Arquivo de fevereiro, 2008

V ENCONTRO DA INTERNACIONAL DOS FÓRUNS Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – 05 e 06 de Julho de 2008 – São Paulo

com o tema: OS TEMPOS DO SUJEITO DO INCONSCIENTE – A psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise. Maiores informações: http://www.campolacaniano.com.br/

DESTAQUE – grupo de estudos Neurose Obsessiva

Publicado: terça-feira, 26 fevereiro, 2008 em desejo, estudo, Freud, Lacan, psicanálise, sujeito

 

Inicio citando Freud em A disposição à neurose obsessiva: ‘O problema de saber por que e como uma pessoa pode ficar doente de uma neurose acha-se certamente entre aqueles aos quais a psicanálise deveria oferecer uma solução, mas provavelmente será preciso encontrar solução para outro problema, mais restrito – a saber, por que é que esta ou aquela pessoa tem de cair enferma de uma neurose específica e de nenhuma outra? Este é o problema da escolha da neurose.’

No que tange a uma diferença que tem efeitos de estrutura, devemos nos atentar ao 2º tempo do Édipo, estabelecido por Lacan como a Metáfora Paterna. Neste tempo, fica claro que o pai não castra a mãe de uma coisa que ela não tem. Mas a intervenção do pai tem valor de privação. Ao fato do pai privar a mãe do objeto do seu desejo, o sujeito – que seria o objeto em questão – precisar assumir e aceitar tal acontecimento para que a conseqüência seja uma neurose.

 

O neurótico obsessivo é aquele que, até assume e aceita essa privação, mas estabelece uma certa fixidez neste 2º tempo – embora não se trate de ficar aí porque ele efetivamente passa para o 3º tempo. Esta fixidez implica em manter algo. E o que o sujeito obsessivo mantém é a identificação ao falo.

           O oblatividade do obsessivo, de querer ser tudo para o outro tem origem neste nível. O obsessivo é aquele que fica colado ao objeto. A questão que fica para ele é a de ser ou não ser o falo. Ele se oferece como sendo o falo para o outro.

Com tudo isso, é preciso destacar que o falo intervém como significante na evolução edipiana. Ele tem valor de significante privilegiado, significante da falta. O sujeito histérico é aquele que parece estar mais ‘avançado’ que o obsessivo porque ele percebe logo que o objeto é causa de desejo -, ao passo que o obsessivo fica na crença de que o objeto é objeto de desejo.

Lacan dá um exemplo, em seu 5º seminário, a respeito da criança que irá tornar-se um obsessivo. Ela pede uma caixinha, de uma forma tão insistente e intolerável para quem é direcionado esse pedido, que com com que se diga que esta criança tem idéias fixas. E essa idéia fixa se difere das demandas de outras crianças, porque esta caráter de condição absoluta. Não há o para além do objeto. É ele e apenas ele. O objeto é o próprio desejo.

Lacan, ainda no 5º seminário, diz: ‘A histérica encontra o apoio de seu desejo na identificação com o outro imaginário. O que faz as vezes e exerce a função disso no obsessivo é um objeto, que é sempre – sob forma velada, sem dúvida, mas identificável – redutível ao significante falo.’

Sabe-se que a estrutura não se trata do real anatômico, e sim do discurso, fundado pela lógica fálica. O significante do falo é o significante da relação do sujeito com o significado. E isso se manifesta na fantasia – que Lacan aponta como o ‘imaginário aprisionado num certo uso do significante’ -, pois há algo na fantasia do obsessivo que se difere da identificação histérica.

terças – às 19:00 / Icaraí  – Niterói

Flávia Albuquerque – psicanalista

 (21) 9792-8326   fmaa@uol.com.br

Seminário de Charles Melman – psicanalista francês, dias 25 e 26 de Abril de 2008 no Hotel Glória. Uma realização do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica.

Segue o texto do psicanalista para divulgação do evento:

‘Não podemos dizer que os psicanalistas estejam à vontade com a questão da ética. Assim, suas sociedade se constituem freqüentemente à imagem de todos os grupos humanos: dominadas pela rivalidade e pela agressividade, pela vontade de afirmar sua mestria, de submeter os outros a uma autoridade dogmática, em resumo, de reparar, pelo fechamento do funcionamento social, a abertura da ordem significante à qual eles se referem, quando a interpretação sistemática não vem, ela mesma, também fechá-la.

Freud não tinha em boa conta seus alunos. Lacan também não.

O único problema que deveria atormentar a terceira geração seria o de resolver a questão de sua ética. Não para ser <belo, bom ou justo>, mas, mais exatamente, para ser psicanalista.

Vamos começar?’

Informações e inscrições: Tempo Freudiano 3472-5624

musicalmente falando

Publicado: terça-feira, 19 fevereiro, 2008 em desejo, psicanálise, sujeito

PARADEIRO

Haverá paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de um vício?
Uns preferem dinheiro, outros querem um passeio perto do precipício.
Haverá paraíso sem perder o juízo e sem morrer?
Haverá pára-raio para o nosso desmaio num momento preciso?
Uns vão de pára-quedas, outros juntam moedas antes do prejuízo.
Num momento propício haverá paradeiro para isso?
Haverá paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de nós

Arnaldo Antunes

Para o sujeito neurótico, não haverá paradeiro. O desejo desliza nos objetos eleitos, mas jamais estaciona. O desejo insatisfeito da histérica e o desejo impossível do obsessivo apontam para a luta incessante do neurótico para manter a faltar e continuar desejando, desejando…