Arquivo de maio, 2010

Encontro com Elisabeth Roudinesco

Publicado: quinta-feira, 27 maio, 2010 em psicanálise

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Heterossexualismo

Publicado: segunda-feira, 24 maio, 2010 em psicanálise

”Não se nasce heterossexual” “Existe algo chamado falo, que une o real – anatômico, sexual – com o significante. Essa contingência determinará a escolha sexual do objeto. Isto é, ser heterossexual é um acidente no marco da castração do sujeito.” A opinião é do psicanalista argentino Marcelo A. Pérez, em artigo para o jornal Página/12, 20-05-2010, extraído de seu livro “¿Cómo se llega a ser heterosexual?”. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Eis o texto. Como se chega a ser heterossexual? A pergunta já tenta aproximar a primeira ideia que, assim proposta, também pretende matar dois pássaros com um tiro. Primeiro disparo: a sexualidade do sujeito é contingente. Da mesma forma que o vínculo existente entre o significante e o significado; da mesma forma que a relação de contingência que a pulsão mantém com o objeto. Segundo tiro: chegamos a ser heterossexual. Ambos os disparos incluem uma obviedade dedutiva: a sexualidade do sujeito é um ponto de chegada, não de partida. “Constrói-se” independentemente do sexo anatômico, e essa produção inclui os avatares da lógica fálica, do caso por caso. A essa fábrica, Freud chamou Édipo & Complexo de Castração, e sua matéria-prima pulsional é a linguagem. Ou, lalíngua, que Lacan descreve, como neologismo, em um só termo, essa forma particular de falar e que – parasitando o sujeito – lhe é transmitida por meio da estrutura de parentesco em cada caso. A sexualidade assume existência a partir dessa linguagem-esburacada e é um conceito cultural que já não é possível confundir com a anatomia genital dos seres falantes. E se é cultural é o mesmo que se perguntar: como é possível que uma alta dama oriental se apaixone por um cavalheiro caucasiano baixinho? Ou como se chega a ser histérico em vez de psicótico? Mas então, como? Uma resposta pontual pode ser esta: “falando”, gerúndio que serve de caminho para que o sujeito chegue. Mas essa falação – “Seminário 22”, Lacan –, longe de ser interpretada como um conjunto de códigos comuns para se entender mutuamente, nada mais é do que o representante do gozo sexual. Esse nó é problemático, porque o sujeito já não sabe o que diz quando fala, já que – repetimos – não se trata de “fazer-se entender”, mas sim de gozar. Estamos dizendo, pois, que existe algo chamado falo, que une o real – anatômico, sexual – com o significante. Essa contingência determinará a escolha sexual do objeto. Isto é, ser heterossexual é um acidente no marco da castração do sujeito. Esse acidente de castração é elaborado em três etapas. E – a julgar pela clínica – se a neurose existe é porque sempre há acidentes, e a passagem do segundo tempo do Complexo para o terceiro – no qual o sujeito reconhece que o pai não é a lei, mas sim que a transmite – é muito mais problemático do que acreditávamos. Mas, então, não nascemos heterossexuais? Não só não nascemos, como também nem que queiramos o somos. A sexualidade, como o corpo, nós a temos, adquirimos, conquistamos. Como dirá Lacan, “é um presente da linguagem”. Em todo caso, já desde Freud sabemos que o inconsciente é homossexual desde o momento em que não há mais do que a inscrição de um único significante: o falo. A partir do narcisístico, o autoerotismo tem seu autorrecolhimento sobre o homossexual. A partir de Lacan, o sujeito está ancorado no “todo fálico”. Essa posição implica que o inconsciente rejeite o Outro sexo. Segundo se lê no seminário “Ainda” – e isso está na base da axiomática “a relação sexual não existe” –, o gozo enquanto sexual é fálico. Isto é, não se relaciona com o Outro enquanto tal. E também podemos responder a partir da nossa práxis: o inconsciente repete o próprio real, base de todo sintoma: o homossexual também se encontra nele. Escutamos hoje mais do que nunca certos pacientes (amantes da precisão científica) que se encontram duvidando da potencial escolha sexual de seus filhos. Principalmente porque, em muitos casos, eles mesmos já se divorciaram para viver com uma pessoa de seu próprio sexo. Quando se trata do inconsciente, não há maneira consciente de garantir um não-acidente no trajeto. Assim como não há método para definir um objeto único para a pulsão: se houvesse, estaríamos no campo da natureza e não do ser falante. Sob uma sociedade muito mais tolerante e melhor informada – o que não é pouco –, podemos acompanhar nesses avatares lógicos o devir de cada experiência subjetiva para – mesmo que não responder sempre – pelo menos perguntar a partir de um lugar em que unam dois pássaros com um só laço: desejo e amor. Isto é, administrar o gozo de uma maneira mais produtiva.

