Arquivo de setembro, 2009

A Associação Psicanalítica de Curitiba convida para Conversa Afora com o filme O Livro de Cabeceira, em 02 de outubro.

livrodecabeceira

Freud destaca a importância crucial do recalque originário no advento do Pai.

Lacan brinca com a homofonia entre significante unário e “essaim”, enxame de significantes que constitui o campo do Outro.

Melman nos esclarece que a relação de uma mulher com as letras remete ao Real.

 

Vamos ao cinema com eles?

 

Conversa Afora convida a participar da exibição e discussão do filme “O Livro de Cabeceira”, de Peter Greenaway, variação cinematográfica sobre o tema do livro escrito há mais de mil anos por Sei Shonagon.

 

 

HORÁRIO: sexta-feira / 19H00

VALOR R$ 10,00

LOCAL APC

Rua Dr. Generoso Borges, 316 – Curitiba – PR

Fone: (041) 3343-1312

Email: contato@apconline.com.br

http:/www.apconline.com.br

tardespolemicas

FONTE: MENTE E CÉREBRO

Peça premiada volta a ser encenada do Rio de Janeiro e no Ceará, mostrando realidade de um hospício no século XIX; plateia é convidada a participar sem os constrangimentos da interatividade

O cotidiano de cinco mulheres em um manicômio brasileiro, no fim do século retrasado, é tema de Hysteria, peça que já ganhou cinco prêmios. Na mesma época em que se passa a história, Freud desenvolvia, em Viena, sua teoria acerca dessa psicopatologia. Após 350 apresentações em 18 cidades brasileiras e 12 no exterior e de ter participado dos principais festivais de teatro de língua portuguesa, a peça será apresentado novamente no Rio de Janeiro, em outubro, e em Cariri, no Ceará, em novembro. O espetáculo com abordagem interativa, porém delicada (que não constrange o público), foi desenvolvido pelo Grupo XIX de Teatro, com base em pesquisas de documentos históricos realizadas em hospícios femininos do século retrasado. Resultado de um processo de criação coletiva, a peça resulta da “costura” dos fragmentos de histórias de personagens verídicas e de toques de ficção. Ao mergulhar nesse universo, o diretor Luiz Fernando Marques e as atrizes Evelyn Klein, Mara Helleno, Janaina Leite, Juliana Sanches e Sara Antunes traçam um desenho que passa pela pressão familiar, repressão social e introjeção de fantasmas opressivos e desestabilizadores. As questões referentes ao século XIX são colocadas em confronto com as questões das mulheres da plateia, fazendo da sala de hospício/teatro uma arena de discussões que proporciona uma emocionante troca de vivências.

Hysteria. Nos dias 16, 17 e 18 de outubro, o espetáculo será apresentado no Rio de Janeiro, e de 13 a 20 de novembro, no Ceará. Locais a serem definidos.
Informações: contato@grupoxixdeteatro.ato.br

fonte: RioShow

RIO – A relação entre o cinema e a psicanálise é o tema da mostra “Loucos por cinema”, que exibe desta terça-feira (29.09) até domingo (04.10) 23 filmes na Caixa Cultural. Com participação de psicanalistas, professores e especialistas, o evento promoverá debates mediados pela curadora Bianca Novaes, doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-RJ.

Neurose, psicose e perversão, muitas vezes simplificadas pelo estigma de “loucura”, são retratadas pelos longas selecionados. Um dos objetivos é discutir como os atores e diretores se posicionam diante dos desafios de expor o tema tão delicado.

Entre os destaques, está o documentário ainda inédito no Brasil “The pervert’s guide to cinema” (2006), de Sophie Fiennes, em que o filósofo Slavoj Zizek analisa a linguagem escondida do cinema e conduz o espectador numa viagem por alguns dos maiores filmes da história.

Entre os brasileiros, está “O bicho de sete cabeças“, em que Rodrigo Santoro faz o papel de um jovem internado em um manicômio.

