Sabe-se, a partir do discurso médico, que a doença autoimune é a patologia que faz o corpo se defender dele mesmo. O que a psicanálise pode construir como saber a partir deste saber médico? Que a doença autoimune é o sujeito se defendendo dele mesmo. Afinal, o sujeito é aquele que se defende do seu desejo.

Espantoso? Pode surpreender muitos de vocês que o movimento do sujeito não seja a favor do desejo, mas contra ele. Isso não surpreende mais o psicanalista, mas ele sustenta um espanto. Pois o dia que o psicanalista parar de se espantar com o que é da ordem do sujeito, ele ensurdece sua escuta.

E esta é uma das maneiras de marcar a radical diferença da escuta psicanalítica em relação a outros tipos de escutas clínicas. O analista não vai acreditar de antemão naquilo que é dito pela pessoa que o busca em análise como se fosse literal. Algo do tipo: “me queixo deste sintoma e quero me curar dele”. Tem sempre um além, um contexto, um discurso envolvido. Uma das queixas do ser humano – quando muito atento – é justamente a de se perceber sabotador do seu próprio desejo.  E é isso que ele não entende sobre o que se passa com ele. Porque não se trata de uma lógica racional. É uma lógica outra, a do inconsciente.

Mas o fato de ser inconsciente não desculpabiliza o sujeito, o inconsciente não é aquilo que te autoriza a falar: “me desculpe, foi inconsciente, eu não tive a intenção”. Pelo contrário, a psicanálise lida com o inconsciente numa perspectiva de responsabilidade. É preciso fazer com que o sujeito se depare com as consequências dos seus atos inconscientes. Uma análise segue numa direção de fazer com que o sujeito se responsabilize e deixe de lado a estratégia da vítima de ficar culpando o outro.

Desde janeiro último, venho fazendo transmissões pelo snapchat PONTOLACANIANO, e quem tem me acompanhado nos últimos meses, testemunha meus recentes diálogos com o nutrólogo Dr. Barakat, que também faz transmissões por lá (DOUTORBARAKAT). Há alguns dias trabalhamos – ele a partir do campo da medicina e eu a partir do campo da psicanálise – o tema da doença autoimune. Ele sublinhou uma série de orientações de melhoria dos hábitos alimentares e de vida para as pessoas que sofrem desta doença. Mas houve um ponto bastante enfático da fala dele que me interessa destacar aqui: ele convocou essas pessoas a se responsabilizem e pararem de se queixar que esta e tantas outras doenças são devido a genética. Com bastante frequência, ele explica que há, de fato, a genética que se herda de uma família, mas a expressão deste código genético necessita que alguém aperte o gatilho, e esse alguém é a própria pessoa que porta este código. Porque ele não é acometido de uma doença autoimune, como se tratasse de uma passividade, mas ele produz esta doença.

Numa análise, a direção do tratamento é fazer com que o sujeito se dê conta de que ele não é vítima da vida, das suas errâncias, das coisas que o faz adoecer, sofrer. Não é vítima do outro, mas o grande construtor do seu caminho. Mesmo a partir daquilo que o sujeito carrega sem depender dele – como o código genético – há uma possiblidade de transformar, inventar e, portanto, produzir outras saídas, outros avatares da expressão daquilo que ele carrega a despeito dele mesmo.

Outro detalhe importante a ser destacado da fala do Dr. Barakat é quando ele aponta como característica da doença autoimune o consumo de alimentos considerados inflamatórios, que causam inflamação no intestino. Sabem o que é mais interessante? Aquele que chega numa análise com uma doença autoimune muito rapidamente demonstra o quanto tem uma relação ‘inflamada’ com a vida. Ele inflama! Ele é passional! Ele confere gravidade a situações que não teriam tanto peso de antemão.

Há uma preciosa informação médica: o intestino é o órgão do corpo humano que mais produz serotonina, o neurotransmissor que produz o bem estar. Não é impressionante? Nos faz entender a sabedoria popular que chama o irritadiço de enfezado! Não é a toa que esta informação faz Dr. Barakat afirmar que a depressão começa no intestino. Dizendo que toda essa inflamação, toda esse mal estado da flora intestinal é a porta de entrada para depressão.

E quer saber? A psicanálise assina embaixo. Sabem por quê? Porque não se trata de uma escolha racional, uma escolha óbvia, mas uma escolha inconsciente, do sujeito, da sua dificuldade de sustentar a sua existência, com suas errâncias. A depressão, assim como as doenças autoimunes, são alguns dos sintomas possíveis do mal estar do sujeito. O quê a psicanálise escuta é este mal estar e devolve ao sujeito esse discurso que ele porta para que ele possa se implicar nisso. Por isso uma análise se difere bastante da questão da psiquiatria que fica cada vez mais forjando diagnósticos, nomenclaturas, catalogando cada sentimento e posição subjetiva. O psicanalista escuta o sujeito. Os sintomas existem aos montes. Mas todos eles dizem do mesmo: o sujeito. Singularmente.

O corpo não é apenas um bolo de carne, é portado por um sujeito, ele não é uma situação orgânica autônoma. Quando um sujeito que porta um corpo, corpo este que chega ao ponto de produzir uma doença para se defender de si mesmo é sinal de que a problemática é muito maior e muito mais antiga do que se imagina. Não é de hoje. Então é uma situação complexa, de acordo com a complexidade do ser humano. É extremamente danoso cair na armadilha de que um medicamento vai dar conta por si só de algo que na origem tem causa psíquica. Isto é fundamental ser entendido, porque se pessoas com doenças autoimunes não procurarem, junto com todos os outros tipos de tratamento, um lugar pra trabalhar as suas questões como um tratamento analítico, vão sofrer de forma extremamente dolorosa as consequências destas doenças. Com crises cada vez piores.

É preciso se perguntar: Você está dando a fundamental importância para o seu funcionamento psíquico? Para o seu modo de operar? Para a posição que você está tomando na sua vida? Está se questionando? Tem um profissional competente realmente apto a te ajudar a trabalhar essas questões?

O trabalho de análise é uma chance – e não é uma chance qualquer – de um sujeito se implicar consigo mesmo. Justamente com aquilo do qual se defende: de si mesmo. Não se trata de lançar mão de tratamentos breves. Não será nem de longe eficaz. É um trabalho da existência. Aliás, todo ser humano tem que se dar o trabalho de existir. Quem tem um doença autoimune, quem chega a este extremo precisa trabalhar ainda mais porque tem alguma coisa muito mais capenga na sustentação dessa existência. É preciso investir nisso. Senão não haverá tratamento, medicamentoso, alimentar, de atividade física que se sustente.

Aliás, a atividade física tem uma importância fundamental na vida de todos nós. O nosso corpo é uma máquina orgânica que sofre a influência subjetiva. Ele precisa se movimentar, ter descarga. A descarga da atividade física é imprescindível porque se não houver uma descarga desse tom, o corpo vai se virar para fazer a descarga que for possível. E qual é a descarga que vai ser possível se não houver atividade física? A doença. Então, dá trabalho, é um sacrifício se movimentar, assim como dá trabalho buscar uma análise, trabalhar em cima das questões. Mas é preciso insistir. É caro? Precisa de investimento? Muitas vezes sim! E aqui cabe uma frase de Freud que, a meu ver, é uma das mais preciosas da obra dele: “Nada é tão caro quanto à doença e a estupidez”.

Eu gostaria de destacar ainda um outro detalhe da fala do Dr Barakat: àquelas pessoas que não acreditam que se escolhe ter depressão, que se escolhe ser feliz, que se escolhe o que se vive, ele nomeia de pessoas céticas. Poderíamos ainda ser mais duros e nomeá-las de cínicas. A conclusão é que quando uma pessoa chega ao ponto de desenvolver uma doença autoimune, ela chegou ao extremo da problemática psíquica. Não dá pra viver de uma forma cínica em relação a isso. É preciso se propor a trabalhar em cima disso.