Fonte: Juntos somos fortes

O mundo genial e psicótico de Salvador Dali

Publicado: sábado, 22 maio, 2010 em psicanálise

 

Persistência da memória

Salvador Dali foi reconhecido e consagrado em vida como o ícone do movimento surrealista.  

A proposta da palestra é apresentar a vida e obra de Salvador Dali,  seu método “ paranóico crítico”  e sua relação com Gala, procurando fazer uma interlocução da arte com a psicanálise, a partir da pergunta [que começou com Freud]: O que  podemos aprender com o artista? O que Dali com sua obra e escritos nos  ensina?

Será apresentado as principais obras do artista.

PALESTRA: O MUNDO GENIAL E PSICÓTICO DE SALVADOR DALI

Local: ICF – Rua Aníbal de Mendonça, 175 – Ipanema /RJ

Data: 7 de Junho, 2ª feira, às 19:30h

Inscrições: a partir de 24/5 , na secretaria do ICF

Valor:15,00 : participantes do ICF, isentos

Palestrante: Elvina Maciel Lessa,psicanalista, doutora(UFRJ), especialista em Psicologia Clínica pela PUC.

Últimas vagas para o encontro de Niterói. Inscrição antecipada!

Malvine Zalcberg

Publicado: terça-feira, 11 maio, 2010 em psicanálise

A psicanalista Malvine Zalcberg está ministrando um curso na Casa do Saber: “Os novos laços amorosos” às quartas, 20 hs. Ainda restam 4 aulas.

05 MAI

A IMAGEM E O AMOR

A paixão moderna pela fascinação da imagem corresponde ao modo vertiginoso de construir e desconstruir casais em nossos tempos. A dialética entre o olho da fotógrafa (ver) e a dança da stripper (dar a ver) no filme Perto demais, de Mike Nichols, revela a dificuldade de um verdadeiro encontro com o Outro.

12 MAI

UM HOMEM, UMA MULHER

As mulheres modernas, embora livres, produtivas e sedutoras, ainda podem sofrer profundamente por uma ruptura amorosa. Pedro Almodóvar, em Mulheres à beira de um ataque de nervos, mostra como uma mulher espera da voz de um homem um resgate de seu desamparo.

19 MAI

O OUTRO COMO REINVENÇÃO DE VIDA

Abraçar ideais sem deixar espaço para nenhum Outro pode levar um homem a paralisar sua vida. É o relato que faz Florian Henckel em A vida dos outros, sobre a vida solitária de um espião da Alemanha Oriental. Até que o encontro com um escritor que, além de livros, sabia escrever o amor num corpo de mulher, o reinventa como ser humano.

26 MAI

ENCONTROS E DESENCONTROS

Há uma lógica de interseção onde amor, desejo e sexo se encontram, e há uma lógica de disjunção, onde essas dimensões se desencontram. Em Infidelidades, Liv Ullmann ressalta a diferença entre as motivações de homens e mulheres para serem infiéis aos respectivos parceiros.

MALVINE ZALCBERG. Psicanalista e doutora em Psicanálise pela PUC-Rio. Na qualidade de professora adjunta da Uerj, exerceu, por 25 anos, atividades de coordenação, ensino e pesquisa no Serviço de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto e no Instituto de Psicologia. É autora de livros como A relação mãe e filha e Amor paixão feminina.

Clarice Lispector: a escritura do amor

Publicado: domingo, 2 maio, 2010 em psicanálise