Há também clássicos, como “Fahrenheit 451“(1966), no qual o diretor François Truffaut desenha uma civilização do futuro dominada por um estado totalitário; e “O gabinete do Dr. Caligari” (1920) sobre um misterioso hipnotizador.

Toda a renda do evento “Loucos por Cinema – Mostra de Cinema e Psicanálise” será destinada ao Programa Fome Zero.

Confira a programação completa:

TERÇA-FEIRA, 29/09

Cinema 1

17h – “Delicatessen” (Delicatessen), de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, 1991, 99min.

19h30m – “Bicho de sete cabeças“, de Laís Bodanzky, 2000, 88min.

21h – “Wittgenstein” (Wittgenstein), de Derek Jarman, 1993, 75min.

Cinema 2

17h15m – (The pervert’s guide to cinema), Sophie Fiennes, 2006, 150min.

20h – “Titicut follies”, de Frederick Wiseman, 1967, 84min.

 

QUARTA-FEIRA, 30/09

Cinema 1

17h – Uma mulher sob influência (A Woman Under the Influence), John Cassavetes, 1974, 155min.

Sessão seguida de debate, às 19h35.

19h40 – Alphaville (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution), Jean-Luc Godard, 1965, 99min.

 

Cinema 2

17h15 – Pontes de Madison (The Bridges of Madison County), Clint Eastwood, 1995, 135min.

20h – Seguido de Debate com Regina Herzog e Marcia Arán

 

QUINTA-FEIRA, 01/10

Cinema 1

17h – (The Pervert’s Guide to Cinema) Sophie Fiennes, 2006, 150min.

19h40 – Viridiana ( Viridiana), Luis Buñuel, 1961, 90min. ,

21h10 – O gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari) Robert Wiene, 1920, 75 min.

 

Cinema 2

17h15 – Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451), François Truffaut, 1966, 112min.

20h – Festim Diabólico (Rope), Alfred Hitchcock, 1948, 80min.

 

SEXTA-FEIRA, 02/10

Cinema 1

17h – Almas Gêmeas (Heavenly Creatures), Peter Jackson, 1994, 99min.

20h – Seguido de Debate: com Glória Sadala e Isabel Forets.

19h40 – O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre), John Huston, 1948, 126min.

 

Cinema 2

17h15 Camille Claudel, de Bruno Nuytten, 1988, 158min.

20h – Seguido de Debate: com Glória Sadala e Isabel Forets.

 

SÁBADO, 03/10

Cinema 1

14h30 – Estamira (Estamira) Marcos Prado, 2004, 121min.

17h – Uma mulher sob influência (A Woman Under the Influence), John Cassavetes, 1974 155min.

19h40 – Louco por Cinema, de André Luis Oliveira, 1994, 100min.

 

Cinema 2

15h – Um Corpo que Cai (Vertigo), Alfred Hitchcock, 1958, 128min.

17h15 – Psicose (Psycho), Alfred Hitchcock, 1960, 109min.

20h – Seguidas de Debate: com Marcus André Vieira e Fernando Ribeiro”

 

DOMINGO – 04/10

Cinema 1

14h30 – A Bela da Tarde (Belle de Jour), Luis Buñuel, 1967, 101min.

17h – Edukators (Die fetten Jahre sind vorbei), Hans Weingartner, 2004, 127min.

19h40 – Repulsa ao Sexo (Repulsion), Roman Polanski, 1965, 105min.

 

Cinema 2

15h – Um estranho no ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), Milos Forman, 1975, 133min.

17h15 – (The Pervert’s Guide to Cinema), Sophie Fiennes, 2006, 150min.

20h – Fahrenheit 451, François Truffaut, 1966, 112min.

 

DEBATES:

– “Uma mulher sob influência” e “As pontes de Madison”

Quarta, às 20h

Com Márcia Arán e Regina Herzog

– “Camille Claudel” e “Almas gêmeas”

Sexta, às 20h

Com Gloria Sadala e Isabel Fortes

– “Um corpo que cai” e “Psicose”

Sábado, às 20h

Com Marcus André Vieira e Fernando Ribeiro

* Todos os debates terão a mediação de Bianca Novaes, curadora da mostra.

