Arquivo de fevereiro, 2011

Black Swan – Cisne Negro

Publicado: domingo, 13 fevereiro, 2011 em psicanálise

Cisne Negro é de tirar o fôlego, de tensionar os músculos… é visceral.

A intensidade da entrega da bailarina Nina – atuada pela estonteante Natalie Portman – no preparo do papel principal de O Lago do Cisne, nos traz um enredo que me fez pensar no mecanismo da fantasia que o neurótico conhece bem, sua realidade psíquica.

A fantasia é construída e vivida na tentativa de mediar o encontro com o real. Esse real inominável e avassalador. As questões da mãe devoradora, dos sintomas de auto-mutilação, dos ensaios até as últimas conseqüências de sofrimento corporal, nos impõem de maneira atormentadora a se defrontar com um gozo mortífero. A pulsão de morte está presente em toda trama.

Não se trata de um filme fácil, feito para entender com linearidade ou com dados de realidade. Os comentários dos ocupantes das salas de cinema nos fazem confirmar este detalhe: ‘que filme louco’, ‘não entendi nada’, ‘qual parte era verdade?’ Há muita coisa que o público leigo – que não faz parte da área psi – não pesca bem. Mas o surpreendente sucesso de público nos faz concluir que algo da essência humana é fisgado em cada um.

 

Indispensável!

Flávia Albuquerque

POS ESCRITO:

Não tenho a pretensão de diagnosticar a personagem. Isso seria psicanálise selvagem. Sei que muitos viram pelo lado da psicose, mas consegui enxergar algo pelo lado da fantasia que é mecanismo da neurose. Lembramos do clássimo Homem dos Ratos que fantasiava que no meio da noite o pai – morto – chegava pela porta o flagrando se masturbar, e se tratava de uma neurose obsessiva. Escuto sim muitos neuróticos com fantasias quase delirantes mas com a certeza de que se trata de um discurso neurótico. A minha interpretação faz parte de um olhar psicanalítico particular. Ao meu ver, o psicótico tem certeza de seu delírio, o que não me pareceu firme na questão da personagem: instantes seguintes ela tinha dúvida se certo fato aconteceu ou não. A dúvida é algo inerente à neurose. Acho que a arte não tem a intensão direta de querer colocar em cena uma estrutura específica, mas faz uso de certos exageros para pescarmos o que o enredo quer trabalhar.

Lembrando também que não somos nós que enxergamos a arte, mas a arte que nos enxerga.

 psicanalista venezuelana Mariela Michelena tratou muitas mulheres “estupendas”, que viravam “menininhas doentes” quando o jogo era o “bem-me-quer, mal-me-quer”, como diz.

Foi catalogando as experiências e criou uma categoria: a das “mal-amadas”. O resultado está no best-seller “Mujeres Malqueridas”, sem data para chegar ao Brasil.

Não é que o homem não goste da mal-amada, explica a autora. “Pode ser que goste muitíssimo dela. Mas gosta de maneira esquisita, torcida, e ela se contorce até encontrar uma forma exata de se encaixar no traçado caprichoso desse amor ruim.” O livro é um painel de histórias embaladas à la autoajuda. Mas cada parte comenta e explica, sem baratear, conceitos de psicanálise.

Michelena diz que elas podem ter ganho muitas batalhas e mudado a correlação de forças no mundo. Mas, no amor, ainda estão no século 18, com seus anseios de compromisso e maternidade.

“O que vemos agora é este drama: mulheres que alcançaram alto nível de vida e cultura e chegam à consulta porque um homem a deixou, levam anos esperando um compromisso ou sofrem porque ele prometeu largar a mulher e não largou.”

Folha – Como surgiu a classificação de “mal-amadas”?

Mariela Michelena – Foi minha maneira de transmitir, com a linguagem de um bolero, acessível a todos, algo que vi repetidas vezes na clínica: mulheres brilhantes, estupendas em distintas áreas da vida, que sofrem por amor. Para elas, só o que importa é que o homem diga: “gosto de você”, e então tudo o mais se apaga. O livro mostra que isso não é suficiente. Ele pode gostar muito de você, mas gostar muito mal.

