969 – SP, 2009: Aos 40 anos do movimento gay, repressão persiste
Domingo, 21 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Lições de Stonewall a São Paulo
Por Antonio Quinet*
1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas policiais com humilhação e prisão no Bar Stonewall, reduto gay do Greenwich Village em NY, os homossexuais reagiram e se rebelaram contra a polícia; a rebelião ganhou o apoio dos passantes e os policiais recuaram. É o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia. No ano seguinte, deu-se a primeira Parada Gay. Em São Paulo, além da bomba atirada numa sacola do alto de um prédio, outras agressões deixaram rapazes feridos. Um deles morreu. Aos 40 anos de Stonewall, ataques como o de São Paulo estão além da homofobia. São atos de homoterrorismo. Apesar das transformações nos costumes e leis e da maior liberdade de expressão da opção sexual, prevalece, mundo afora, a repressão através de atos de guerra. No Brasil, o número de assassinatos de homossexuais aumentou 55% em 2008 em relação ao ano anterior, revela a pesquisa anual sobre crimes com motivação homofóbica, do Grupo Gay da Bahia (GGB). Como se explica o homoterrorismo? Como a homofobia, termo que designa medo, se transforma em ódio? Por um lado, podemos pensar a partir da lógica da exclusão do diferente e situar o homossexual ao lado do negro e do judeu, vítimas de discriminação e intolerância (o triângulo gay era cor-de-rosa nos campos de concentração) e também, como se tem visto, aqueles que frequentam religiões “fora da norma”, como a Umbanda, alvos de agressões em seus templos. As mulheres, acrescente-se, continuam a ser discriminadas. Essa norma mítica, que se confunde com o “normal”, é a do “branco, masculino, jovem, heterossexual, cristão, financeiramente seguro e magro” (cf. Dollimore). O homossexual provoca o imaginário de um gozo outro, tão diferente, e ao mesmo tempo tão semelhante. Para a consciência da norma, é melhor qualificá-lo de pervertido, não-confiável, pois um gozo periférico, daí ser perigoso. Como disse Arnaldo Jabor, os gays “ (…) sempre foram uma fonte de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ‘clara’. O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a unicidade do desejo… o gay sério inquieta… o gay de terno, o gay forte, o gay caubói são muito próximos de nós (…).” Ao responder a uma mãe extremamente preocupada com a homossexualidade de seu filho, Sigmund Freud (que assinara uma petição pela descriminalização da homossexualidade) aponta, em 1935, que não é nenhuma desvantagem, nem vantagem, “não é motivo de vergonha, não é uma degradação, não é um vício e não pode ser considerada uma doença”. Apesar disso, só em 1973 a American Psychiatric Association (APA) deixou de classificar a homossexualidade como doença. E depois que ativistas gays, por duas vezes (1970 e 1971), invadiram seu encontro anual. A psicanálise, na mesma direção, se opõe à pedagogia do desejo, pois esta é uma falácia. Não se pode educar a pulsão sexual, desviá-la para acomodá-la aos ideais da sociedade. A pulsão segue os caminhos traçados pelo inconsciente, individual e singular. A pulsão não é louca: obedece à lógica de uma lei simbólica a que todos estamos submetidos. Para a psicanálise, o interesse exclusivo de um homem por uma mulher também merece esclarecimento. A investigação psicanalítica, diz Freud em seu texto premiado sobre Leonardo da Vinci, opõe-se à tentativa de separar os homossexuais dos outros seres como um “grupo de índole singular”, pois “todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e que de fato a consumaram no inconsciente”.
