Arquivo de junho, 2009

LEITURANOVATRADUCAO

LIVRO QUE CONTÉM O TEXTO EM NOVA TRADUÇÃO:

VOLUME1FREUDNOVO

Tive a oportunidade e o prazer de estar presente na última sexta-feira, dia 26 de junho, na Universidade Veiga de Almeida – Campus Tijuca, por ocasião do Colóquio sobre HOMOSSEXUALIDADES idealizado por Marco Antonio Coutinho Jorge e Antonio Quinet. A abertura do evento com introdução do tema foi apresentada pelos dois psicanalistas mencionados.

Destaque para os trabalhos de Sonia Alberti e Ana Vicentini.

Lá foram discutidos temas que certamente nortearão os trabalhos do II Simpósio de Psicanálise organizado por mim e pela Psicanalista Fernanda Pimentel em 14 de novembro de 2009.

Abaixo, alguns livros que foram mencionados em trabalhos:

PERVERSAOCOMUM

 

SIDONIE

Twitter – PONTOLACANIANO

Publicado: domingo, 28 junho, 2009 em psicanálise

https://twitter.com/pontolacaniano

 

Há três anos, um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perguntou à psicanalista Maria Rita Kehl como a psicanálise poderia ajudar a militância. Não era a primeira vez que Maria Rita estava palestrando para uma turma de alunos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação e ensino idealizado pelo MST. Ela respondeu que a psicanálise não é uma prática militante, mas que muitos militantes precisariam fazer análise por razões particulares. E explicou:

– A neurose interfere na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância.

Ao contar o episódio, Maria Rita, nome de referência da psicanálise no Brasil, diz que eles entenderam imediatamente o que estava implícito naquelas palavras. E, na saída, dois administradores da escola perguntaram:

– Quando você pode começar?

Na semana seguinte, Maria Rita deu início à experiência sobre a qual debateria hoje, às 9h, no Ritter Hotel, por ocasião da Jornada do Instituto Appoa – Psicanálise e Intervenções Sociais. A cada 15 dias, Maria Rita deixa São Paulo, onde mora, e percorre 60 quilômetros até a ENFF, em Guararema, e lá atende pacientes fixos e outros que estão de passagem. Não cobra pelas sessões, e, se alguém precisar de uma consulta extra em seu consultório, pede somente R$ 15.

– Eles sabem que meu trabalho lá não é por caridade nem por amor pessoal a cada um deles – é a “minha militância”. Este é o valor que eles me dão em troca do trabalho. Levam suas análises muito a sério, como quase todas as escolhas que fizeram.

Maria Rita também leva a sério seus compromissos – só topou dar entrevista desde São Paulo por e-mail (não por telefone) depois de se certificar de que teria tempo em sua agenda para se dedicar à tarefa. O evento de hoje deverá ser o terceiro desde sábado passado, quando estava programada uma conferência sobre seu trabalho junto ao MST na PUCSP. Ontem, faria sua segunda participação na 11ª Jornada da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, com reflexões acerca do masculino e do feminino, e hoje volta ao tema do movimento social na jornada da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, da qual é membro.

Doutora em Psicanálise, a campineira Maria Rita trilhou uma trajetória singular. Cursou Psicologia na USP em tempos de ditadura, trabalhou sete anos como jornalista, fez mestrado sobre televisão, teve um filho quando morava em uma comunidade e só em 1981 começou a atuar como psicanalista – e logo mais poeta e ensaísta. Suas palestras e seus livros transitam por diferentes temas – TV, juvenilização, ressentimento, feminino, ética na psicanálise… – o lançamento mais recente, O Tempo e o Cão – Atualidade das Depressões, teve início a partir de um pequeno incidente a caminho da ENFF, quando, premida pelo tráfego na Via Dutra, Maria Rita viu um cão atravessar a pista mas não pôde evitar bater no animal (que sobreviveu) – travestido de metáfora, o episódio a fez refletir sobre a aceleração da vida e seus efeitos subjetivos.

Neste longo percurso, analisar integrantes do MST e transitar no seio do movimento surge como a oportunidade de descobrir um universo fundado no coletivo e, como ela conta na entrevista a seguir, um privilégio.

Cultura – Para alguém que chega de fora, o que mais lhe chamou atenção no MST como movimento e no trato com seus membros, individualmente? É possível comparar questões que predominam entre os pacientes de seu consultório particular, em São Paulo, e os pacientes que atende na ENFF? As formações do inconsciente não variam muito; lá existem neuróticos como em toda parte. Recebi alguns alcoólatras também, pois este é um dos sintomas mais frequentes, sobretudo entre homens, na sociedade brasileira – e nas classes pobres, mais ainda. O que é muito diverso da minha clínica em São Paulo são as histórias de vida, evidentemente. 100% dos analisandos do MST têm origem pobre, a maioria do meio rural; alguns, os mais jovens sobretudo, já vieram das periferias das cidades, onde, além da pobreza, conheceram muita violência. São histórias de vida que implicam maior sofrimento real, mas os sintomas que se formam a partir da experiência traumática não variam muito. Trata-se, sempre, de tentar escutar as pistas que indiquem o que está recalcado e fazer com que a pessoa também se escute e questione o que diz, de modo a encontrar pistas que a orientem na via de seu desejo.