E qual o olhar sobre a criança nessa questão da doença autoimune? Tenham em mente o seguinte: o problema de uma criança é sempre uma resposta ao problema dos pais. Quando uma criança adoece desse jeito, quando apresenta um problema, seja ele qual for, ela está denunciando o quão problemática é a dinâmica dessa família.

 

Flávia Albuquerque – psicanalista lacaniana

(21) 99792-8326

flavia@pontolacaniano.com.br

snapchat e instagram: pontolacaniano

Tive a grata surpresa de encontrar este texto publicado no site Cenário MT! É mais um conteúdo por ocasião do aniversário de Freud em 06 de maio passado. Neste texto, conseguimos reconhecer a particularidade do campo psicanalítico. Deleitem-se! (infelizmente não encontrei o nome do autor, mas o link está acima)

“Segundo a sabedoria popular, Freud explica aquilo que, à primeira vista, parece polêmico, ou sem explicação, ou sem um entendimento direto.

A Freud cabe dar sentido àquilo que a gente nem sabe o que é, mas sente quando acontece, e não tem ideia de como descrever e como agir perante esse tanto de não saberes.

Mas afinal de contas, o que o neurologista austríaco e pai da psicanálise, que hoje faria 160 anos, explica, de fato?

Explica a raiva, a tristeza e a dor? Explica aquela angústia que fica dando nó de marinheiro no estômago? Explica a inveja que sentimos, e o ressentimento que deixamos crescer em nós? Explica nossa dificuldade com o amor? Explica nossa intimidade com a raiva? Explica o tumulto de nossas relações? Explica o fracasso das dicas de auto-ajuda?

Explica estarmos preocupados? Explica quando não damos a mínima? Explica nossa vontade de ser eternos? Explica nosso indesejável desejo de morrer? Explica aquilo que dizemos mas que não queríamos dizer?

Não, Freud não explica. Não da maneira que esperamos. Seria muita pretensão, e a psicanálise que ele concebeu possui, já em sua constituição, um atestado de que não se pode tudo, não se é tudo, não se tem tudo.

Mas ele fez perguntas, ouviu histórias, prestou atenção em detalhes e desenvolveu uma escuta singular que permite que os pacientes ouçam aquilo que eles mesmos dizem, e com isso vai costurando sentido a partir das palavras e da maneira como as pessoas se colocam no mundo. Ele nos leva a descobrir respostas.

Freud morreu em 1938, depois de 16 anos lutando contra um doloroso câncer no maxilar. Os 160 anos do nascimento dele são uma boa oportunidade para pensarmos como ele subverteu e revolucionou a maneira como pensamos o ser humano no mundo.

Ele fez isso ao longo de uma extensa obra, inspirada por seus pacientes, e também por artistas e pensadores como Sófocles, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Henrik Ibsen, Fiodor Dostoieski, Thomas Mann, Emile Zola, Mark Twain, Goethe, Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rembrandt.

A culpa não é do outro (ou do universo)

Não é raro reclamarmos de algo que o outro tenha feito conosco, ou de como o mundo conspira contra nós. Aquela pomba que soltou aquele zepellin melequento na sua cabeça no dia da entrevista do emprego estava ali encaminhada pelo universo, com um destinatário muito específico: você. Não, né?

O outro e o mundo são responsáveis por nossas tristezas e infelicidades. Eles nos mandam tristeza, morte e infortúnio, e não há nada que possamos fazer a não ser nos conformar, reclamar. Ou tomar uns remedinhos e ignorar tudo. Afinal, não temos nada a ver com o que o ocorre em nossa própria vida.

Com a psicanálise, Freud propôs um verdadeiro empoderamento ao ser humano. Isso porque a análise nos permite descobrir o quanto nos deixamos afetar por aquilo que não temos controle, e então começamos a perceber que temos sim, possibilidade de nos posicionar perante o que nos envolve. Em muitos casos, podemos fazer escolhas, podemos mudar a maneira como escolhemos, e assim, vamos nos “apropriando” de nossas próprias decisões.

Mas esse empoderamento exige que façamos algumas perguntas bastante “desconfortáveis”, cuja resposta pode não ser a que esperamos. Não, não é fácil. Um exemplo contemporâneo: Ficamos mais tempo no trabalho porque alguém nos obrigou ou porque partimos do pressuposto de que não vão nos achar menos competentes ou “relaxados” se não fizermos a hora extra? Nossos relacionamentos são coincidentemente um lixo, ou escolhemos pessoas que nos levam a esse tipo de relação?

“Ao contar sua história, o sujeito pode reconhecer, em algum momento, a sua parte naquilo e não para se sentir culpado, mas sim para se responsabilizar por certos tropeços e situações. Somente assim, passando de passivo para ativo, é possível uma mudança de posicionamento em relação à sua história. Uma ressignificação”, explica a psicóloga e psicanalista Amanda Sensini Costa.

Somos diferentes

A ideia de igualdade deve ser perseguida sempre no campo dos direitos e da inclusão. Vivemos em socidade, e a desigualdade como cidadãos vem mostrando seus efeitos pérfidos há milênios.

Porém, quando se fala de seres humanos, pensando em características, desejos, opiniões, maneiras de se posicionar e de se reagir à vida, somos diferentes. Cada um é cada um: singular, com sua subjetividade, sua constituição particular como sujeito.

É por isso que irmãos criados da mesma maneira pelos pais jamais serão iguais. Cada serzinho ali é único e tem uma relação peculiar com os pais e com o mundo.

Por sermos diferentes e únicos, individualmente falando, não faz sentido criarmos uma “cartilha” de sintomas e categorizarmos os problemas de cada pessoa conforme essa cartilha. Todas que apresentarem os mesmos sintomas receberão o tratamento X. Para Freud, cada caso é um caso. Se dois pacientes apresentam o sintoma de não conseguirem mais andar, o “não andar” tem sentido diferente para cada um. E esse sentido só vai se revelando na medida em que o paciente fala.

Somos falhos e imperfeitos (e babacas e monstruosos)

Se temos acesso à educação, à informação e a maneiras de viver melhor, por que cargas d’água o dia não termina conforme planejamos e ainda falamos coisas inapropriadas? Porque não somos tudo isso que pensamos ser quando fomos o bebê mais amado do universo.

Somos bem o oposto disso: temos falhas e somos limitados. E pior: não somos donos nem do nosso nariz, porque segundo Freud, o manda-chuva é o nosso inconsciente, abordado no livro A Interpretação dos Sonhos (1905) e no texto O Inconsciente (1905).

“Ele [Freud] é o único a ter teorizado, assim como seus herdeiros, o que chamamos de inconsciente. Não falo do subconsciente nem do inconsciente dos psicólogos. Eu me refiro ao inconsciente, que pode ser traduzido pela noção de que, quando alguém fala, não sabe o que diz”, afirma ao Estado de S. Paulo a psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco.

É o inconsciente quem manda em tudo, decide a hora de abrir e fechar a lojinha, quem entra e quem sai. É pra debaixo desse “tapete” que mandamos nossos desejos, características pessoais e lembranças que não suportamos conhecer ou ter acesso. O problema é que há uma pressão constante para que esses conteúdos “vazem” na nossa vida rotineira, e eles sempre encontram uma maneira de vazar. Esse vazamento costuma ser doloroso, sofrido, incômodo e assustador.

A tarefa da análise é trazer esses conteúdos à tona de uma maneira que não precisem “vazar”. E quando esses conteúdos chegam ao consciente, existe a possibilidade de se dar um novo destino a uma situação que antes era de muito sofrimento, ou que incapacitava a pessoa de existir no mundo.