Ou seja, a bissexualidade é constitutiva de todos, seja a escolha homossexual praticada ou não. O complexo de Édipo, que cai no esquecimento, comporta também a ligação libidinal do filho para com o pai e da menina para com a mãe, além das ligações do filho com a mãe e da filha com o pai. Assim, o número de homossexuais que se proclamam como tais, diz Freud, “não é nada em comparação com os
homossexuais latentes”. Há uma diversidade enorme na homossexualidade tanto na praticada quanto na latente e sublimada. Devemos falar, portanto, de “homossexualidades”. As sexualidades são tantas quanto existem os sujeitos, determinadas pelas fantasias de cada um. A questão que se coloca nesse episódio de terror é como cada um lida com sua homossexualidade (patente ou latente) que se materializa nas amizades, nas relações entre parentes do mesmo sexo e em todo ajuntamento social. Segundo Freud, a libido homossexual é o cimento dos grupos e da massa, assim como a raiz dos ideais subjetivos de cada um se encontra em seu narcisismo (do amor por si mesmo e até a auto-estima). O “amar aos outros como a si mesmo” tem claramente fundamento homo (igual) erótico. A aceitação da homossexualidade do outro se encontra na dependência de como o sujeito lida com a sua própria. Quanto mais ele a rejeita em si mesmo, menos saberá lidar com ela, podendo fazer desse outro um objeto de ódio, de agressões e até de assassinato. Dentro de uma cultura machista e falocêntrica (existe no ocidente alguma que não o seja?) parece mais fácil para a mulher lidar com sua homossexualidade do que o homem. Não é à toa que o lipstick lesbian virou moda entre as meninas. O que está longe de ser o caso para os meninos que cedo, muitas vezes na escola, aprendem a prática do homoterrorismo. A
aceitação do outro como sexuado, diferente e independente, podendo fazer suas próprias escolhas de gozo sem ter que se desculpar, é um índice de civilização. O contrário é a barbárie.
ANTONIO QUINET é psicanalista e doutor
em filosofia.
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Conversa afora: CLUBE DA LUTA
Sexta-Feira, 19 Junho, 2009 · Deixe um comentário
ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA DE CURITIBA promove:
Desejar o desejo do Outro.
Divisão psíquica.
Retorno no real.
Muitos caminhos levam ao filme “O Clube da Luta“, de David Fincher, que será o tema do próximo Conversa Afora. Esperamos que o caminho escolhido nos permita mais uma boa conversa, como têm sido aquelas que se seguem às nossas sessões mensais de cinema.
26 de junho às 19:00
Local Associação Psicanalítica de Curitiba
Rua Dr. Generoso Borges, 316
Batel
Valor: 10,00
Fone. 41-3343-1312
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Lacan, 1 século depois
Sexta-Feira, 19 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Em 2001, o psicanalista Jorge Forbes falou para Istoé sobre a importância de Lacan para o pensamento moderno e explicou porque o brasileiro é um otimista. Aproveite a leitura:
ISTOÉ – Qual é o legado deixado por Jacques Lacan?
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Cem anos do Caso do Pequeno Hans
Sexta-Feira, 19 Junho, 2009 · Deixe um comentário
A Diretoria de biblioteca da Escola Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro convida para a MESA REDONDA de comemoração dos 100 anos de Hans.
O evento acontecerá na próxima segunda-feira, dia 22 de junho, às 21 horas.
“Herbert Graf nasceu em 1903, mas Hans nasceu em 1909 quando da publicação do texto de Freud. A Diretoria de Biblioteca convida para a mesa redonda de comemoração dos 100 anos de Hans com a participação de Maria Inês Lamy e Paulo Vidal.”
Vol. X - Caso do Pequenos Hans
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Seminário: TRANSTORNOS ALIMENTARES
Sexta-Feira, 19 Junho, 2009 · Deixe um comentário

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EROS & THANATOS
Domingo, 14 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Exposição comemorativa do 70º aniversário da morte de Freud começou dia 12 de junho.
Amor e morte, desejo e repressão, sexo e guerra: estas são as chaves de uma exposição nos museus Liechtenstein e Freud, em Viena, em que a arte serve de suporte físico para mostrar o pensamento de Freud, pai da psicanálise.
A mostra assinala o 70.º aniversário da morte de Freud, que ocorre em Setembro, e é uma forma de dois museus vizinhos do mesmo bairro vienense – Museu Liechtenstein e Museu Freud – “explicarem” a Teoria das Pulsões do cientista austríaco. A exposição começou hoje e prolonga-se até 13 de Outubro.
