Arquivo de junho, 2008

A VI Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP 2008 traz como novidade este ano a interlocução com Psicanálise. A festa acontece entre os dias 02 e 06 de Julho e conta com a presença dos psicanalistas Contardo Calligaris e Elisabeth Roudinesco.

          

Roudinesco estará na quarta-feira, 02 de Julho, às 11:45 na mesa: O Espelho. Em seu último livro, A parte obscura de nós mesmos, a autora interpreta a história da perversidade no Ocidente.

         

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Já Calligaris estará no sábado, 05 de Julho, às 15:00 na mesa: Fábulas Italianas. Em O conto do amor – estréia de Contardo Calligaris no romance – um psicanalista de Nova York vai à Toscana investigar o passado do pai e mergulha no questionamento da própria origem.

          

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Quem não puder comparecer à festa na charmos cidade de Paraty – RJ, pode acompanhar o evento pela internet.

postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br

A Revista Cult deste mês apresenta como carro chefe da edição o Dossiê: A Resistência Intelectual de Jacques Lacan. Pela primeira vez vejo uma revista publicar com real seriedade algo a respeito da Psicanálise e, pela oportunidade, sobre Jacques Lacan. É um exemplar para os psicanalistas e os demais interessados na Psicanálise guardarem.

O Dossiê contém artigos escritos por Vladimir Safatle, Christian Ingo Lenz Dunker, Richard Theisen Simanke, Tania Rivera, Antônio Teixeira e Slavoj Zizek. E ainda conta com um pequeno ‘glossário Lacaniano’ e uma seleção da obra de Jacques Lacan publicada no Brasil.

Vladimir Safatle destaca bem em seu artigo intitulado Confrontar-se com o inumano: “Pois da mesma maneira que é simplesmente impossível entender o século XX com suas promessas utópicas sem apreender o impacto social do pensamento freudiano, talvez seja impossível entender o início do século XXI sem passar por Lacan. Não apenas devido à maneira com que, atualmente, conceitos seus são mobilizados para dar conta de questões maiores no interior da política, da teoria social, da filosofia, da crítica da cultura; mas também devido à maneira com que autores fundamentais para a contemporaneidade, como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Jacques Derrida e, mais recentemente, Alain Badiou, Judith Butler, Ernesto Laclau, Slavoj Zizek construíram suas questões em confrontação e diálogo com Lacan.

Destacam-se os artigos Revolução na Clínica – pela escrita acessível de Christan Dunker; Estética e descentramento do sujeito – onde Antônio Teixeira é pontual na diferença radical da Psicanálise em relação a qualquer outra teoria ou práxis.

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MAIS AO SUL

” A escrita é sempre busca. Ela gira como um espiral em torno de algo que não se sabe. Isso é o que a põe em movimento. Mas a escrita é também encontro. Um encontro com o outro, com o passado, com uma história que não nos pertence inteiramente. ela é um trabalho com a memória, entre recordação e invenção. É aproximação e deslocamento. estranhamento e cumplicidade. Uma forma de genealogia, precária, mas persistente, que insiste em algumas para guiar sua busca.”

QUARTA-FEIRA, 25 de JUNHO, 21:00 horas

Escola Letra Freudiana

Rua Barão de Jaguaripe, 231 – Ipanema – Rio de Janeiro – RJ

(21) 2522-3877

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21 de Junho de 2008

09:00

Auditório do Campus Marumby da Faculdade Dom Bosco

CURITIBA – PR

 A Psicanalista Lucianne Sant’Anna de Menezes lançou esta semana o livro Desamparo.

O livro promove reflexões sobre temas fundamentais da metapsicologia freudiana e da clínica atual. São inquietações a respeito de uma situação emocional marcante em vários analisantes, tanto em homens como em mulheres. De uma maneira geral, são abordados temas da clínica psicanalítica contemporânea, como o desamparo terrífico, que é um efeito da experiência de impotência ou desamparo elevada a um ponto radical” explicou a autora à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Sâo Paulo.

Em tempo: O grupo de estudo que ministro, há 1 mês, em parceria com a Psicanalista Fernanda Pimentel, Sintomas Contemporâneos: um estudo psicanalítico tem demonstrado essa necessidade de um estudo mais criterioso a respeito dos novos sintomas que se apresentam na clínica atualmente. O calor das discussões entre os participantes que se angustiam frente ao sofrimento dilacerante dos pacientes evidenciam o longo e produtivo trabalho que temos pelas frente. A quem se interessar, os encontros acontecem todas as quartas, das 19:00 às 20:00 e o investimento é de R$ 15,00 a cada encontro. Maiores informações com Fernanda Pimentel: (21) 8853-6697.

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Com o título: “Não precisa casar. Sozinho é melhor”, o site da Revista Veja veicula esta semana uma entrevista com o Psiquiatra Flávio Gikovate. Num primeiro momento, encarei este título com uma certa desconfiança a respeito do conteúdo que seria encontrado ali partindo do princípio que a imprensa faz alarde do quê e da maneira que bem entende.