Se o projeto de emancipação feminina deu certo em tantas áreas, por que falha nessa?

O amor romântico é relativamente novo. Os casais se juntavam para ter filhos. “Ele gosta ou não gosta de mim” não era uma questão. Agora, há coisas que se notam mais hoje, por causa das mudanças de relação que estão acontecendo. Não é tanto que a mulher tenha mudado no amor. É que, dadas todas as mudanças, o sofrimento por amor se ressalta mais.

Há defasagem entre relação a outras áreas da vida?

Avançamos em independência econômica etc. No que se refere aos afetos, seguimos sendo as mesmas do século 18. Não me parece ruim que para nós, mulheres, a questão afetiva venha primeiro. Estamos destinadas a fazer um lar, um ninho. Mas não a qualquer preço.

Não ao preço da saúde mental. Não pagando o preço de sofrer maus-tratos. Não às custas da sua tranquilidade da sua identidade.

De que mulher falamos?

Estou falando da mulher que diz que não se importa, que não vai se comprometer, que para ela é suficiente um amigo com direito a sexo.

Mas, no fundo, não é assim. Por mais avançadas que sejamos, a maternidade continua importante. Queremos um homem que cuide de nós e que seja capaz de se comprometer. Mas queremos isso conscientemente. E insistimos em buscar homens que não são capazes nem de uma coisa nem de outra.

Esse sentimento maternal universal faria enjoar mais de uma feminista…

As feministas se arrepiam.

Para elas, temos de abandonar o ideal de amor romântico. Se conseguíssemos, sofreríamos muito menos. Mas não falo de ideal, falo da clínica.

As tais “novas conjugalidades” (casais que não moram juntos etc.) podem ser positivas para a mulher?

Sim, e ainda não. Creio que os avanços foram mais rápidos do que nós. Fomos capazes de mudar muitas coisas, mas não mudamos a nós mesmas. Os homens estão mais confortáveis nesses novos formatos.

A sra. diz que o livro é um mapa com alertas, mas não um GPS. Por quê?

Não confio em GPS. É que nem conselho. Cada um faz o que pode fazer. Porque a coisa é de dentro para fora e não de fora para dentro. Uma mulher só vai deixar o namorado que a maltrata quando puder. Esse “poder fazer” depende do limite de cada uma.

Num fórum de comentários do seu livro na Venezuela, um homem perguntou: “Como sei se estou amando mal minha mulher”?

Às vezes, nós aguentamos tanto, mimamos tanto, cedemos tanto que os homens não têm ideia de que estão amando mal, maltratando suas mulheres. É papel dela dizer “paro por aqui”.
fonte: jornalfloripa.com.br

Zizek e a importância das causas perdidas

Publicado: sexta-feira, 4 fevereiro, 2011 em psicanálise

04/02/2011 – 12:04 | Alysson Leandro Mascaro | São Paulo

Slavoj Zizek projeta-se como um dos pensadores mais conhecidos no cenário intelectual mundial contemporâneo: suas obras têm alcançado repercussão em muitos países, despertando atenção por sua visão insólita e peculiar a respeito da política, da filosofia, da psicanálise e de temas culturais como o cinema. Justamente pela sua condição de filósofo pop, tem sido aclamado e odiado. Sua trajetória intelectual é bastante específica. Sua formação se dá próximo da psicanálise lacaniana, abeirando-se, no mundo francês, de uma leitura estrutural da sociedade. A partir de sua base lacaniana, Zizek terá em Hegel um dos elementos centrais de sua visão filosófica.

O marxismo está presente em Zizek como caldo de cultura de sua própria vida na Iugoslávia, embora, com o desmoronamento do país, tenha se candidatado à presidência da Eslovênia com base em uma plataforma liberal, apoiando medidas de choque de capitalismo. Mas, ainda nos anos 90, volta a carregar o marxismo como uma de suas mais importantes ferramentas teóricas e práticas, ainda que de modo próprio.

