Arquivo de abril, 2010

SBP – SP

Publicado: sexta-feira, 30 abril, 2010 em psicanálise

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Segue a programação dos ENCONTROS PSICANALÍTICOS. Temas em torno de questões que se apresentam para os que se enveredam pela psicanálise. São duas opções de data para cada tema, uma em Icaraí – Niterói e outra em Ipanema – Rio de Janeiro. Os iteressados podem fazer inscrição em 1 ou mais encontros, no valor de R$ 120,00 cada. Também podem optar pelo pacote de todos os 8 encontros por R$ 650,00. As inscrições são antecipadas, e é preciso conferir a disponibilidade de vaga antes de efetuar o depósito. Não haverá possibilidade de fazer inscrição nos locais. A carga é de 3 horas em cada encontro que sempre daremos início às 14:00.

Temas:

O que fazemos quando fazemos análise?

A atividade do psicanalista. Como age ele? O que conta no que faz?

A história não é o passado: o discurso analítico

O que forma um analista?

Entrevistas preliminares

A questão do pagamento em análise

A análise como experiência do particular

O primeiro encontro de Niterói acontecerá em 22 de maio e o do Rio em 29 de maio. “O que fazemos quando fazemos análise?”

Amar, verbo lacaniano

Publicado: sábado, 24 abril, 2010 em psicanálise

FONTE: Diário Catarinense

Psicanalista francês Jean Allouch fala sobre o amor na obra de Jacques Lacan, de quem foi aluno, mas rejeita a ideia de que foi colega do polêmico discípulo de Freud

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Um rico industrial alemão hospeda em sua mansão um rapaz. Aos poucos, o estranho consegue mudar para sempre a vida de todos os moradores da casa. O enredo é do longa-metragem Teorema, obra do italiano Pier Paolo Pasolini, filmado em 1968, usado na abertura de palestras pelo psicanalista francês Jean Allouch. Ele esteve no Brasil recentemente para participar de seminário e lançamento de seu livro, O Amor Lacan, traduzido pela editora Companhia de Freud.

Allouch, que veio pela primeira vez ao país, não apenas conviveu com o célebre Jacques Lacan (1901-até a sua morte, como foi analisante e analisado dele. Considerado um dos mais importantes estudiosos sobre a obra do polêmico discípulo de Freud, nesta entrevista ele fala sobre esse convívio e de como os estudos e as ideias de Lacan influenciaram e ainda influenciam o pensamento contemporâneo.

DC – O senhor faz parte da primeira geração de discípulos de Lacan. Como foi a convivência com ele?

Jean Allouch – Sua questão me deixa mais velho algumas dezenas de anos… Eu não estou muitio certo de que o termo “geração”, que remete a uma ordemde caráter familiar, seja apropriado. Não estou certo também de ter sido um próximo de Jacques Lacan. O mais certo é que sou grato a ele por ter me poupado dessa proximidade, que quase sempre se mostra privadora de liberdade. Eu faço parte da primeira série de alunos que tiveram a iniciativa de ler Lacan. Os que nos precederam se contentaram em ficar impregnados por suas proposições, acreditavam que isso era suficiente, mas nenhum deles, que publicou na época, é atualmente lido. Quanto a nós, liberados de qualquer ideia de corporação com Lacan, pedimos para retirar de suas gavetas as transcrições dos seus seminários, ao que ele respondeu de pronto, e nós estudamos o que não entendíamos.

DC – Lacan não construiu uma teoria sobre o amor, mas deixou pistas, que o senhor reuniu em um livro. O que é possível concluir sobre o amor do ponto de vista lacaniano?

Allouch – Não se trata de pistas, mas de pinceladas, no sentido que se emprega em pintura. Disseminadas nos seminários, essas pinceladas são suscetíveis de compor uma figura do amor, essa que eu chamo “o amor Lacan”. Ela é nova, no sentido que se propõe como uma regra do jogo amoroso, mas também no sentido em que ela não corresponde a nenhuma das figuras do amor com as quais o Ocidente foi tão prolixo, e que Lacan retoma uma a uma, sem, no entanto, se satisfazer com nenhuma.

DC – No seu livro O Amor Lacan, o senhor propõe uma concepção de que o que se busca no amor é algo que não se obtém. Não seria uma visão pessimista para o sujeito que acredita no amor?

Allouch – A formulação à qual eu cheguei, e que me foi inspirada por Philippe Sollers, que escreveu sobre Lacan, é mais paradoxal. O Amor Lacan, de que trata o livro, é esse amor que se obtém (pois sim, pode-se obtê-lo) não o obtendo. Ela não é nem otimista nem pessimista, ela é de fato. Ela não implica nenhuma crença no amor. Pois perguntem-se: acreditar no amor é amar? Amar é amar o amor?

DC – O que a psicanálise, na perspectiva de Lacan, ofereceria sobre o amor em lugar da religião cristã, que afirma que Deus é amor?

Allouch – Em um campo de futebol, existe uma marcação, e é usando esse termo, nesse sentido específico, que eu posso dizer que Lacan não parou de marcar o cristianismo, permaneceu bem perto, muito mais para reduzir, para aniquilar sua ação. Enquanto a modernidade se deixa escutar àqueles que dizem, do tempo de Lacan, que o cristianismo terminou, que Deus está morto, como o proclamava Nietzsche, Lacan não acreditava em nada disso (e Nietzsche é mais sutil). Daí a preocupação em apreender o amor divino, que, como ele dizia, faz do corpo vivo um corpo morto (limitando a erótica à procriação) e do corpo morto um corpo vivo (a ressurreição da carne). Lacan via nada menos do que uma perversão na articulação cristã desses dois traços.