Sexualidade não deveria ser tabu

A obra de Freud costuma ser resumida às noções de que “tudo é culpa da mãe” e “tudo é relacionado com sexo”. O que ele propôs, e descobriu em suas observações na clínica, é que a sexualidade – que vai muito além do ato sexual – e situações relacionadas a ela já nos primeiros anos de vida era o gatilho para alguns modos de viver do sujeito do mundo. Estas descobertas foram apresentadas no texto Três Ensaios para uma Teoria da Sexualidade, de 1905.

A Psicanálise foi construída à base de erros, muitos erros

Como disse certa vez uma professora, Freud passou sua vida pesquisando e criando teorias que pudessem explicar e se aplicar ao que ele via em seus pacientes. Tudo começava no divã, na observação de como os seres humanos se comportavam. As mulheres histéricas que ele tentou hipnotizar, antes mesmo de ele criar a psicanálise, apresentavam sintomas que se dissolviam na medida em que elas falavam e davam sentido ao que acontecia em suas vidas.

Quando temos acesso a uma teoria, é normal pensarmos que ela foi sujeita à prática e, se ainda é aplicada popularmente nos dias atuais, é porque ainda está correta. Mas a psicanálise está sempre se refazendo, agregando conhecimentos e corrigindo rotas.

Freud se arriscou ao erro diversas vezes, e tinha o costume de informar ao leitor quando sua teoria estivesse errada e sendo corrigida. Ele abandonou, por exemplo, a teoria da sedução, segundo a qual as crianças teriam necessariamente passado por um abuso sexual na infância que teria dado origem a eventos traumáticos.

Os trabalhos dele acerca da homossexualidade e da mulher se mostraram insuficientes e desatualizados, e permanecem em constante revisão, seja para uma atualização, ou como ponto de partida para novas descobertas.

Conviver implica renunciar

Pegar um ônibus lotado às 19h de uma sexta-feira de engarrafamento recorde não é nem um pouco legal. Menos legal ainda é se cada um dos passageiros, por estar cansado, começar a andar no veículo trombando, pisando, esbarrando e sendo inconveniente com quem estiver ao lado. Ser grosseiro(a) e justificar com um “tô cansado(a), que os outros se lasquem”.

Conviver implica coexistir em um mesmo espaço, e não há possibilidade de vivermos em sociedade fazendo apenas o que quisermos e for vantajoso pra nós. A convivência implica renúncia justamente porque exige que se considere o outro. E nada disso é natural, ou fácil, pois para nosso inconsciente, não há regras ou limites. Segundo Freud, quem coloca limites e impede o crime é a lei, a civilização.

Em vez de explicar, talvez Freud tenha apenas tenha aberto uma poderosa (e não visível) porta para que façamos perguntas. Sobre nós, sobre o mundo, sobre o que nos escapa. Sobre nossa responsabilidade em nossa própria vida. Sobre comando e sobre a falsa impressão de que temos poder e controle sobre nós o tempo todo. Sobre termos defeitos, errarmos e, mesmo assim, seguir em frente.”

Semana Freud no snapchat!

Publicado: quinta-feira, 28 abril, 2016 em psicanálise

Entre os dias 02 e 06 de maio estou promovendo a Semana Freud no snapchat pontolacaniano.  Uma boa oportunidade pra quem tem interesse e curiosidade em saber mais sobre o pai da Psicanálise. E teremos o privilégio de transmissões direto do dos Museus de Freud em Londres e em Viena. Imperdível!

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Outras sugestões de livros da Semana Lacan

Publicado: domingo, 17 abril, 2016 em psicanálise

Segue a lista dos livros que sugeri na Semana Lacan no snaphat Pontolacaniano por ocasião do 115º aniversário de Jacques Lacan:

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Semana Lacan

Publicado: terça-feira, 12 abril, 2016 em psicanálise

Por ocasião do 115º aniversário de Jacques Lacan em 13 de abril, estou promovendo no Snapchat a ‘Semana Lacan‘.

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Ontem sugeri um livro de leitura breve. São 96 páginas de diálogos entre a historiadora Élisabeth Roudinesco e o filósofo e escritor Alain Badiou sobre a relação deles com Jacques Lacan. Na segunda parte, os autores dialogam sobre os aspectos do universo lacaniano com a participação de Christine Goémé.

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Lembrando que o snapchat é uma rede social em que o conteúdo fica disponível por apenas 24 horas. Sigam PONTOLACANIANO e confiram a Semana Lacan. Além de sugestões de livros, vocês vão acompanhar citações do psicanalista, suas influências, o que dizem sobre Lacan e suas contribuições para a psicanálise.

Com a palavra… Françoise Dolto

Publicado: segunda-feira, 25 janeiro, 2016 em psicanálise

Hoje, no snapchat PONTOLACANIANO mencionei 2 livros. Um deles foi A criança do espelho. Este livro é um registro do diálogo entre Nasio e Dolto em 1985 a respeito do livro recém lançado no ano anterior (1984) pela psicanalista francesa.

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O livro em questão era A imagem inconsciente do corpo. mais um livro dentre tantos de Dolto com generosas e preciosas contribuições à psicanálise.

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Ler Freud – guia de leitura da obra de S. Freud

Publicado: terça-feira, 19 janeiro, 2016 em psicanálise

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Ler Freud – Guia de leitura da obra de S. Freud de Jean-Michel Quinodoz. Uma boa pedida para quem quer se situar um pouco melhor na obra do Pai da Psicanálise. Nele, é possível ter acesso a fragmentos da biografia de Freud e da história da elaboração de sua obra, cronologia e evolução dos conceitos freudianos, e principais contribuições pós-freudianas. Da editora Artmed.

No momento que faço este post, no site submarino o livro custa R$ 87,21

Esta foi a dica de hoje no snapchat PONTOLACANIANO. Lá eu mostro um pouquinho como esse guia funciona.

 

Transmissão pelo Periscope

Publicado: terça-feira, 20 outubro, 2015 em psicanálise

  

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Temos um encontro marcado mais tarde! Vocês já têm o app Periscope? Nesta rede social, há transmissões ao vivo dos mais variados assuntos e tem muito conteúdo de qualidade! E quem assiste, consegue interagir. Depois de finalizada, a transmissão fica disponível por 24 horas para quem quiser assistir, mas sem a possibilidade de interação. Divulguem nosso meeting! Esse tema é uma dúvida de muitos! #PontoLacaniano #Psicanalise #Psicologia #Psiquiatria #Periscope

Vamos falar de psicanálise no Periscope?

Publicado: sábado, 29 agosto, 2015 em psicanálise

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O Periscope é um aplicativo do Twitter para transmissões ao vivo. Uma plataforma genial e imperdível! Além das transmissões ao vivo, com interação da audiência, o Periscope também permite o acesso ao conteúdo transmitido, através de reprise, por 24 horas.

Já fiz 3 transmissões e tem sido bastante produtivo! Cada transmissão tem um tema e pelo menos 1 sugestão de livro. A proposta é fazer 1 por semana e/ou quando a agenda do consultório permitir. O mais interessante é que há espaço para perguntas e dúvidas.

Quem já possui o app, pode me seguir através do @flaviaalbuqrq. Quem possui uma conta no twitter também pode acompanhar as transmissões pelo computador. Automaticamente é divulgado em meu perfil um link de acesso assim que inicio minha fala. O twitter para seguir também é @flaviaalbuqrq.

Quem ainda não possui o aplicativo, recomendo intensamente que o baixem porque tem muitos profissionais e formadores de opiniões que estão alimentando esta plataforma com conteúdo extremamente relevantes.

Que tal contribuir nas próximas transmissões? E, se conhecerem outros possíveis interessados na psicanálise, divulguem!

Aguardo vocês!

