Arquivo de julho, 2010

VII Ciranda de Psicanálise e Arte

Publicado: segunda-feira, 26 julho, 2010 em psicanálise

USUFRUTO

Publicado: domingo, 25 julho, 2010 em psicanálise

Fiquei bastante causada pelo e-mail que recebi da atriz Lúcia Veríssimo convidando para a peça escrita e atuada pela própria: “Usufruto“. Ela diz ser uma verdadeira discussão psicanalítica e acrescentou que quintas e domingos tem debate após a peça.

Cariocas, vamos? Fashion Mall de quinta à domingo.

USUFRUTO

USUFRUTO, de Lúcia Veríssimo, é um espetáculo de idéias, construído com uma dramaturgia cuidadosamente burilada e uma encenação, assinada por José Possi Neto, que nos remete a intimidade desse encontro inesperado entre um homem e uma mulher desconhecidos num apartamento vazio. A peça, numa empreitada inovadora, fez uma temporada de cinco meses no Teatro FAAP, em São Paulo e ao mesmo tempo numa turnê por várias cidades do Brasil. Mantendo, durante esse período, dois cenários e duas equipes.

 

O texto de Lúcia Veríssimo é um tributo a Roland Barthes, um dos mais importantes filósofos do nosso tempo, que definia seu próprio trabalho como o “saber com sabor”. E é desta forma que é conduzido USUFRUTO. “Uma bela apresentação de idéias nas quais conceitos antigos são demolidos, novas propostas são lançadas, a vida e o amor são questionados, mas tudo é dito com sabor, com humor, com malícia e com sutileza”, afirma Lúcia.

 

Os diálogos são ágeis e sarcásticos, recheados de humor e malícia, onde são discutidas questões eternas sob uma ótica contemporânea: amor, casamento, paixão e ética.

 

Com formação jornalística, Lúcia Veríssimo sempre escreveu, mas não pensava em dramaturgia até 2005 quando, durante as tomadas de América, surge USUFRUTO: “Criei a peça nos intervalos das gravações da novela, incentivada por Rafael Calomeni e Gabriela Duarte. USUFRUTO nasceu envolto na poeira das madrugadas, no caminhão das externas”, conta Lúcia.

 

A história se passa num apartamento à venda. Nele se encontram uma mulher de cinqüenta anos: bela, sedutora, atraente, debochada, sem limites e um jovem e promissor arquiteto de uns trinta anos: entusiasta, sonhador, apaixonado e muito conservador. Eles disputam a compra do imóvel, e ela propõe um jogo, um jogo da verdade, no qual o perdedor desiste. Essa relação reúne a universalidade à particularidade, especialmente à particularidade brasileira, onde essas duas pessoas, uma mulher misteriosa e decidida a conseguir o que quer e um jovem homem que tenta realizar um sonho jogando sinceramente.

 

Sem jamais perder a leveza a peça é um dueto e um duelo, e seu final é surpreendente.

 

Lucia Veríssimo acredita que “assim como o personagem do jovem homem, o público também deixará o teatro cheio de dúvidas e reflexões”. Essa afirmação se dá justamente pelo final inesperado e bem arquitetado. “O jogo já havia sido programado ou aconteceu durante o encontro? Esta mulher é inescrupulosa mesmo ou agiu levada pela situação? Os fins justificam os meios? Quem de fato perdeu o jogo?”, pergunta a minuciosa autora.

 

José Possi Neto em sua meticulosa direção apresenta o texto de uma forma envolvente, extraindo o melhor dos atores, criando um espetáculo sedutor e instigante, levando o suspense até a última cena.

Lúcia Veríssimo, atriz conhecida por seu talento e popularidade traz em seu perfil pessoal a adequação ao personagem, e o fato de ser a autora do texto, dá a certeza de que cada palavra, cada inflexão e cada intenção serão transmitidos ao público com perfeição. Seu personagem sedutor domina a cena, manipula as emoções do outro, usa sem pena sua inteligência e experiência, guardando até o final seu dolorido segredo e colocando em dúvida os conceitos que contundentemente defende no decorrer de toda a peça.

 

André Fusko cria um personagem sutil, sensível, aproveitando todas as nuances e comicidade propostas no texto, que ao mesmo tempo se diverte e sofre, se rebela e se fragiliza ao serem questionados todos os seus ideais. Ele termina o jogo crivado de dúvidas, mas provavelmente estas irão ajudá-lo a construir uma vida mais verdadeira. “O dia vindouro ensina ao dia precedente” (Píndaro). Ele perde ou ganha o jogo proposto e também um sonho? Ele sai de cena sem perceber de imediato a extensão do jogo no qual entrou.