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“Loucos por cinema – Cinema e Psicanálise” @ Caixa Cultural Rio de Janeiro. Av. Almirante Barroso 25, Centro – 2544-4080. De ter (29.09) a dom (04.10). De ter a sex, sessões às 17h, 19h40m e 20h. Sáb e dom, sessões a partir das 14h30m. R$ 4

JOHN HUSTON MOSTRA A ORIGEM DA PSICANÁLISE

Freud, Além da Alma retrata o médico austríaco que revolucionou o século 20; filme foi um martírio para o ator Montgomery Clift.

publicado em GAZETA DO POVO por Paulo Camargo

montgomerycliff

Montgomery Clift foi, ao lado de Marlon Brando e James Dean, um dos melhores e mais intensos atores de sua geração. Mas dava trabalho aos diretores. Bebia, tomava barbitúricos, atrasava-se e sofria – muito. Desse sofrimento tirou alguns de seus maiores desempenhos. Um deles é seu trabalho em Freud, Além da Alma, filme de John Huston que está sendo lançado no Brasil em DVD e no qual vive o pai da psicanálise. Sua entrega ao papel é absoluta, comovente, apesar de lhe ter custado caro.

Nem Huston nem o produtor Wolfgang Rainhardt tinham certeza de que Monty, como era chamado em Hollywood pelos amigos, teria estrutura emocional para encarar um papel tão complexo. Desde o grave acidente de carro que sofreu em 1956, no qual quase morreu e teve parte do rosto deformada, sua vida foi alterada. A propensão à bebida tornou-se compulsão. Então vieram remédios para dormir e outros psicotrópicos, além de um comportamento errático, inconstante.

Tudo levava a crer que Clift não daria conta do desafio, mas Huston, que já havia trabalhado com o ator em Os Desajustados (ao lado de Clark Gable e Marilyn Monroe), resolveu apostar em sua intuição: o atormentado galã de clássicos como Um Lugar ao Sol e A Um Passo da Eternidade era seu Freud. De certa forma, o cineasta tinha razão.

A ideia de contar no cinema a história do médico austríaco que revolucionou a psiquiatria surgiu quando Huston rodou um documentário sobre ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, mental e emocionalmente dilacerados por suas experiências no campo de batalha. Sem nada saber sobre Freud, o cineasta, um homem voluntarioso e explosivo, quando não cruel, decidiu levar às telas os experimentos que conduziram à fundação da psicanálise. Pediu ao escritor e filósofo Jean-Paul Sartre o roteiro, que lhe entregou um calhamaço de 1.500 páginas nas quais nada – homossexualidade, masturbação, incesto e outros temas poucos digeríveis – ficou de fora.

Huston, ao se deparar com o roteiro gigantesco de Sartre, surtou. Não se conformava, em sua total ignorância sobre Freud, que houvesse tanto sexo na história. Pediu cortes. O francês recusou-se a fazê-los. Mas o script foi reescrito mesmo assim, numa espécie de gambiarra por anos deplorada pelo filósofo, que se recusou a assinar a versão final.

Ainda assim, Freud, Além da Alma é um bom filme, ainda que irregular. Talvez porque Clift tenha se dado ao trabalho de ler a biografia assinada por Ernest Jones e conseguido compreender a complexidade do personagem, que no filme prova de suas próprias teorias, representado por vezes entre o real e o onírico. Huston, possivelmente também purgando traumas passados, fez do set um martírio para Clift, provocando e ironizando o ator, fazendo insinuações sobre sua homossexualidade e sua fragilidade emocional. Ao ponto de Brooks Clift, seu irmão, e a atriz Susannah York, com quem Monty contracena no longa, defenderem a tese de que a morte do ator, em 1966, foi consequência direta desse abuso – o astro faria apenas um filme depois de Freud: Talvez Seja Melhor Assim, concluído pouco antes de ele sucumbir a um ataque cardíaco fulminante.