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UM PAI – Sibylle Lacan

Publicado: segunda-feira, 16 fevereiro, 2015 em psicanálise
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Baseada no livro “Um Pai” (puzzle), de autoria de Sibylle Lacan, o monólogo explora, por meio de fragmentos, a relação da filha com o pai, o psicanalista Jacques Lacan, apresentando temas como a falta de diálogo e a rejeição. Um monólogo com Ana Beatriz Nogueira com direção de Guilherme Leme Garcia e Vera Holtz.

Estréia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Centro do Rio de Janeiro em 20 de fevereiro de 2015. Previsto para ficar em cartaz até 03 de maio de 2015.

De sexta à domingo às 19:30

R$ 10,00

Rua Primeiro de Março, 66 – CentroCEP: 20010-000 / Rio de Janeiro (RJ)(21) 3808-2020

ccbbrio@bb.com.br

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Como amam os homens – Cristiano Pimenta

Publicado: sexta-feira, 13 fevereiro, 2015 em psicanálise

Me deparei com este excelente artigo, do psicanalista Cristiano Pimenta no site do Jornal Opção de Goiânia. É longo mas é uma produção que vale – e muito! – a leitura.

COMO AMAM OS HOMENS

Por Cristiano Pimenta*

Não me parece possível abordar esse tema sem antes enfrentar uma difícil questão: o que é ser homem hoje? É ser machão? É ser heterossexual? Sabemos que há o metrossexual e também — seguindo tendências mais recentes — o lumbersexual. Dizem, aliás, que Brad Pitt, Ben Affleck, dentre outros, já aderiram ao estilo do “lenhador sexy”. Por outro lado, por que um homossexual não seria um homem? E o que dizer de certas mulheres que em tudo parecem ser “mais macho que muito homem”? Ora, essa confusão evidencia que, nessas questões, a vida contemporânea é atravessada por uma ruptura com os antigos padrões.

O homem com “H” maiúsculo

Tentemos fazer o contraste entre o passado e o presente. Antes, as referências pareciam mais claras e firmes. A teoria psicanalítica lacaniana mostrou como eram feitos os homens. Na década de cinquenta, Lacan elaborou uma fórmula chamada Metáfora Paterna para traduzir em termos formais a teoria do Complexo de Édipo de Freud. Para psicanálise, também quanto ao sexo masculino, é certo dizer que não se nasce, mas torna-se homem. Dito em termos simples, a Metáfora Paterna nos mostra como um menino torna-se um homem, a saber, pela interdição que a função paterna introduz nas relações mãe-criança. Trata-se da famosa interdição do incesto, mas que atinge não só a criança como também a mãe. Pelo lado da criança, a função paterna lhe impõe um “Não te deitarás com tua mãe”. E pelo lado da mãe um “Não reintegrarás teu produto”. O pai, portanto, salva a criança de ser devorada pela mãe e é isso que lhe permite tornar-se um homem. Restará apenas o passo seguinte dado pelo projeto de homem: “Eu quero ser igual ao papai”. Eis que nasce um homem! Sim, pois, na medida em que sou igual ao papai me sinto no direito de ter uma mulher, ou seja, me é permitido que um objeto venha substituir a mãe. A coisa culmina na família, no interior da qual terei minha autoridade de pai, do homem da casa, etc.

Antes de apontarmos o declínio dessa maquininha de fabricar homens à imagem do pai, quero chamar a atenção para as características gerais desse antigo homem-pai. Ele era absolutamente seguro de si na relação amorosa com a mulher. Ele se sentia, ele se via, como sendo o possuidor daquilo que uma (a sua) mulher mais poderia desejar, a saber, sua própria masculinidade, à qual Lacan consagrou o termo falo. Ser homem aqui é ser o portador daquilo que satisfaz o desejo de uma mulher, daquilo que estabiliza, orienta e apazigua a aflição feminina. Nesse sentido, ser homem é anterior ao ser o provedor. Ser homem é, antes, a condição necessária para prover. Ser homem é estar no poder. De um modo geral, na história humana, o poder sempre foi coisa de macho, e o falo é a essência do macho.

E como ama esse homem simbolizado pelo pai severo, cuja vontade era expressa e atendida com um simples olhar enfurecido? Digamos que ele não foi talhado para amar, mas sim para ser amado. É que amar fragiliza, enfraquece, gera dependência para com o objeto amado. Amar é confessar sua falta (Miller). No contexto desse homem-pai-possuidor-do-falo, o amor concerne mais à mulher. Amar é coisa de mulher. Daí que, se esse Homem com maiúscula se enfraquece por amor ele pode ser depreciativamente chamado de “mulherzinha”. Compreende-se, por outro lado, que, dessa perspectiva, ser mulher é ter inveja do pênis (Penisneid), como formulou Freud. A inveja do pênis é o nome freudiano da falta feminina, falta que se apazigua na relação com aquele que é o detentor do objeto do desejo.

A liberação do desejo feminino

Mas um Homem assim terá existido realmente algum dia? Deixo de lado essa questão para dizer que, de todo modo, enquanto Ideal, referência simbólica e identificatória, ele existiu sim. Sua produção dependia da eficácia do pai, enquanto o interditor da relação mãe-criança. Todavia, o pai enfraqueceu. Por quê? Para responder tal questão é preciso observar que essa engrenagem da Metáfora Paterna só funciona se o desejo feminino estiver enganchado nesse Homem, ela foi montada para responder ao desejo feminino, ao qual se supõe poder dizer:“Afinal, o que mais uma mulher poderia desejar além de ter marido e filhos?” Impossível não nos lembrarmos de que a psicanálise foi inventada por Freud justamente na tentativa de tratar das mulheres que não se encaixavam nesse padrão: as histéricas. As histéricas do final do século XIX já testemunhavam, ou melhor, já produziam, o fracasso desse Homem. O desejo histérico se caracteriza justamente por se remeter sempre a uma Outra coisa; ele é por definição insatisfeito, não se apazigua com o falo e nem com os objetos substitutos como o filho. As histéricas foram as primeiras a deixar esse Homem a ver navios. Seus pais, numa última tentativa desesperada de colocá-las na via correta, diga-se arranjar-lhes um marido, as levavam a Freud, como se dissessem: “Quem sabe essa tal psicanálise possa dar um jeito”. Digo de passagem que Freud jamais se propôs simplesmente atender às demandas de adaptação dos pais. O projeto de Freud foi, antes, o de tentar explicar os mistérios que governam a vida amorosa das pessoas.

Eis, portanto, o motivo fundamental do declínio desse Homem-pai: a liberação do desejo feminino. Liberação em relação ao padrão “papai-mamãe”. Já de início, poderíamos dizer que, nesse terreno, o homem está sem bússola, pois o que antes era o Norte para ambos os sexos, o falo, já não cativa tanto, ou já não se encontra lá onde se espera encontrá-lo, tal como podemos ver no filme Jovem e bela. Depois de perder a virgindade para um rapaz que acabara de conhecer, num encontro frio e sem amor, a linda e jovem moça dá início ao exercício da prostituição. Ela se vende a homens mais velhos, sendo que por um deles ela desenvolve um apego maior. Com o falecimento deste em pleno ato sexual ela é descoberta e faz um tratamento psi para voltar a ser uma garota “normal”. Tudo parece caminhar para sua reabilitação, pois ela começa um namoro romântico com um rapaz da sua idade. A surpresa do filme é que ela simplesmente se desencanta disso que seria uma promessa de felicidade e retorna à prostituição. Quando ela reativa o antigo número de celular as mensagens dos clientes pululam uma atrás da outra para regozijo seu. A simplicidade dessa história parece testemunhar o que dizemos aqui: que o desejo feminino segue agora caminhos misteriosos e fora dos padrões estabelecidos.