 

O cenário é de Jean Pierre Tortil, cuja criação conceitual reuniu elegância e sofisticação à funcionalidade e fluência da cena. Os figurinos e luz são complementados pelas caracterizações de Marlene Moura.

 

USUFRUTO é um espetáculo que reúne um bom texto nacional, um diretor respeitado, atores conhecidos, cenário, iluminação e figurinos de extrema qualidade. É um espetáculo de excelência que se propõe a aliar o entretenimento à reflexão.

 

Por José Possi Neto

 

Quando Lucia esteve em minha casa e, juntos, fizemos a primeira leitura de USUFRUTO, me senti imediatamente atraído a materializar esse texto.
Ela não o considerava pronto ainda, ou melhor, ela ainda considerava a hipótese de não assumi-lo, como atriz e como autora.
Meu entusiasmo espontâneo e imediato insuflaram-lhe coragem.
Ela revisou algumas passagens, fizemos alguns cortes, e consideramos finalmente o texto pronto para usufruí-lo.
O que de fato me atraiu em USUFRUTO?
Um argumento intrigante com desfecho inusitado.
Um diálogo ágil e inteligente que confronta valores, conceitos e preconceitos, de duas gerações.
USUFRUTO expõe à luz o conflito impiedoso entre o AMOR e o DESEJO e as implicações morais e sociais desse conflito.
Dois personagens contemporâneos. Um homem, uma mulher.
Um encontro gratuito. Casual.
Uma coincidência? Coincidências não existem…. é o Destino.
Como na Grécia Antiga Lúcia (a autora) usa o vinho como desinibidor e condutor da discussão.
Vai rolar o que? Filosofia ou Prazeres (sacanagem).
Vai rolar um embate instigante entre dois seres com posições claramente opostas sobre o amor, o sexo, o casamento, a fidelidade, a verdade das emoções e dos sentimentos nas relações a dois.
Vai rolar Filosofia do Prazer. Vai rolar também o exercício do Prazer.
Como encenador o que mais me estimula é reger essa partitura de emoções sobre a qual Lúcia Veríssimo e Raphael Viana devem vibrar.
Conduzir suas interpretações, as nuances desse encontro, construir essa música feita de Razão e Sentimentos tem sido meu melhor brinquedo.
Obrigado pelo presente Amiga Lúcia.

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: LÚCIA VERÍSSIMO
Elenco: LÚCIA VERÍSSIMO e ANDRÉ FUSKO
Direção: JOSÉ POSSI NETO
Assistente de direção: EDUARDO DE SAOTHIAGO
Cenógrafo: JEAN-PIERRE TORTIL
Iluminação: JOSÉ POSSI NETO
Visagismo: MARLENE MOURA
Fotos: JAIRO GOLDFLUS
Assessoria de Imprensa: IVONE KASSU
Assessoria de mailing: DEL CAST – DENISE DEL CUETO E CLAUDIA GUTIERRES
Produção Executiva: CRISTINA PROCHASKA
Direção de Produção: LÚCIA VERÍSSIMO

Gurpos de estudo em Psicanálise

Publicado: segunda-feira, 5 julho, 2010 em psicanálise

Os grupos de estudo continuam acontecendo em julho. Segue a programação:

SEGUNDAS – 18:30 hs. Os Escritos Técnicos de Freud. Texto: Seminário 1 de Lacan “Os Escritos Técnicos de Freud” R. Nascimento Silva, 470 Ipanema – Rio de Janeiro – RJ (quinzenal – R$ 25,00 cada encontro)

TERÇAS – 16 hs. A Erótica em Psicanálise. Texto: Seminário 8 de Lacan “A Transferência” R. Mariz e Barros, 176 sl. 803 Icaraí – Niterói – RJ (semanal – R$ 15,00 cada encontro)

TERÇAS – 19 hs. Neurose Obsessiva. Texto: Seminário 5 de Lacan “As Formações do Inconsciente” R. Mariz e Barros, 176 sl. 803 Icaraí – Niterói – RJ (semanal – R$ 15,00 cada encontro)

CONTATO: +55 21 9792-8326 ou flavia@pontolacaniano.com.br

 

Palestra Joel Birman

Publicado: quinta-feira, 1 julho, 2010 em psicanálise