Subordinada ao título «Eros e Tanatos, pulsão, pinturas e interpretações», a exposição recorre a representações de episódios mitológicos e de autores contemporâneos de Freud para exemplificar a ideia de que o ser humano oscila entre duas grandes pulsões: as de morte (Tanatos) e as de vida (Eros), incluindo a sexualidade.
O incesto, elemento essencial da obra de Freud, aparece reflectido no quadro “Lot e suas filhas” e representações de bacanais mostram como as várias culturas desenvolveram instrumentos sociais para conter o erotismo sem barreiras. Além de obras de pintores clássicos, dois outros artistas contemporâneos e conterrâneos de Freud assumem um grande peso na exposição: Gustav Klimt e Egon Schiele.
Os três “demarcaram-se da refinada fachada erótica que caracterizou a mudança de século na sociedade vienense pondo a nu a crua e torturada sexualidade que existia por detrás das aparências”, sublinham os organizadores da mostra.
O segundo grande eixo da exposição centra-se na guerra, na morte e na violência. Para ilustrar estes temas foram utilizadas obras como “A alegoria da morte” de Rubens ou a dramática série de cenas de guerra e execuções de Cristoforo Dall´Acqua.
A exposição divide o material exposto entre a biblioteca do Museu Liechtenstein e várias salas do Museu Freud, situado no mesmo piso do número sete de la Berggasse que albergou o consultório do pai da psicanálise. A exposição está patente ao público até 13 de Outubro.
FONTE: CIÊNCIA HOJE
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OBRA DE FREUD – R$ 299,00
Sexta-Feira, 12 Junho, 2009 · Deixe um comentário
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LANÇAMENTO
Sexta-Feira, 12 Junho, 2009 · Deixe um comentário

Livros de Daniel Kupermann aqui
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Ne escrita, um pedaço da realidade
Quinta-feira, 11 Junho, 2009 · Deixe um comentário
O homem pode arrancar apenas um pedaço da realidade. Jacques Lacan acreditava que a realidade rejeita qualquer sentido que deseje revesti-lo.
Francisco Quinteiro Pires/Agência Estado
O homem pode arrancar apenas um pedaço da realidade. Jacques Lacan acreditava que a realidade rejeita qualquer sentido que deseje revesti-lo. Num adjetivo: o real é “impossível”. O psicanalista francês disse mais – “o que faz com que a relação sexual não possa se escrever é justamente esse buraco, que toda a linguagem, enquanto tal, tampa.” E alertou para o hiato insuperável entre ciência e verdade, entre o que se busca e o que se encontra. Para refletir sobre essas afirmações, a Revista da Escola Letra Freudiana (Editora 7Letras) propõe a edição “Do Real, O Que se Escreve?”, resultado de colóquios feitos pela instituição, entre 2006 e 2007. Além de discutir as incapacidades da palavra diante do real, a publicação traz um texto, das psicanalistas Andréa Bastos Tigre e Rossely S.M. Peres. O artigo aborda as angústias inevitáveis do solitário ato de escrever, por meio do qual o indivíduo se arrisca a ensaiar uma verdade. A reflexão das autoras se baseia em perguntas lançadas por Lacan em seminário de 1955, no qual trabalhou o texto “A Carta Roubada” (que se encontra nos Escritos). O que é, afinal, uma carta? Ela pertence a quem? A quem a enviou ou a quem é destinada? Em que consiste a dádiva de uma carta? Por que se manda uma carta? Andréa e Rossely lembram que, no século 17, o advento do correio representou um abalo às monotonias da vida cotidiana. Era também uma prova da paixão do ser humano pela escrita e da leitura como força de um acontecimento. Ao ensaiarem respostas às perguntas de Lacan, as autoras evocam as 284 cartas trocadas entre Sigmund Freud e seu amigo Wilhelm Fliess. Abordando assuntos variados, da intimidade à profissão, essa correspondência pode ser pensada como “o tear em que foi engendrada a psicanálise”. Sem fugir das zonas de sombra, Freud exercia na escrita um meio de investigação especial. Nelas, partilhou suas descobertas, uma ruptura com o pensamento de sua época, e fez autoanálise, segundo Lacan.
