Arquivo de abril, 2008

 

postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br ou fmaa@uol.com.br

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A Casa do Saber do Rio oferece o curso: O AMOR À MESA – O Banquete de Platão. Com Alexande Costa, professor de Estética e Teoria da Arte no Instituto de Artes da UERJ. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e doutorando da Universidade de Osnabrueck, Alemanha.

“O curso vai analisar os vários discursos sobre o amor expostos no diálogo “O banquete”, de Platão, cada um deles responsável por uma abordagem e uma perspectiva específicas, propiciando uma reflexão sobre diversos temas relacionados ao amor: o amor e a beleza; o amor e o apetite sexual; o amor e a medicina; o amor e a complementaridade entre o feminino e o masculino; o amor como divindade e o amor como desejo de conhecimento. “

Início: 19 MAI
Duração: 6 encontros
Dias/horários: Segundas-Feiras, às 17h (19/05, 26/05, 02/06, 09/06, 16/06, 23/06)

19 MAI | 1. INTRODUÇÃO AO DIÁLOGO BANQUETE
Contexto geral e apresentação do tema. O amor e a beleza. Primeiro discurso, Fedro: o primado e a excelência de Eros e seu caráter divino. A genealogia mítica do amor.

26 MAI | 2. PAUSÂNIAS E A DUPLA TIPOLOGIA AMOROSA
O amor vulgar e a satisfação do apetite sensual do homem em contraste com o amor que promove o bem do amado. Amor e liberdade. O amor como orientação à virtude.

02 JUN | 3. ERIXÍMACO E O OLHAR NATURALISTA DA MEDICINA
O amor como potência motora da natureza. Amor e harmonia, medicina e música. A concessão ao prazer consoante a medida: o amor deve promover o bem, não a corrupção.

09 JUN | 4. ARISTÓFANES: AMOR E COMPLEMETARIDADE
O masculino e o feminino. A distinção sexual e a unidade amorosa. A interdependência entre a parte e o todo.

16 JUN | 5. AGATÃO: O RETORNO AO EROS MÍTICO
A identidade entre o amor e o belo. O amor como o “lugar” de todas as virtudes, o maior e melhor dos deuses.

23 JUN | 6. SÓCRATES E DIOTIMA, O AMOR COMO AGENTE EDUCATIVO
A aspiração à verdade. O amor como desejo de conhecimento (filosofia) e orientação afetiva para o belo, o bom e o justo. A atitude do filósofo.

 

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: 

Tel.: (21) 2227-2237 ou inforio@casadosaber.com.br 

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Reportagem de 07 de Fevereiro de 2008 do Semanário de Portugal a respeito da célebre frase de Freud: “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” (português de Portugal)

 “Numa conferência nos EUA, em 1909, Freud terá comentado com Jung, a propósito da psicanálise, que “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” O SEMANÁRIO questionou vários psicanalistas sobre a veracidade destas palavras e o sentido que Freud lhe quis dar. Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Celeste Malpique, Eurico Figueiredo, Eduardo Sá, Jaime Milheiro, João Seabra Diniz e Rui Coelho deram as suas opiniões.

Coimbra de Matos: “As ideias de Freud abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa”
“O termo ‘peste’ deve ser interpretado em sentido metafórico – as ideias de Freud eram, efectivamente, revolucionárias e abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa.”

Carlos Amaral Dias: “A ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma ‘peste’ que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.”
Tudo indica que Freud terá proferido o comentário em epígrafe ou pelo menos, algo muito semelhante.
Considero particularmente feliz a metáfora, já que a ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma “peste” que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.

Celeste Malpique: “Notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva.”
Freud fez realmente esse comentário quando em 1909 visitou os USA a convite de Stanley Hall,da Univ. de Clark em Worcester.Foi muito bem acolhido,fez conferências muito claras e interessantes e sentiu-se aceite ,o que não acontecia no meio científico europeu.Bom observador ,como era ,notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva,e que também ali, surgiriam resistências.Como se veio a verificar na divulgação da Teoria e numa certa superficialidade e deturpação do método psicanalítico.

Eurico Figueiredo: “Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja ‘peste’.”
A pergunta, para evitar o problema da sua veracidade, poderá ser feita pelo Sr Director: “Trouxe a psicanálise a peste ao mundo?” A minha resposta é de modo nenhum: a Psicanálise é uma prática que aumenta a liberdade do analisando libertando-o de repetir comportamentos que resultaram de uma aprendizagem empobrecedora. Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja “peste”.