A psicanálise lacaniana, seguindo as pegadas do desejo histérico, já havia descoberto que um dos traços fundamentais do desejo feminino é o de estar essencialmente ligado ao vazio. Isso permite que a mulher mude com mais facilidade que o homem o objeto de seu desejo, pois lhe interessa mais o vazio que o objeto venha ocultar ou o vazio que possa haver no objeto. É isso que, igualmente, explica o talento das mulheres para representação. É justamente pelo fato de seu próprio Ser estar atravessado pelo vazio, por se reconhecer no vazio, que a tarefa de encarnar qualquer personagem se torna tão acessível a uma mulher. Essa mudança no feminino, ou melhor, essa liberação, por sua vez, fez com os homens também se transformassem.

Um homem que ama

Mas quando nos interrogamos sobre o que seria essa transformação não nos vem à mente, justamente, a imagem do lenhador sexy, ou seja, um ideal encarnado por um Brad Pitt, um homem sedutor que arrebata toda e qualquer mulher, um “pegador”, um Don Juan? E para quem se destinaria o visual cuidadosamente desleixado se não para o desejo feminino? Além disso, essa concepção de homem parece ir ao encontro da queixa de muitas mulheres, a de que os homens hoje não se apegam, não se apaixonam, querem apenas desfrutar do sexo, evitar o amor, o compromisso, etc. Nesse mesmo sentido, poderíamos ainda convocar o ponto de vista de um sociólogo de peso, Zygmunt Bauman, que denunciou, em “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”, a superficialidade dos amores na vida contemporânea, a liquidez com que os amores se desfazem antes mesmo de começar.

Contudo, nos tempos atuais, há um fato desconcertante que subsiste ao lado desse o homem fluido, livre e desapegado, a saber, com o declínio do modelo paterno, o homem passou a amar. Eis uma novidade! Sem a proteção das antigas identificações paternas, sem uma bússola para se orientar frente ao desejo feminino, ele se valeu do recurso ao amor. Ao fazer isso, no entanto, o homem adentra um terreno que ele não domina, ou melhor, um terreno dominado pelas mulheres. Inexperiente, se assim podemos dizer, o homem corre o risco de ficar em desvantagem nesse jogo há muito jogado por elas.

Uma posição desfavorável no amor já podia ser observada numa época muito antiga na qual o homem-pai ainda detinha o poder. Foi por volta do século XII, na Europa, onde alguns homens poderosos se lançaram a uma prática paradoxal para o seu tempo que ficou conhecida comoamor cortês. Uma série de condutas foi relatada nos versos dos chamados trovadores. ADama devia ser exaltada, com a correlativa desvalorização do homem devotado. Nos versos do amor cortês, a mulher torna-se um objeto supervalorizado, transcendente, inacessível, intocável. Ela não se caracteriza por ser virtuosa e amável com o homem que lhe “faz a corte”. Ao contrário, ela é extremamente arbitrária e impõe cruéis provas de amor àquele que se torna seu “servidor”. Encontramos, assim, o homem em uma posição de desvalorização e humilhação na relação amorosa. Posição paradoxal para uma época em que as mulheres não detinham nenhum poder econômico e social e o modelo patriarcal reinava. Essa Dama cruel e arbitrária, esvaziada de toda qualidade, encarnação do vazio, vazio que será contornando por uma série de procedimentos realizados pelo homem através de uma conduta de rodeio, serviu de referência para Lacan pensar sua noção de real sob a forma de a Coisa (das Ding). Segundo Lacan, essa mulher, que encarna o real, é para o homem “um objeto enlouquecedor, um parceiro desumano”.

O fato de que a mulher enlouquece um homem na relação amorosa pode ser considerado uma herança do amor cortês presente nas relações atuais. Levado à loucura, um homem pode perder as estribeiras e bater na mulher. Mas o fato mesmo de enlouquecer, transgredir a lei a ponto de ser levado preso, deve ser avaliado em relação ao despreparo desse homem atual frente ao desejo feminino. No filme de Lars Von Trier, “Anticristo”, encontramos um exemplo cheio de ironia de um homem que enlouquece na relação amorosa. Nesse longa, o marido terapeuta se dedica pleno de confiança e certeza ao tratamento de sua própria esposa. Ele a leva para uma fazenda isolada onde a natureza reina e ali aplica uma série de técnicas comportamentais de tratamento. Tudo fracassa. O especialista nos assuntos psi é o que menos sabia a respeito da psique de sua esposa. Ela surta, tenta matá-lo e ele tem que lutar pela própria vida para escapar. Enlouquecido pela loucura dessa mulher, ele a mata e queima seu corpo como o de uma bruxa. A ironia, portanto, é que o marido-terapeuta-salvador, se tornou o assassino de sua paciente-esposa. Por que motivo ele se dedicou de corpo e alma a esse tratamento? É simples: porque amava sua esposa. “Anticristo” coloca em evidência o fato de que a agressão masculina testemunha que o homem não controla mais a mulher. Esse descontrole evidencia também que amar, para o homem, é um modo de gozo, um gozo que pode ser mortífero.

À mulher nada falta

Nesse mesmo sentido, encontramos na teoria psicanalítica lacaniana uma formulação que inverte a clássica posição de superioridade do homem em relação à mulher, a posição de independência e poder do possuidor do falo e a correlativa dependência daquela a quem só restava a inveja do pênis. Hoje é comum o homem se apresentar como faltoso e a mulher, por seu lado, se apresentar como aquele ser a quem nada falta, ou que “não precisa de homem para nada”. Lacan percebeu que isso já estava inscrito em um nível básico da relação homem-mulher, o nível da relação sexual. Aí o homem está em evidente desvantagem pelo simples fato de precisar produzir e manter a ereção de seu órgão, o pênis. Assim, na hora “H” (que é a hora do Homem se colocar à prova) as coisas são tensas para ele: seu órgão pode não funcionar como esperado, a relação pode terminar antes do previsto ou simplesmente não acontecer. Por outro lado, mesmo que funcione bem, com ou sem ajuda de um “Viagra”, no final assiste-se inexoravelmente a uma detumescência, que simboliza a perda da sua virilidade. A mulher não. Neste nível ela sai do ato tal como entrou: intacta. Por não ter nada a sustentar, também não tem nada a perder. No nível do gozo não se pode falar em inveja do pênis na mulher, pois “não lhe falta nada” (Lacan). Ao contrário, “a mulher se revela superior no campo do gozo” (Lacan).

Não é novidade que a vida sexual do homem seja atravessada pelo drama da impotência. Na adolescência a experiência sexual ainda inédita é temida, o que explica o tempo enorme dedicado aos jogos de internet. Na maturidade há o temor de uma impotência inesperada e na velhice pode haver uma impotência há muito esperada. Nem precisaríamos falar da perturbadora questão do tamanho do seu pênis. Enfim, ao vincular sua virilidade à ereção de seu órgão, o homem se torna refém desta última. Não é o caso, por exemplo, das mulheres homossexuais que na relação sexual ocupam o lugar masculino, ativo, que faz a parceira gozar satisfatoriamente. O fato de não terem um pênis não lhes traz nenhum problema. Algumas, aliás, sentem-se muito mais viris justamente por não possuírem esse órgão tão frágil e problemático.

Pois bem, essa inferioridade masculina no campo do gozo é transposta ao campo do amor. Justamente por ter algo a perder, o homem se encontra em uma posição de desvantagem no amor. Poderíamos dizer que, quando um homem perde a sua mulher (ou até nos casos em que ele mesmo se separa dela), é como se uma parte de si mesmo lhe fosse cortada fora. Imagem que nos remete ao mito da costela de Adão com a qual Deus fez o objeto do desejo, Eva. Já a mulher, por já estar castrada de saída, por habitar o vazio, está muito mais preparada para a perda. Nenhum objeto é capaz de obturar sua relação íntima com o vazio. O sofrimento feminino está ligado mais às suas relações com o vazio. Via de regra, a solidão, por exemplo, é insuportável para a mulher. O homem, com seus apetrechos, seus canais por assinatura, lida melhor com a solidão. Seu mundo desaba apenas quando ele perde seu objeto privilegiado. Vale mencionar aqui a lembrança de um jovem que eu acabara de conhecer na mesa de um bar e que do nada soltou: “Não tem comparação, uma separação é muito mais difícil para nós, homens, do que para elas”.