Marcadas pela ausência inerente do outro e pela abolição do aqui e agora, as cartas são escritas pela vontade do homem de experimentar uma verdade. É quando o escriba se esvazia do conhecimento que tem sobre si mesmo. Ernesto Sabato cita Cesare Pavese, para quem escrever é comparável ao fuzil que se dispara. Em mensagem a Godofredo Rangel, Monteiro Lobato afirmou que “o gênero ‘cartas’ é algo à margem da literatura”. Para ele, a correspondência é conversa entre amigos, um duo no qual “está o mínimo de mentira humana”.
Depois de falar do que move o autor de uma carta, as autoras refletem sobre o destinatário. Ou destinatários, porque são três os sujeitos a que se destina a mensagem: o indivíduo que escreve para si mesmo, para o outro – destinatário original – e para um outro possível de ser atingido antes ou após a carta chegar ao endereço pretendido.
Outra função da escrita é suportar a realidade. Ela é capaz de fazer o sujeito atravessar as experiências complicadas – para dizer o mínimo – da solidão e do vazio, da morte e do inconsciente. Aqui se resgatam os efeitos imponderáveis do ato de escrever sobre aquele que escreve: pode-se tanto tropeçar em algo ignorado como conhecer algo que não se quer saber. Existir é como escrever: não há itinerário preestabelecido nem muita lógica durante o percurso. Por mais que se planeje, viver não é outra coisa senão avançar tropeçando.
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BLOOMSDAY 2009
Quarta-feira, 10 Junho, 2009 · 1 Comentário
Bloomsday é um feriado comemorado em 16 de Junho na Irlanda em homenagem ao livro Ulisses de James Joyce. É o único feriado em todo o mundo dedicado a um livro, excetuando-se a Bíblia. Hoje o bloomsday é uma efemerida inserida no calendário cultura de vários países que não é nem um pouco restrita ao círculo dos leitores das cerca de 900 páginas da obra Ulisses. É uma festa que pode acontecer em qualquer lugar onde se leia ou se discuta James Joyce e o Ulisses. E a escrita sintomática deste escritor irlandês é analisada no importante Seminário 23 de Jacques Lacan: O Sinthoma.
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Clarice Lispector
Sexta-Feira, 5 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Os textos de Clarice Lispector sempre surpreenderam ao conseguir, de maneira intrigante e fascinante, dizer algo sobre a subjetividade. A obra da escritora sempre causou interesse na psicanálise e é muito lida e discutida por psicanalistas.
O site submarino está fazendo uma promoção imperdível: Alguns livros da autora por R$ 9,90
A MAÇÃ NO ESCURO
FELICIDADE CLANDESTINA
ÁGUA VIVA
UM SOPRO DE VIDA
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
LAÇOS DE FAMÍLIA
A HORA DA ESTRELA
A VIA CRUCIS DO CORPO
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UM CAMINHO PARA O INCONSCIENTE
Sexta-Feira, 5 Junho, 2009 · Deixe um comentário
FONTE: GAZETA DE PIRACICABA
“Uma das obras mais importantes que Freud escreveu foi, sem dúvida, “A Interpretação dos Sonhos“. Podemos dizer que depois desta publicação a psicanálise como ciência começou então a tomar cada vez mais força.
Segundo ele, todos os sonhos são sempre invariavelmente uma realização de desejos, de forma aberta ou camuflada.
São muitas as preocupações do dia-a-dia que nos perseguem no sonho. Por exemplo, um exame do qual temos medo (e que no sonho pode ter sido anulado); o conflito com o chefe (que no sonho é agredido fisicamente); ou o amado inacessível (que no sonho se encontra ao nosso lado cheio de paixão).
Os sonhos são reflexos de nosso estado interno e nos mostram nossos desejos de forma disfarçada e simbólica.
Eles denunciam nossos sentimentos, emoções, revelam carências e dificuldades não solucionadas.