DC – O senhor escreveu que o amor é uma experiência limitada. O que poderia nos dizer sobre esse limite na experiência amorosa das pessoas? Esse limite está gravado na fórmula “obter o amor que não se obtém”.

Allouch – A despeito da dificuldade em pensá-la, é possível lhe dar alguma consistência. Pensem na solidão. Diz-se que o amor põe fim à solidão. Mas isso seria um horror, se fosse efetivamente o caso! Pois a solidão é preciosa para cada um. Isso vai desde a porta do banheiro, que preferimos fechada, até a experiência da doença e do luto, quando tenho que admitir que meu amor não resolve muita coisa face à solidão. Pensem, também, na liberdade de cada um. Diz-se que o amor, sendo um apego, uma ligação, uma alienação, onera a liberdade dos amantes. Mas isso seria um horror, se tal fosse efetivamente o caso! Daí a importância e o exemplo da lição dos místicos, querendo deixar para Deus sua liberdade, lhe declarando seu amor, mesmo que Deus lhes tenha reservado o inferno como eternidade. O figurado amor Lacan é o amor que, sendo o que ele é, deixa ser tanto a solidão quanto a liberdade de cada um.

DC – Ainda é um desafio para a psicanálise entender o amor?

Allouch – Um analista que se ocupasse de compreender o amor permaneceria fora do que lhe concerne no seu exercício de analista. Note bem, eu digo “exercício” preferencialmente à “prática” analítica. Isso foi chamado de “transferência”, e Freud soube ver claramente nessa transferência um amor verdadeiro. Uma ligação amorosa se resolve por uma melhor compreensão do que é o amor? Não. Se o amor está presente, ativo, efetivo na análise, ele reclama outra resposta que não a compreensiva, mas que seja ela também presente, ativa e efetiva.

DC – Lacan é considerado um autor hermético, de difícil compreensão, e disse que bastariam 10 anos para entendê-lo. Mais de três décadas após sua morte, ainda há muito a compreender sobre a obra lacaniana?

Allouch – Até onde posso julgar disso, o ensino de Lacan é muito mais lamentável do que sugere a sua questão. Ele próprio deu prova de um belo otimismo ao dizer que após 10 anos suas proposições seriam – ou teriam sido – enfim recebidas pelo que elas eram. Às vezes, seus alunos ou leitores modificavam o sentido do que fora dito. Ainda vivo, Lacan não parava de informar aos seus alunos que aquilo que eles afirmavam que ele tinha dito, pois bem… não era aquilo. Morto, ele não está mais aqui para intervir. Hoje, ainda contamos nos dedos das duas mãos os trabalhos “lacanianos” fiéis ao que ele pretendia transmitir.

DC – A que se deve essa lacuna?

Allouch – A três razões principais: ao fato de que os alunos avançam como se dispusessem de um saber que eles teriam adquirido graças a Lacan e que seriam, então, suscetíveis de ensinar; ao estilo de Lacan, mas também a suas hesitações, a seus deslizes, a seus lapsos nem sempre analisados; ao fato de que nós não dispomos de nenhuma edição crítica de seus seminários e que seus arquivos permanecem inacessíveis. Quanto tempo deve ainda transcorrer para que se disponha desses materiais, para uma leitura verdadeiramente informada?

DC – O senhor vem pela primeira vez ao Brasil, país que tem um povo movido a grandes paixões. Que impressões o senhor tem do brasileiro?

Allouch – Sem dúvida que só tenho do Brasil esta visão caricatural que habita cada um na França. Mas cabe a vocês me dizerem se a palavra mestiçagem, que me vem imediatamente à mente, pertence a uma outra realidade que não à caricatural.

DC – O que mais aflige o ser humano hoje em dia?

Allouch – Só vejo uma resposta possível: a miséria, todas as formas de miséria.

QUEM FOI JACQUES LACAN

Nasceu em 13 de abril de 1901, na França. Médico, passou da neurologia à psiquiatria, aproximando-se da psicanálise e tornando-se o mais importante seguidor de Sigmund Freud. Em 1951, deu início a uma série de seminários, apresentações que viriam a constituir o núcleo de seu trabalho teórico. Fundou a Escola Freudiana de Paris e, posteriormente, em 1980, a dissolveu e criou a Escola da Causa Freudiana. Seus 26 seminários foram publicados a partir de 1973. Morreu em 9 de setembro de 1981, deixando como legado uma nova práxis analítica.

LIVROS DO JEAN ALLOUCH

(clique na imagem)

A pedidos, estabeleci uma data para o encontro no Rio fora do feriado e ainda uma data para o encontro também em Niterói.
Lembrando: Indicando 3 pagantes, a sua inscrição é gratuita!
Inscrições antecipadas.
VAGAS LIMITADAS!

LANÇAMENTO ‘O que fazer com o Real’

Publicado: quarta-feira, 14 abril, 2010 em psicanálise

SOS NITERÓI – RJ

Publicado: quinta-feira, 8 abril, 2010 em psicanálise
Acredito que muitos de vocês estejam acompanhando as notícias sobre os estragos causados pelas chuvas nos últimos dias no Estado do Rio de Janeiro.
 
O município de Niterói vem sendo um dos mais prejudicados.
 
Para os que puderem ajudar com ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS, ÁGUA, FRALDAS DESCARTÁVEIS (infantil e geriátrica), LEITE EM PÓ e MATERIAL DE HIGIENE, favor fazer suas doações no endereço:
 
CLUBE CANTO DO RIO
R. Visconde do Rio Branco, 701
CENTRO – NITERÓI – RJ
2620-8018
coordenação: Defesa Civil

Seminário O FEMININO, O OLHAR E A VOZ

Publicado: quarta-feira, 7 abril, 2010 em psicanálise