Nesse sentido, a clínica psicanalítica nos mostra homens surpreendidos e traumatizados com isso que para eles se apresenta como absolutamente inesperado: o fato de que em dado momento de crise, mesmo em relacionamentos já duradouros, a mulher amada se revele perfeitamente capaz de viver sem ele. É aí que encontramos no homem, só para dar um exemplo, o medo da separação. Medo que conduz às mais variadas formas de covardia como, por exemplo, a de investir sua vida e seus bens em uma mulher que, ao menor deslize seu, teria todas as condições de lhe deixar.

Portanto, a superação do amor perdido passou a ser problema de homem. Talvez possamos afirmar, em resposta às mulheres que dizem que os homens não se envolvem, não querem compromisso, etc., que o motivo, pelo menos em alguns casos, é que eles não superaram um relacionamento traumático anterior, um amor que deu errado. Em seu inconsciente, portanto, eles amam, eles estão sob o efeito do que Freud chamou de fixação da libido, por isso, não estão livres para viver um novo amor, só lhes restando as diversões descompromissadas do sexo.

O luto e a alegria

O que se revela de nosso percurso é que o desafio do homem hoje é o de poder amar e, ao mesmo tempo, preservar sua virilidade. Se, como diz Jaques-Alain Miller, “só se ama verdadeiramente de uma posição feminina; amar feminiza”, como ser viril e feminino ao mesmo tempo? Ora, isso só é possível se o homem conseguir evitar fazer de uma mulher a solução para sua falta. Erroneamente, a experiência amorosa se tornou a via pela qual o homem acredita resolver o problema da sua falta. É preciso que ele se dê conta de que essa Mulher, assim concebida, não é nada além da parte de si mesmo (a costela) que está definitivamente perdida. O objeto está perdido. É preciso, pois, fazer o luto dessa perda. Como diz Lacan, “o homem tem que fazer o luto de encontrar em sua parceira sua própria falta”. O luto é um processo dolorido, triste, mas que leva a um paulatino desapego. É isso que lhe permitirá que o objeto amado não se torne insubstituível e que ele se aposse da certeza de que a alegria de um novo encontro amoroso estará sempre em seu horizonte.

 

Cristiano Pimenta é graduado em Filosofia pela USP, mestre em Psicologia Clínica pela UNB e membro da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP), da Associação Mundial de Psicanálise (AMP) e da Delegação Geral GO/DF da EBP.

O desejo e sua interpretação

Publicado: sábado, 24 janeiro, 2015 em psicanálise

O aguardado seminário 6 de Jacques Lacan, O desejo e sua interpretação, foi publicado na França. Neste seminário, o psicanalista francês trabalha a questão do desejo fazendo uso de uma das mais conhecidas obras de Shakespeare, HamletTambém segue desenvolvendo sobre a perversão chegando a fazer um certo elogio à estrutura ao final do seminário.

seminario 6 frances

A Editora Zahar, responsável pela publicação dos seminários de Lacan no Brasil, já está trabalhando na tradução em português. O Lançamento está previsto para julho de 2015.

———- ATUALIZAÇÃO: A Editora Zahar adiou o lançamento para março de 2016 ———-

Enquanto a publicação não chega às mãos dos psicanalistas brasileiros, contamos com os seminários já publicados:

Seminário 1 – Os artigos técnicos de Freud

Seminário 2 – O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise

Seminário 3 – As psicoses

Seminário 4 – A relação de objeto

Seminário 5 – As formações do insconsciente

Seminário 7 – A ética da psicanálise

Seminário 8 – A transferência

Seminário 10 – A angústia

Seminário 11 – O quatro conceitos fundamentais da psicanálise

Seminário 16 – De um Outro ao outro

Seminário 17 – O avesso da psicanálise

Seminário 18 – De um discurso que não fosse semblante

Seminário 19 – …ou pior

Seminário 20 – Mais, ainda

Seminário 23 – O sinthoma

Fonte: Brasil Beta

freud

Setenta e cinco anos após a morte do psicanalista Sigmund Freud, conceitos e frases que ele criou estão hoje profundamente arraigados na cultura popular.

Como o jargão freudiano se popularizou dessa forma?

Existe o Freud da literatura médica – o homem barbudo que fundou a psicanálise. O Freud que é constante fonte de debate entre acadêmicos.

Depois existe o outro Freud, o Freud da mesa de bar. Aquele que você talvez mencione quando falar de um sonho, ou de um ato falho, ou de alguém que é meio apegado à mãe.

Complexo de Édipo. Negação. Id, ego e superego. Libido. Retenção anal. Mecanismo de defesa. Símbolo fálico. Projeção. Não é só a terminologia de Freud que se espalhou pelo léxico popular – o próprio nome Freud virou um adjetivo.

Nenhum outro intelectual do século 20 pode competir com Freud. Nem o filósofo Jean-Paul Sartre, nem o físico Albert Einstein.

Críticos de cinema raramente citam o filósofo Michel Foucault ou a escritora existencialista Simone de Beauvoir. Mas todo mundo sabe – ou pelo menos pensa que sabe – o que você está querendo dizer quando menciona Freud. O inconsciente. Repressão sexual. Sonhos. Problemas com mãe e pai.

“Você não precisa ler Freud para viver em um mundo onde Freud é importante – ou para pensar de forma freudiana”, diz Stefan Marianski, do Freud Museum, em Londres.

Basta consumir cultura popular produzida a partir de meados do século 20.

Freud escrevia muito bem e ilustrou seus livros sobre psicanálise com referências ao trabalho de grandes artistas, entre eles William Shakespeare, Fiódor Dostoiévski e Leonardo da Vinci.

No entanto, para o psicólogo Oliver James, autor do livro Love Bombing, “a razão pela qual Freud se tornou uma figura tão importante na nossa cultura é que ele foi trazido para a cultura popular pelo cinema”.

Começando em 1945, com o suspense inspirado na psicanálise Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, a história do cinema está repleta de referências a Freud.

Talvez o diretor que mais tenha contribuído para a disseminação de frases e conceitos freudianos seja o norte-americano Woody Allen.

No início do filme Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), por exemplo, ele diz: “Nunca tive uma fase de latência”. (O termo “fase de latência” é usado por Freud para descrever um intervalo no desenvolvimento da sexualidade infantil, geralmente identificada entre os seis e dez anos de idade.)

O pensamento freudiano também pode ser identificado no relacionamento entre pai e filho em Guerra nas Estrelas: O Império Contra-ataca e em De Volta para o Futuro.

O filme “é basicamente o complexo de Édipo”, diz Marianski. “Na verdade, a lógica de De Volta para o Futuro é a mesma de Psicose“.

Depois, você tem os romances de de Virginia Woolf e James Joyce, que usam uma técnica literária baseada no conceito freudiano de fluxo de consciência. Salvador Dali e os surrealistas. Os Sopranos e Frasier.

Também o filme Um Método Perigoso, de 2011, estrelado por Viggo Mortensen, no papel de Freud. Ou qualquer outro filme envolvendo lembranças reprimidas, sonhos ou uma personagem com impulsos incestuosos.

Vale dizer que muitas dessas ideias não são uma representação fiel, no sentido acadêmico, do pensamento de Freud. A distância entre o Freud de boteco e aquilo que Freud realmente disse tende a ser grande.

Muito do que Freud pensava – especialmente no que diz respeito à sexualidade infantil – era considerado, no tempo em que ele era vivo, radical e perigoso. Os aspectos mais difíceis de seu trabalho raramente eram discutidos pela mídia.