Serviço: Freud, Além da Alma (Freud: the Secret Passion. EUA, 1962). Direção de John Huston. Com Montgomery Clift. Drama. 140 min. Versátil Home Video. Preço a definir.

As hipóteses formuladas pelo criador da teoria psicanalítica marcaram a cultura contemporânea

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“Sigmund Freud é um dos personagens mais citados do último século. Coleciona tanto títulos como críticas e discordâncias: enquanto uns o consideram o “descobridor do inconsciente” outros já o qualificaram como charlatão e embusteiro intelectual. Mas o célebre neurologista, que morreu em 23 de setembro de 1939, há exatos 70 anos, não foi o primeiro a voltar sua atenção para a atividade psíquica. No âmbito da filosofia, desde o Iluminismo já era de conhecimento geral a existência de uma esfera na qual se desenrolam processos psíquicos inconscientes que co-determinam o que pensamos e sentimos, assim como o que fazemos ou deixamos de fazer. Os românticos do início do século XIX chegaram mesmo a basear nesse conhecimento toda sua produção intelectual. Do ponto de vista científico, porém, o inconsciente era terra incógnita até que Freud começa-se a mapeá-lo.

Suas teorias foram instigadoras de polêmicas. Quando escreveu A sexualidade na etiologia das neuroses, em 1898, defendendo, pela primeira vez, a existência da sexualidade infantil, causou escândalo entre os médicos vienenses. Cerca de um ano antes, tinha se desiludido com as pacientes histéricas. Na famosa carta de 21 de setembro de 1897 ao amigo e interlocutor Wilhelm Fliess, o criador da psicanálise diz: “Não acredito mais na minha neurótica”, referindo-se a sua conclusão de que os relatos de sedução na infância, feitos pelas pacientes, não correspondiam ao que, efetivamente, tinha ocorridos em suas vidas.

Posteriormente, em A interpretação dos sonhos, de 1900, Freud já detinha na questão sexual e suas formas inconscientes de expressão. Ao afirmar que a produção onírica é “a via régia que conduz aos conhecimentos do inconsciente”, apresentou um aspecto inovador para a compreensão da mente humana, enfocando a produção onírica como própria do sujeito – e não externa ele. Uma produção psíquica, aliás, repleta de desejos inconscientes reveladora da sexualidade, dado que os sonhos permitiriam a realização de desejos recalcados.

Ainda de acordo com ele, se nos aprofundarmos na análise dos sonhos, por meio da associação livre, chegaremos a conteúdos latentes repletos de conotações eróticas, resquícios de desejos sexuais infantis. Porém, para que conteúdos reprimidos possam burlar a autocensura, ainda que parcialmente, surgem travestidos por dois tipos de símbolos universais (presentes em diferentes culturas e épocas) e individuais (que ganham sentido para quem sonha).

Mais de um século após a publicação dos primeiros textos freudianos muitos pensadores partiram de suas construções para propor outras formas de compreender o ser humano e seu funcionamento. Podem-se repudiar suas ideias ou comungar com elas, aceitá-las ou não, mas algo é certo: é impossível ficar indiferente. “Hoje sabemos que não se trata de provar que Freud tinha razão – mas a psicanálise e pesquisa cerebral não precisam se contradizer”, diz o neuropsicanalista Mark Solms.”

70 anos sem Sigmund Freud

Publicado: quarta-feira, 23 setembro, 2009 em desejo, Freud, inconsciente, psicanalista, psicanálise, sujeito

Completam-se hoje, dia 23 de setembro de 2009, 70 anos da morte de Sigmund Freud, conhecido como o pai da psicanálise. Freud morreu em Londres às 3 da manhã do dia 23 de setembro de 1939, aos 83 anos.

Exaurido de lutar contra um câncer que já sofria por mais de uma década, Freud fez um pedido a seu médico particular: aplicar-lhe uma dose de morfina que fosse suficiente para deixá-lo em coma e jamais despertar.

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