Jaime Milheiro: “O puritanismo americano foi certamente um despertador para tal expressão.”
Trata-se de uma excelente metáfora, perfeitamente compreensível na inteligência de Freud. O puritanismo americano, mais vincado na altura do que no momento presente, foi certamente um despertador para tal expressão em tal sítio, embora a sua “peste” tenha valor universal.

João Seabra Diniz: “Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste.”
Admito que Freud pudesse ter feito este comentário. Estava, desde há anos, empenhado no estudo do funcionamento do psiquismo humano. A investigação dos processos psíquicos inconscientes, bem como a descoberta da sexualidade infantil representavam elementos de grande novidade que tinham mesmo provocado escândalo. As suas concepções vinham obrigar a uma profunda revisão da imagem tradicional do homem como ser pensante, determinado por motivos racionais, e da ideia idílica que se fazia da infância e da inocência que lhe era atribuída. A grande obra que é a ‘Interpretação dos Sonhos’ é de 1900. Os ‘Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade’ são de 1905. Quando em 1909 teria proferido esta frase, tinha já ampla e dura experiência de que as suas ideias, por inovadoras e brilhantes que fossem, não só não despertavam entusiasmo mas provocavam em muitos rejeição indignada. Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste. Se de facto proferiu esta frase, a ironia que ela contem parece-me traduzir este sentimento.”

Rui Coelho: “O papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.”
Penso que o termo “peste” foi empregue em sentido metafórico; isto é, o pensamento de Freud, em 1909, era praticamente desconhecido nos EUA e as cinco palestras proferidas em alemão, então, a convite do reitor da Clark University, Stanley Hall, foram posteriormente traduzidas por H. W. Chase como “The Origin and Development of Psychoanalysis” e publicadas no American Journal of Psychology, XXI: 2, 3 (1910). Assim, toda a valorização já então referida pela investigação psicanalítica acerca das relações precoces (mãe/pai/bebé) e do papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.

Eduardo Sá: “Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada”
Terá proferido. Mas devemos contextualizá-lo. Freud estaria a falar de um modo metafórico. Isto quer dizer que, num mundo onde a intimidade e a subjectividade humanas pareciam ser descartáveis, chamar a atenção para os componentes animais de algumas das nossas reacções ou para a nossa competência para pensarmos, muito para além da nossa intenção para o fazermos, era – naquela altura como hoje – uma espécie de peste. Responsabilizava-nos mais como pessoas, mobilizava-nos para a autenticidade e alertava-nos para a prevalência das nossas relações significativas (quer no sentido da saúde como no do adoecer psíquicos).
Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada.”

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Estou mais uma vez aqui!

Foi uma excelente oportunidade para os que estiveram no Hotel Glória, no Rio, neste último fim de semana (25 e 26 de Abril de 2008) por conta do evento oferecido pelo Tempo Freudiano: O que é que ele quer, o psicanalista?. Com uma pontualidade britânica, o incansável psicanalista francês Charles Melman – 76 anos, colaborador direto de Jacques Lacan, trabalhou a questão da ética. Vale ressaltar o constante apoio de Antônio Carlos Rocha – membro fundador do Tempo Freudiano – e o trabalho árduo e bem feito dos tradutores presentes à mesa possibilitando a riqueza dos lapsos e atos falhos.

Ele lembrou, obviamente, de uma das máximas de Lacan a respeito da ética: ‘não ceder quanto a seu desejo’ pontuando que não há a ‘boa resposta’ e que o ‘animal humano deve renunciar ao que seria uma satisfação para sustentar a incerteza de seu gesto’ (Melman).

A seguir, alguns dos que considerei os ponstos altos de sua fala*:

‘ Quando um menino se interessa por uma menina, ela tem duas respostas a oferecer: ou não quer que o outro se interesse por ela, ou a maneira como ele se interessa é inadequada. Há um não saber a respeito da boa posição dentro de uma relação.’

‘ Há uma sabedoria que se refere à religião e a moral que não tem nada a ver com a Psicanálise. Seria conveniente aceitar nossa própria condição humana: nós não podemos atingir nem a felicidade e nem o bem. Não há resposta para a questão da felicidade e do bem.’ 

‘ O que vinha dominar na escola de Lacan era sua ética. A ética de Lacan era exatamente a mesma de Freud, dizer as coisas como elas são, dizer o que há. O psicanalista se interessa pelo desejo.’

‘ A satisfação das necessidades não é muito simples. Por conta da relação com o desejo. A demanda transborda com a questão de sempre querer mais.’

‘ O enigma da psicanálise não se faz de um saber mas um de um questionamento ao saber. Um saber que lida com o real, com a impossibilidade do saber. É o problema da diferença da psicologia e da psicanálise.’