Em todo sonho há um conteúdo manifesto (que é o sonho tal qual sonhamos) e outro latente (que constitui o significado do sonhos que a análise revela).
Os sonhos da criança geralmente são mais fáceis de se entender, visto que nos sonhos de adultos o inconsciente se revela de forma mais sutil.. Esse é um dos motivos que faz com que os sonhos pareçam tão estranhos, complicados ou sem nexo.
A censura se encarrega de deturpar o sentido do sonho de tal forma que ele pode parecer irreconhecível.
O resultado pode ser uma misteriosa e confusa conseqüência de imagens, comparando a um quadro cheio de enigmas.
Um indivíduo que sonha que ficou nu em publico, por exemplo, pode estar tentando lidar com alguma situação embaraçosa em sua vida real. No entanto, é possível, também, que ele esteja tentando colocar para fora aspectos de sua personalidade que reprime.
Os sonhos de morte nem sempre tem o sentido que lhes são atribuídos. Muitas vezes eles podem significar simplesmente o desejo de colocar um fim em algum episódio em nossa vida.
Para analisar um sonho é necessário conhecer a pessoa, o momento emocional em que está e sua história de vida. Mais que isso, esse conhecimento deve ser aliado às associações feitas por esta pessoa, pois sem elas a interpretação é apenas uma hipótese.
Nosso inconsciente está impregnado de emoções fortes. Ele é a sede da paixão, do prazer, ciúme, inveja e desejos em seus estados primitivos. A mente humana é mais complexa do que imaginamos. O que sabemos de nós constitui uma pequena parcela, pois o conteúdo maior se encontra de nós desconhecido,
Sonhar também é uma forma de conhecermos aspectos de nós mesmos que muitas vezes, negamos. O sonho descortina nosso verdadeiro ser e por esse motivo devemos nos recordar sempre deles. Há quem diga que não sonha ou não se lembra de seus sonhos, porém, essas afirmações são ultrapassadas, na medida em que todos nós sonhamos todos os dias.
O que ocorre é que as recordações dos sonhos, sendo frágeis, desaparecem com facilidade se não procurarmos nos lembrar logo que acordamos. Não existem sonhos “bobos” ou sem importância, pois mesmo estes podem se apresentar repletos de informação sobre nosso psiquismo, contituindo-se numa imensa riqueza para nos conhecer melhor.”
Edázima Aidar é psicanalista com formação em psicanálise pela Sociedade Campinense de Psicanálise.
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PROMOÇÃO EM LIVROS DE JACQUES LACAN
Quinta-feira, 4 Junho, 2009 · Deixe um comentário
O MITO INDIVIDUAL DO NEURÓTICO
SEMINÁRIO 16 – De um Outro ao outro
SEMINÁRIO 17 – O AVESSO DA PSICANÁLISE
SEMINÁRIO 5 – AS FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE
SEMINÁRIO 4 – A RELAÇÃO DE OBJETO
SEMINÁRIO 2 – O EU NA TEORIA DE FREUD E NA TÉCNICA DA PSICANÁLISE
ESCRITOS
SEMINÁRIO 18 – DE UM DISCURSO QUE NÃO SERIA SEMBLANTE
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II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ
Segunda-feira, 1 Junho, 2009 · Deixe um comentário
Já foi estabelecida a data do II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ: 14 de novembro de 2009, sábado. Será realizado no mesmo local do I Simpósio (AMF- Associação Médica Fluminense) e, devido ao sucesso, num auditório maior. O tema escolhido é SEXUALIDADE: Sexuação e Escolha de objeto. Trataremos de temas como: heterossexualidade, homossexualidade feminina, homossexualidade masculina e bissexualidade. Como o material de divulgação está em andamento na gráfica, em breve vocês terão acesso.
Este ano haverá uma novidade: uma banca de livros de psicanálise a venda.
Lembrando que, quem se interessar em enviar trabalho - que dependerá da aprovação da comissão científica – para apresentar no evento, entrar em contato: (21) 9792-8326 / (21) 7870-2323 / flavia@pontolacaniano.com.br
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