“Acho que a maioria de nós tem apenas uma vaga – e talvez defensivamente vaga – noção do que Freud está realmente dizendo”, diz o acadêmico Nicholas Ray, que ensina Freud na Leeds University.

“Até porque, na cultura popular o trabalho dele com frequência é diluído, para que se torne mais palatável, para reduzir sua complexidade – e sua dificuldade – e para transformá-lo em uma fantasia aconchegante e tranquilizadora”.

Ou seja, no final do filme, a lembrança reprimida é recuperada, a heroína adquire o auto-conhecimento e a audiência ganha um final satisfatório.

Freud pode ser incompreendido e suas ideias representadas de forma errônea, mas não há como negar que sua obra continua sendo objeto de fascínio.

Isso é ainda mais impressionante quando se leva em conta que muito do que ele escreveu foi suplantado por pesquisas posteriores.

E que, em certos círculos acadêmicos, suas teorias foram ferozmente atacadas – especialmente por feministas, que consideram conceitos como a “inveja do pênis” misóginos, e acusam Freud de ignorar evidências de que alguns de seus pacientes haviam sofrido abuso na infância.

Freud ainda tem seus adeptos – entre eles, o psicólogo e escritor britânico Oliver James, que diz que suas teorias sobre sonhos, o inconsciente e a influência dos primeiros anos de vida na formação de um indivíduo ainda são válidas.

Marianski, do Freud Museum, admite, no entanto, que Freud “é lido hoje principalmente em departamentos de humanidades”.

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Sigmund Freud 1856-1939

Neurologista austríaco e fundador da psicanálise, tido como um dos mais influentes – e polêmicos – pensadores do Século 20.

Nascido em Freiberg, Morávia (hoje Pribor, na República Tcheca)

Sua família se mudou para Leipzig e depois para Viena, onde Freud estudou medicina

Desenvolveu uma teoria segundo a qual o ser humano possui duas pulsões inatas, a sexual e a de morte. Essas duas pulsões opõem-se ao ideal da sociedade e, por isso, precisam ser controladas através da educação. A situação de não poder dar vazão a essa energia gera no indivíduo um estado de tensão interna que necessita ser resolvido.

Sua obra mais importante, A Interpretação dos Sonhos, foi publicado em 1900. Nele, sonhos são explicados em termos de desejos e experiências inconscientes

Em 1923, ele publicou O Ego e o Id, propondo um novo modelo estrutural para a mente humana, dividido entre o “id”, o “ego” e o “superego”

Em 1938, logo após a anexação da Áustria pelos nazistas, Freud partiu de Viena para Londres, onde morreu no ano seguinte.

Fonte: BBC History

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Termos Freudianos

O inconsciente: Freud dizia que muito do que pensamos está “escondido” da nossa mente consciente e guardado no inconsciente. Desejos proibidos, pensamentos inaceitáveis podem escapar de forma distorcida por meio de sonhos e “atos falhos” ou “lapsos freudianos”.

Complexo de Édipo: Termo freudiano para o intrincado conjunto de emoções que ocorrem entre filhos e seus pais. O nome foi tirado da tragédia grega escrita por Sófocles, na qual o personagem central, sem saber, mata o pai e se casa com a mãe.

Id, ego e super-ego: Segundo a teoria de Freud, a mente humana está dividida entre id (impulsos e apetites instintivos), o superego (que cumpre um papel crítico e moralizador) e o ego (que busca alcançar um equilíbrio entre os dois).

Fonte: The Freud Museum

Não é por aí

Publicado: quarta-feira, 9 julho, 2014 em psicanálise

_ E então, o que te traz aqui?

_ Quero ser psicanalista.

_ Olha! Que interessante! Mas o que te faz buscar uma análise?

_ Foi o que eu disse: eu vim porque quero ser um psicanalista.

_ Sim! Você já disse. Mas do quê você sofre?

_ Eu?!? De nada!

_ Então vamos fazer o seguinte: me procure quando você quiser ser um analisando.

 

Querer ser psicanalista não pode ser a causa de uma análise, mas somente efeito de uma.

 

“Ia dizendo

Não é por aí

O caminho mais curto

Acaba logo ali,

Acaba logo ali.

Acontece que algum gesto ainda não foi feito”

Não é por aí – Itamar Assumpção

Yes! Nós sempre tivemos bananas!

Publicado: quarta-feira, 30 abril, 2014 em psicanálise

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Não adianta querer fazer eco do inédito de um ato.
O ato é Real e no tempo de um instante.
O ato foi o que o jogador fez ao comer a banana.
O resto é picadeiro!
Todos são Hucks de uma maneira ou de outra.

Já compôs Lenine e cantou Zélia: “Pré Pós Tudo Bossa Band!
Todo o mundo quer ser da hora.
Tem nego sambando com o ego de fora.
Não sei mas tô dizendo amém.
Tá cego mas tá guiando alguém.
Tá guiando alguém? Eu heim!”

#YesNosSempreTivemosBananas

Série documental “Coisas Intangíveis”

Publicado: sábado, 12 abril, 2014 em psicanálise

Tive o prazer de ser convidada pela Érika Xavier da Panorâmica Comunicação para participar da série documental “Coisas Intangíveis” que será veiculada pelo Canal Curta (Net 56; GVT 83; Claro TV 69; Oi TV 76; Vivo TV 654).

Esta série abordará de forma lúdica a partir de diferentes olhares temas que inspiram e fazem refletir. Com duração de 50 minutos, cada episódio abordará um tema. Minha contribuição fará parte de 2 episódios, cujos temas serão SAUDADE e SONHOS. Marco Antonio de Carvalho é quem dirige esse documentário genial.

Vão somar ao documentário também o incrível Paulinho Moska e poeta Elisa Lucinda.

A gravação ocorreu na última semana no lindo Jardim do Palácio do Catete no Rio de Janeiro.

Um pouquinho do que rolou na gravação:

 

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Azul é a cor mais quente

Publicado: domingo, 6 abril, 2014 em psicanálise

(La Vie d`Adèle ou Blue is the warmest color)

blueisthewarmest O título do filme já nos provoca a duvidar do óbvio. Assim como sempre se soube que azul é uma cor fria, na sinopse lemos que Adèle (Adèle Exarchopoulos), aos 15 anos, não possuía dúvidas quanto ao fato de que meninas se relacionavam com meninos.

Vale lembrar como nós, psicanalistas, sabemos bem como Freud comeu mosca no caso Dora por contar com o pré conceito de que o desejo de uma mulher seria claramente dirigido a um homem.

Voltando ao filme: quando Adèle se depara com Emma (Léa Seydoux), uma mulher de cabelos tingidos de azul, abraçada a uma outra mulher atravessando a rua, passa a viver no extremo da excitação de uma descoberta de que há desejo onde menos imaginava.

O filme provocou intenso interesse quando fez sua estreia no Brasil em dezembro último (2013), muito por conta das cenas de sexo que chegam a durar aproximadamente 10 minutos e que eram a aposta de matar a curiosidade do que seria o sexo entre duas mulheres.

De fato, são cenas inovadoras no cinema. Julgo de menos importância a função das cenas de confirmar ou negar a forma como duas mulheres se encontram na cama – houve quem dissesse que eram bastante realistas, outros que eram justamente o contrário: completamente fora da realidade – e também não vou me meter a discursar sobre as posturas moralistas dos – pasmem! – brasileiros do ‘samba, suor e cerveja’ de que se trataria de um excesso desnecessário de pura pornografia. Mas o que vi foi uma belíssima e bem contada história de amor. Bem contada porque está tudo ali nos incontáveis closes da protagonista: a surpresa, o arrebatamento, os olhares, o interrogatório cruel e crítico dos amigos, a paixão, as dificuldades e encantamento de se viver a dois, a entrega desenfreada, o amor!