Maria Rita Kehl

O que mais diverge da minha experiência com a clínica em São Paulo é que no MST não percebo, entre as queixas e indagações dos sujeitos, a prevalência do imaginário romântico-sentimental (inclusive no que diz respeito à demanda de amor, na transferência). Não é no amor que eles buscam indicadores de seu valor para o Outro – é na “luta”. As histórias de sofrimento familiar, ou conjugal, raramente se centram nas demandas de amor não-correspondidas, endereçadas ao pai, mãe, esposa/esposo. Não escuto essa queixa de que o pai ou a mãe gostava mais do irmão/da irmã/ se me ama/ se não me ama etc. Não que a questão do valor do sujeito para o Outro não exista, mas, curiosamente, não passa tanto pelas relações amorosas e familiares nem pela demanda de amor ao analista.

Cultura – Os movimentos sociais se fundam na noção do coletivo. Esta questão transparece de alguma forma quando um membro do MST está no divã? Aparece, sim, nas queixas frequentes de que o trabalho grupal, muito exigente, deixa pouca margem para os chamados “cuidados de si” – lazer, namoro, leituras, passeios, descanso. Mas não é difícil fazer com que eles percebam que o excesso de dedicação à “causa” coletiva pode ser um meio de escapar das questões singulares de cada um. Claro que estou generalizando, alguns permanecem muito mais aferrados a cumprir “o que o Outro quer de mim” do que outros etc. Ao longo de algumas análises, emergem muitos conflitos com as normas coletivas da Escola – o sujeito, ao entrar em sintonia com o desejo, torna-se rebelde. Mas essa rebeldia raramente é da ordem do individualismo, mais frequente nas classes média e alta urbanas. Eles se rebelam contra a rigidez das normas coletivas, mas não perdem de vista o fato de que estão no movimento por escolha política e têm uma responsabilidade para com ele.

Maria Rita

Cultura – A senhora sempre teve uma posição de esquerda, uma postura crítica acerca da sociedade de consumo e seus valores. Como isso se reflete na realização deste projeto junto ao MST e até mesmo em sua atividade como psicanalista? Posso te dizer que, sempre que saio de lá, penso que sou uma privilegiada por ter encontrado o MST e ter sido acolhida por eles como pessoa de confiança. Também me acho uma pessoa de sorte por ter sido convidada a exercer a psicanálise, sem nenhuma concessão, em meio a este que é hoje o maior movimento social do mundo, com 600 mil militantes e 2 milhões de pessoas afiliadas a ele (incluindo famílias já assentadas, que às vezes não militam mais, mas reconhecem sua filiação ao MST). Não é preciso fazer concessões para exercer a psicanálise entre eles porque, apesar da origem católica e rural, o movimento é legitimamente progressista – assim como a psicanálise, aliás.

Maria Rita

Cultura – Ao frequentar um universo marcado por bandeiras de luta e o sentido coletivo, em algum momento a senhora temeu a possibilidade de idealizar o movimento ou seus membros? Ou se sentiu cobrada a agir de forma militante? Nunca fui cobrada a agir como eles, seja isso o que for; mesmo porque entre eles as diferenças de modos de agir também são muito grandes. Sinto-me respeitada, inclusive em meu estilo mais aburguesado de ser: vou de carro, volto para São Paulo depois dos atendimentos porque quero aproveitar o sábado, raramente fico lá para dormir etc. Agora, não há dúvidas de que, para mim, é fácil idealizar o movimento. Não tanto pelo modo como eles conduzem suas lutas – tenho sérias divergências sobre algumas estratégias e falo sobre elas com pessoas que não são meus pacientes, quando os encontro no almoço, ou nos debates de que ainda participo. O que eu sinto que idealizo, no MST, é a formação humana que eles conseguem obter. A maior parte dos militantes veio de meios sociais violentos, com pouca escolarização, pouca noção de dignidade e respeito, tanto do sujeito quanto na relação com o outro. No movimento, o valor da leitura, do conhecimento, da lealdade e da solidariedade são imensos. Mesmo na clínica, onde os problemas mais profundos vêm à tona, não deixo de sentir admiração pela maioria de meus pacientes da ENFF. Para você ter uma ideia, sabe qual é a maior demanda de “ascensão social” entre eles? Não é ganhar mais ou subir para uma posição de poder: é ser incluído entre os que podem estudar mais, entre os que têm direito a frequentar os cursos etc. Eles são seriíssimos quanto a este aspecto; e quanto à solidariedade também, apesar de todos os defeitos humanos, que são os mesmos que os de todos nós.

