Barbie Girl in a Barbie World

Publicado: quinta-feira, 16 outubro, 2008 em psicanálise

Encotrei 2 excelente posts nos – também excelentes – blogs: Pink Punk, da filósofa Marcia Tiburi, e Significantes, dos psicanalistas Gabriel Kuss e Ana Sesarino.

Marcia escreve:

“Visitei a exposição “Máscaras do Mito” da artista plástica Patrícia Kaufmann que me escreveu por acaso esta semana. A exposição que está na galeria Mônica Filgueiras de São Paulo é delicada e cruel, ao mesmo tempo. Toca na imagem da Barbie (produz uma revista em que a diva desnuda é a boneca numa crítica muito bem calculada à plastificação dos corpos, em que prostituição, publicidade e política tornam-se claras…). Barbie é um dos ícones mais intrometidos na identidade das mulheres desde que veio à luz das lojas de bonecas. Do que falamos ao tratar da identidade das mulheres? Como uma boneca pode se tornar um ícone, como pode apresentar o paradigma da beleza feminina a ponto de ser copiada? Que mal há nisso? Há algum mal? Por que as mulheres buscam com tanta angústia a construção de um corpo que lhes dê a prova de que existem? Serão as mulheres presa fácil de toda simbolização? Por quê? Vale pensar, pensar mais e mais.

 

Moças, cuidem-se, é quase o que nos diz Patrícia Kaufmann sem muita preocupação. Até aquelas que acham que já se conhecem e não precisam provar nada pra ninguém. O fascínio que nos guia não vem de hoje. Toda vigilância para se viver uma vida livre é pouca. Digo livre no sentido de cada uma poder ser dona de si mesma. Senhora de seus gestos e desejos. Cuidemos de nós. Mas cuidemos também das nossas meninas que confiam demais em “olhos azuis” e formas esguias. Que se esforçam demais em ser “modelos”. Elas podem apenas estar imitando o plástico. E nós, descuidando de conversar e mostrar o que, da vida, mais importa.

 

Daí, fiz um vídeozinho para o Saia de Vídeo, cujo texto original abaixo – inspirado na obra da Patrícia Kaufmann, aparece um pouco diferente na Tv.

Só para pensar no que significa fútil. O que se vale das texturas e imagens dos animais, suas peles, suas escamas, brilhos, o que é sedoso, o que seduz…

Te uso pra entender quem eu sou

Não sou nada fora do teu espartilho

Te guardo pra entender o que quero

Eu não quero mais que teus olhos de contas

Te olho para descobrir onde estou

Não vejo além dos teus cabelos de vidro 

Te toco pra encontrar o animal em mim

O que de mim foge

Eu – a ratoeira, a fome

A vontade de comer

Rememoro a natureza perdida

Quando ainda estávamos densos,
 
Inteiros, podíamos respirar

Isso não foi ontem, nem amanhã

Hoje, quando meu corpo é um bicho

E meu sexo a sorte de um encontro selvagem

Aqui, eu imito a vida que não vive 

Camaleão, zebra, tigre, aranha

Cobra, escorpião, vespa… 

Brilho, como um peixe de escamas reluzentes,

lantejoulas baratas,

do fundo do mar eu bordo a minha presa em suas próprias asas

Eu bordo em minha pele de antílope

Pluma de ganso, osso de elefante…

Te espero na esquina…

Por que me encanta tua boca de cera,

teus peitos de plástico,

tua voz emudecida – quantos séculos sem nada a dizer, nada a escutar

meu bem, que direi?

meu amor, tudo o que eu fui trancado no espelho

Tempos de desejo de plástico

É preciso inventar o

Silicone-poesia”

 

 

E, oportunamente, no Significantes encontro:

 

 

 

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