‘A psicanálise enquanto não-ciência: aquilo que a psicanálise busca não é suprimir o impossível, mas deslocá-lo. Por exemplo, a fórmula lacaniana: não há relação sexual. Uma das interrogações de Lacan era: será que que podemos deslocar o impossível de tal modo que a insatisfação da sexualidade fosse resolvida? (…) A ciência foraclui o sujeito, já a psicanálise inclui o sujeito nos seus cálculos. (…) O cientista não se interessa pela verdade, se interessa pelo modelo. É extraordinário que a seja a psicanálise que nessa ocasião possa vir a sublinhar o que é a verdade do sujeito.’

‘ Com essa pergunta ao Outro que se mantém sem resposta: o quê é o bom objeto do desejo? temos como resposta: o objeto que você escolheu na sua fantasia e que faz a lei do seu desejo.’

‘Lacan diz que a ética da psicanálise é a de não ceder quanto a seu desejo, isto é, não aceitar os sintomas da neurose. A sintomatologia do homem moderno é seu temor de estar perto demais do objeto do seu desejo. O neurótico mantém a nostalgia daquilo que seria sua felicidade, se cercando de proteção contra o objeto esperado.’

*é importante ressaltar que faz parte de minhas anotações a partir da tradução do evento, portanto não é a transcrição oficial do mesmo

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Contardo Calligaris
Psicanalista

 

A análise do mundo e da vida contemporânea

 

Sexo, violência, casamento, adolescência, política e conflitos culturais

A sociedade vive a expectativa de mudanças sensíveis muito em breve. O aquecimento global obriga a tomada de medidas para impedir o desmatamento, buscar combustíveis menos poluentes e evitar a falta de alimentos. Os atentados de setembro de 2001 provocaram sentimentos de indignação e revolta na população, enquanto outras pessoas comemoraram. A Europa vive uma onda de xenofobia que expõe uma contradição: europeus precisam de imigrantes, mas não conseguem conviver com eles. Os brasileiros compartilham o sentimento de uma nação, mas com a dúvida se todos estão no mesmo barco.

No divã do terapeuta, além das inúmeras colocações do mundo, as dificuldades sentimentais e amorosas se misturam às frustrações e tentativas de juntar os cacos de relações em crise. No extremo do desamor e do desafet o, a violência social e doméstica aterrorizam as pessoas, expondo assassinatos, inclusive com jovens e crianças como vítimas.

Contardo Calligaris reflete e escreve sobre o cotidiano que nos rodeia. Ele considera que se as pessoas pensarem e refletirem mais, elas podem ter uma experiência de vida melhor. Faz suas análises pelo olhar de um estrangeiro ou de um desterrado, como costuma se definir. Nascido em Milão, na Itália, há sessenta anos, está radicado no Brasil há vinte.
Ele escreve uma coluna no jornal Folha de S. Paulo há treze anos e tem publicado centenas de ensaios, crônicas e 11 livros.

Participam como convidados entrevistadores:
Jurandir Freire Costa, psicanalista, escritor e professor de medicina social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Ricardo Kotscho, repórter da revista Brasileiros e do portal IG; Caterina Koltai, socióloga e psicanalista, professora dos programas de graduação e pós-graduação em ciências sociais da PUC de São Paulo; Clóvis Rossi, colunista do jornal Folha de S. Paulo; Eliane Brum, repórter especial da revista Época; Mário Sérgio Cortella, professor-titular do departamento de teologia e ciências da religião da PUC – São Paulo.

Apresentação: Mônica Teixeira

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“No dia seguinte, depois que ele me fez entrar no consultório, decidi não me deitar. Sentei-me, calmo e decidido, na beira do divã. Ele ficou muito surpreso. “O que está acontecendo?
– Desta vez quero lhe falar frente a frente.
– Pois bem, de acordo!”

Ele se sentou diante de mim. Parecia muito emocionado, inquieto talvez. As palavras brotavam da minha boca, cortantes feito uma lâmina, numa total verdade. O que eu disse nesse dia? Uma longa queixa provavelmente, brotada de meu infinito abandono. Ele me escutava no mesmo nível de verdade. Nem ele nem eu gozávamos. Algo da vida e da morte estava em debate.”

Este texto é o relato, quase o romance de uma experiência que transformou radicalmente a vida de seu autor. Em 1969, sendo então engenheiro agrônomo, Gerard Haddad encontra Jacques Lacan e começa com ele uma psicanálise. Essa aventura vai durar onze anos ao longo dos quais se terá operado uma metamorfose. Pela primeira vez, desde Freud, um psicanalista arrisca contar sua própria análise. Ele nos dá aqui um testemunho único sobre a prática tão controvertida de Lacan, ao qual no entanto o autor presta homenagem.

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