Maria Rita

Mas isto não significa que eu não tenha admiração pelas pessoas que atendo em minha clínica particular. Tenho, sim, por quase todos eles, pela coragem em enfrentar seus fantasmas, em buscar sua via. Talvez a diferença não se coloque em relação ao valor de cada sujeito, um por um, mas em relação ao “caldo de cultura” em que se vive, lá e cá.

Cultura – E como a psicanálise compreende os movimentos sociais? Não sei grande coisa as respeito. Só aponto que existe, entre alguns psicanalistas, um preconceito de que a participação num movimento social seria uma forma de alienação. Como se a adesão quase religiosa à psicanálise e às instituições psicanalíticas não fosse!!!

Maria Rita

Cultura – Como avalia a posição das mulheres e as relações entre os sexos dentro do MST? É uma posição muito interessante, a das mulheres. Até agora não encontrei, entre as mulheres que atendo no MST, nenhuma que não seja autenticamente feminista, no sentido mais profundo do termo. Ou seja: são mulheres livres em suas escolhas sexuais e amorosas – até mesmo as que vieram de movimentos da Igreja, mas que, na análise, lutam para superar os entraves da moral católica. Ao mesmo tempo, são tão decididas e dedicadas quanto os homens. É interessante a posição das mulheres no movimento: muitas delas, por exemplo, têm cargos mais altos do que seus maridos. Provavelmente, nos acampamentos, entre pessoas que vieram de outros lugares e acabam de ingressar no MST, deve haver muito machismo; este é o perfil da sociedade brasileira. Mas não o encontrei entre os “compas”, como eles se chamam, que transitam no nível da ENFF. O outro detalhe interessante é que as mulheres que atendo lá nunca submeteram a vida da militância às conveniências do casamento. Viajam para lá e para cá, estudam nos cursos em módulos que o MST oferece em convênios com universidades – três meses na faculdade, três meses no movimento, durante a duração do curso – e os maridos seguram a onda, cuidam das crianças quando elas estão fora. O amor não é o centro da vida delas, o que é muito difícil de encontrar. E também não medem seu valor pelo olhar de um homem; nunca ouvi uma moça que não namora dizer que se sente inferior por isso.

Maria Rita

Cultura – A escolha de objetos e temas de trabalho sempre revela algo do pesquisador. Na sua trajetória acadêmica, a senhora já passou pela televisão, questões do feminino, juvenilização, ética, depressão – além deste projeto no MST. O que este percurso revela a seu respeito? Se eu soubesse, não continuaria buscando. Deixo essa resposta para depois da minha morte.

Maria Rita

PATRÍCIA ROCHA – entrevistadora – FONTE: ZERO HORA

A ASSOCIAÇÃO PSICANALITICA DE NOVA FRIBURGO TEM O PRAZER DE CONVIDÁ-LO PARA MAIS UMA SESSÃO DO

Centro de Estudos:

                   “Porque Lacan

 – Um discorrer sobre a importância do discurso lacaniano para a psicanálise. Serão abordados alguns conceitos básicos, com ênfase no primeiro momento do grafo do desejo – Seminário  6 de Lacan.

Com:  Dra. Regina Luz
Médica, atuando nas áreas de Cardiologia e Psicanálise

DIA: 02/07/09, quinta-feira
19:30 hs
Sede da APNF – Av. Alberto Braune, 99/504  – Centro

                Atividade Gratuita  – Vagas limitadas

INSCRIÇÕES ABERTAS !!!

CARTAZIISIMPOSIO

 

“Enquanto se tratar de psicanálise, estará se falando de sexualidade. A sexualidade participa da dialética do sujeito de um modo específico, particular, profundamente conflitivo. Freud nos fala que o sintoma é, propriamente falando, a vida sexual do neurótico, constituindo assim um impasse, uma aporia.

Passamos a vida nos indagando sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, evidenciando que a anatomia não basta para que possamos aceder a uma posição sexuada. O inventor da psicanálise expôs, não sem ser criticado, a bissexualidade constitucional dos humanos e a sexualidade como algo presente desde a infância classificando-a desde sempre e para sempre infantil.

Feminilidade ou masculinidade se despontam como formações sintomáticas que tentam encobrir o vão da falta constituinte do sujeito. 

Haveria sujeito homem e sujeito mulher?”

Flávia Albuquerque

Psicanalista

 

Novo espaço de debates em Niterói : o Café Reflexivo. E a primeira proposta está voltada para questões concernentes à infância e à adolescência trabalhadas a partir da psicanálise. Ótima oportunidade para mães, pais e educadores ampliarem suas reflexões sobre os temas propostos.

CAFEFILOSOFICO