Um Gikovate posando com uma expressão de um ceticismo cruel ilustra a entrevista que ao ser lida confirma o chamariz. Bastante curioso e providencial uma matéria on-line sobre o amor (ou a ausência dele) vinculada à Edição da Revista que chega às bancas na véspera do Dia dos Namorados. Ao contrário do que se poderia supor pretender, não me parece que as palavras do Psiquiatra confortem os corações aflitos do solitários de plantão. Pelo contrário! Acaba por arrasar qualquer intenção (e intensão) de uma vida que se inclua o amor. 

Logo ao lado da foto, a citação: “Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver que escolher entre o amor e a individualidade, opte pelo segundo.” O choque não foi suficiente no título. Agora temos uma declaração bombástica de uma conduta terapêutica que serviria à ‘todos’ como se o sujeito pudesse ser visto, escutado e orientado de uma maneira padronizada. Não foi Freud, o pai da Psicanálise, que de uma forma pontual a todo momento em sua obra disse para tomarmos cada caso como único? E ele dizia do lugar de quem descobriu o Inconsciente, descoberta esta que tem valor de uma ferida narcísica por revelar que ‘o ser humano não é senhor de sua própria casa’. Há algo que nos escapa. Não há padrão! 

É claro que o casamento pode não ser uma boa escolha na vida. O que serve a uns, não necessariamente serve a outros. Uma coisa é achar que um caminho é bom, outra coisa é achar que este caminho é o único. Portanto essa constatação não pode nos fazer excluir toda e qualquer possibilidade de uma relação amorosa. É pelo e para o amor que se vive. Sem medo de ser piegas com essa frase, a questão é que: é em referência ao amor ofertado – ou não – por aqueles que cuidaram daquela criança que ela dará todos os passos na sua subjetividade. Sabemos por Lacan que toda demanda, em ultima instância, é demanda de amor. 

Falar por uma via estatística de que apenas 5% de sua clientela que é casada é feliz é colocar cálculo onde ele não cabe. E se coubesse, 5% já seria um dado enganoso, porque ouso dizer que nem 5% o são. Não há felicidade garantida numa relação amorosa, ela se trata de um encontro necessariamente faltoso! Momentos felizes certamente, mas… felicidade?!

Relatando ‘as diferenças’, entre dois que constituem um casal, como as vilãs de um relacionamento não me parece que Gikovate tenha feito uma grande descoberta. E ainda dizer que os solitários ‘levam uma vida serena e sem conflitos’ por ‘resolverem a questão sem ajuda’ mantendo-se ‘ocupados, cultivando bons amigos, lendo um bom livro, indo ao cinema’ me parece auto-ajuda demais! Os ‘acompanhados’ também estão bastante ocupados respondendo a uma exigência de ‘fazer tudo pra ontem’ da modernidade, em chopps com os amigos, lendo maravilhosos livros e freqüentando muito cinema por aí… além de ter um tom a mais na vida com alguém por quem e em quem pensar, se dedicar e compartilhar inclusive os efeitos de toda essa ‘ocupação’. 

Tomar a solidão como a melhor maneira de se viver é anular a própria condição humana que consiste em reconhecer e encarar que algo nos falta. E poder investir num outro como se apostasse que ele tem o que nos completa – não sem se dar conta, até dolorosamente, que isso não é realizável – é delicioso! Dá muito trabalho – é bem verdade! – causa sofrimento, mas é bem mais visceral do que se guardar num mundinho fechado para não ter que se esbarrar com o complicado que é conviver com um outro. 

O amor de filmes, romances e novelas não está com os dias contados, ele é impossível mesmo! Desde sempre e pra sempre. Mas é vital que o sujeito possa realizar algo possível no impossível que é o amor.

 

Portanto, não só hoje (pelo Dia dos Namorados), mas sempre que for viável se permitir, divirta-se em boa companhia!

 

 

 

postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br

 

O site Submarino está com um saldão imperdível: são mais de 10.000 livros a R$10,00 cada. No saldão destacam-se os livros de Psicanálise:

A Força do Desejo: O Âmago da Psicanálise

Guy Rosolato

Jorge Zahar Editora

(tenho e indico!)

 

 

Cultura e Psicanálise

Herbert Marcuse

Paz e Terra Editora

 

 

Dom Casmurro: Escritura e Discurso: Ensaio em Literatura e Psicanálise

Valéria Jacó Monteiro

Hacker Editores

 

 

 

Freud no Divã do Cárcere: Gramsci analisa a Psicanálise

Erasmo Miessa Ruiz

Editora Autores Associados

 

 

 

Freud: Pensamento Vivo

Martin Claret

Editora Martin Claret

 

 

 

Freud: por ele mesmo

Martin Claret

Editora Martin Claret

 

 

 

O Gozo do Trágico: Antígona, Lacan e o Desejo do Analista

Patrick Guyomard

Jorge Zahar Editora

 

 

 

Lacantroças: Duzentas Troças para um Despedida

Gregorio Baremblitt

Editora Rucitec

 

 

 

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