A fome de quem está em plena descoberta de prazer também é sublinhada pelas cenas em que a protagonista literalmente se lambuza ao comer macarronada sem o menor pudor.

Em certo momento, Adèle declara em uma conversa com um amigo “falta alguma coisa em mim…” Em uma análise, esta frase está implícita em toda queixa neurótica. Só é possível amar assim, reconhecendo que algo nos falta. Lacan vai dizer que o amor vem em suplência à relação sexual que não existe. As relações sexuais existem de muitas maneiras, sabe-se disso! Mas a não existência que Lacan quer afirmar é a da complementaridade entre os sexos.

Uma bela história de amor entre duas mulheres como a contada no filme denuncia o quanto é equivocado os homens acreditarem possuir o falo e com isso ainda apostarem que tem o que deseja uma mulher. A mulher está a um passo adiante do homem, pois sabe que não o tem e é preciso reinventar sempre uma forma de tentar da conta desta falta. Na relação entre duas mulheres, a reinvenção está na ordem do dia!

Todos comprovamos nas relações amorosas que o amor não basta para da conta desta falta existencial. Mas é a melhor invenção do ser humano. Independente do sexo e da escolha objetal.

Um filme perturbadoramente sensível. Indispensável para, como dito no início, duvidar do óbvio.

Vamos retomar o diálogo neste espaço?

Publicado: sábado, 5 abril, 2014 em psicanálise

Com o boom das redes sociais, acabei por abandonar um pouco o espaço do blog. Voltei por aqui apenas por ocasião do III Simpósio de Psicanálise de Niterói que ocorreu no ano passado.

Mas comecei a sentir falta das postagens mais fixadas e de fácil acesso. Algo que não ocorre no Facebook e no Twitter onde há um sem número de postagens rolando sem que seja possível acompanhar como muitos gostariam.

O blog, desde 2007, me deu a oportunidade de receber visitas de pessoas interessadas em psicanálise, um público mais direcionado. Fui alimentada por  e-mails, presenças nos grupos de estudo, cursos e Simpósios e por contatos profissionais importantes.

Portanto, comunico que retorno a este veículo de comunicação com força total. Vou mesclar postagens que foram feitas apenas no Facebook ao longo deste tempo e com postagens atuais.

E, claro, dicas de livros e filmes que interessam na discussão psicanalítica

 

Conto com a visita e a participação dos que chegam aqui causados pela psicanálise!

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ATENÇÃO!!!!!

AS VAGAS PARA O III SIMPÓSIO SE ENCERRARAM!

– Porém, há quem NÃO tenha entrado em contato para conferir a disponibilidade de vagas NO DIA de efetuar o depósito. O que resulta em pagamento sem possibilidade da inscrição ser efetuada!

– Há 3 depósitos efetuados (a tempo) que não se identificaram através do canal oficial de inscrições: (simposiodepsicanalisedeniteroi@gmail.com) . É preciso fazê-lo o mais breve possível (enviando o comprovante de depósito com nome, telefone e mail) ! Pois temos lista de espera! Não gostaríamos de prejudicar pessoas que têm interesse, e têm tentado fazer a inscrição de forma adequada.

Todos os inscritos que se identificaram através do mail oficial do simpósio receberam a confirmação de inscrição. Estes estão devidamente inscritos.

Aguardamos os contatos. Obrigada!

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Últimas vagas para o III Simpósio de Psicanálise

Publicado: domingo, 1 setembro, 2013 em psicanálise

A 27 dias do III Simpósio de Psicanálise de Niterói, restam apenas 15 vagas!

 

inscrições:

simposiodepsicanalisedeniteroi@gmail.com

simposiodepsicanalise.blogspot.com.br

 

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O III Simpósio de psicanálise de Niterói tem como tema “A psicanálise, ainda? Clínica e contemporaneidade”, e se propõe a questionar se há lugar e qual para a psicanálise na atualidade. Bem como discutir os sintomas ditos contemporâneos, a questão do manejo da transferência em um mundo de urgência e tecnológico, entre tantas outras questões.

Há muitos livros nas prateleiras de psicanálise das livrarias brasileiras com conteúdo riquíssimo para a nossa discussão. Vou dar dicas de leituras para apimentar nossas produções no evento.

 

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Livro – Por que a psicanálise? – Elisabeth Roudinesco

 

 

A autora, psicanalista francesa, escreve de forma acessível o por que da escolha pela psicanálise em detrimento das psicoterapias. Por que a psicanálise possui uma eficácia para a vida e não momentânea. Livro que que todo interessado em psicanálise deveria ter na estante.

 

* Clicando na imagem do livro você será direcionado para o site do Submarino

 

ACOMPANHEM O BLOG DO EVENTO

III Simpósio de psicanálise de Niterói: A psicanálise, ainda? Clínica  contemporaneidade

http://www.simposiodepsicanalisedeniteroi.blogspot.com.br

O III Simpósio de psicanálise de Niterói tem como tema “A psicanálise, ainda? Clínica e contemporaneidade”, e se propõe a questionar se há lugar e qual para a psicanálise na atualidade. Bem como discutir os sintomas ditos contemporâneos, a questão do manejo da transferência em um mundo de urgência e tecnológico, entre tantas outras questões.

 

Há muitos livros nas prateleiras de psicanálise das livrarias brasileiras com conteúdo riquíssimo para a nossa discussão. Vou dar dicas de leituras para apimentar nossas produções no evento.

 

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Livro – O Desejo Contrariado – Robert Levy

“Polêmico, este livro parecerá apenas como acréscimo. A psicanálise tem um inimigo: a religião , escandalosa equivalência cuja definição Lacan havia dado.
Doravante, o texto de Lacan, com frequência percebido como legado do pai morto, mais que como a letra viva a ser transmitida, se resolvesse como ideologia ou como logomaquia escolástica. Este livro nada mais é, portanto, que uma operação de desnudamento, de desobstrução da estrutura do sentido que tolhe a transmissão da psicanálise, com o que isso faz sobressair como possibilidade de leitura nova do texto, texto do analisante, texto da história deste século. Então, serão expostos a crítica, sucessivamente e num escândalo mantido, diversos -ismos que, de modo algum, a psicnálise tem por missão aceitar ou agregar: um certo lacanismo que se tornou pronto-pra-não-pensar, o institucionalismo das instituições psicanalíticas, um certo feminismo, sonho de integração das mulheres, um judaísmo que está perdendo sua língua. Isso não se dará sem que, igualmente, nos últimos capítulos, seja questionado o Mal-estar na civilização.”

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III Simpósio de psicanálise de Niterói: A psicanálise, ainda? Clínica  contemporaneidade

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O III Simpósio de psicanálise de Niterói tem como tema “A psicanálise, ainda? Clínica e contemporaneidade”, e se propõe a questionar se há lugar e qual para a psicanálise na atualidade. Bem como discutir os sintomas ditos contemporâneos, a questão do manejo da transferência em um mundo de urgência e tecnológico, entre tantas outras questões.

 

 

 

Há muitos livros nas prateleiras de psicanálise das livrarias brasileiras com conteúdo riquíssimo para a nossa discussão. Vou dar dicas de leituras para apimentar nossas produções no evento.

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Livro – Psicanálise, o que ela pode fazer por você – Lenilson Ferreira

 

Neste livro, o psicanalista Lenilson Ferreira nos convida a desvendar um pouco mais o vasto mundo da Psicanálise.
Para que ela serve? Como é uma sessão de análise? Quando procurar um psicanalista? Deitar ou não no divã? Essas são algumas das questões respondidas neste livro numa linguagem leve e didática.
Utilizando exemplos de alguns pacientes, o autor nos explica como o tratamento psicanalítico pode nos ajudar – e muito – a vencer obstáculos.

 

 

 

* Clicando na imagem do livro você será direcionado para o site do Submarino