Desde os tempos de sua formação intelectual, Zizek se põe num diálogo próximo com a corrente que foi denominada “pós-marxismo”, destacadamente com Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Mas é exatamente este diálogo que revela mostras das trilhas próprias construídas por Zizek em sua filosofia política. Enquanto nos últimos tempos Laclau erige uma teoria da razão populista, buscando um diálogo de assimilação da tradição política de Chávez, Morales e Kirchner, Zizek tem persistido pelo campo da crítica mais contundente e da desconstrução das alternativas hoje postas em campo pela política progressista já estabelecida. Pode-se argumentar que a posição de Zizek seja, para o jogo presente, ao mesmo tempo mais exigente teoricamente, porque não se contenta com a reforma, mas conservadora na prática, na medida em que a falta de apoio ao progressismo em marcha pode ser confundido com uma resistência que é, no fundo, uma preferência circunstancial pelas políticas de cidadania liberal. Se esse perigo se põe na sua posição política prática, Zizek dele se afasta, no entanto, quando de sua proposição teórica.

Em seus livros recentes, a filosofia de Zizek se encaminha por um cântico de politicidade radical. Em obras como Bem-vindo ao deserto do Real! (São Paulo, Boitempo, 2003) e Às portas da revolução (São Paulo, Boitempo, 2005), Zizek investiga, no evento plenamente revolucionário, a chave para a saída do impasse da própria sociedade capitalista, liberal e democrática, cuja forma é a reprodutora das estruturas da exploração do presente. Por essa razão, é na volta a Lênin que Zizek encontrará meios de retomar a plena caminhada política contemporânea. Suas incursões, nos últimos tempos, sobre o pensamento de Mao e de Robespierre vão pela mesma linha de interesse.

O resultado de sua crescente busca pela forma política radical como elemento de resolução do impasse contemporâneo exponencia-se em seu novo livro, Em defesa das causas perdidas (São Paulo, Boitempo, 2011). Nesta obra, síntese de sua visão filosófica e política atual, Zizek alia a sua formação psicanalítica e sua crítica cultural à construção de caminhos políticos revolucionários concretos. Contra as lutas que se pautam dentro do possível, Zizek aponta ao impossível como forma de superação do presente.

Num cenário no qual o capitalismo se apresenta como único horizonte possível, em que a cidadania e o liberalismo econômico são pilares tidos como alternativas necessárias do bom-senso e da responsabilidade, é preciso dar um passo atrás para ganhar o futuro. Por isso a obra se intitula Em defesa das causas perdidas. O marxismo e as revoluções socialistas foram experiências que eletrizaram a humanidade desde o final do século XIX e durante boa parte do século XX. Hoje, são dadas como causas perdidas. É preciso, no entanto, buscá-las e defendê-las, dirá Zizek.

Das experiências radicais do passado, acusadas pelo presente de nefasto radicalismo, Zizek inverte, neste livro, os termos. Contra a contenção liberal, dirá que é o radicalismo que foi incompleto. A postura leninista, de abrir as portas da revolução mesmo contra o bom-senso, é o mote zizekiano para romper a paralisia do presente. Para tanto, as filosofias da radicalidade, como a de Heidegger, serão revisitadas por Zizek. Em razão desse horizonte de defesa da radicalidade, Zizek atrela a si, além do marxismo, um largo campo de tradições filosóficas e políticas de extrato não-liberal. Heidegger é o caso mais exemplar dessa perspectiva que se afasta dos cânones da reprodução da forma política liberal. O amálgama que Zizek estabelece entre a tradição do marxismo e as visões existenciais e radicais é bastante insólito, porque não se assenta num programa de sistematização interna, mas numa necessidade processual de combate. São as ocasiões presentes que levantam a aliança entre as frentes radicais que buscam causas perdidas.

Aponto, em meu livro Filosofia do Direito (São Paulo, Atlas, 2010), a possibilidade da leitura da filosofia do direito e da filosofia política contemporâneas a partir de três grandes caminhos. O primeiro desses eixos é um vasto campo majoritário, liberal, institucionalista e juspositivista, formando um arco que vai do ecletismo, passando pelo estrito jusnormativismo, até chegar às filosofias liberais éticas do presente. De outro lado, as filosofias não-juspositivistas, não-liberais, que aqui podem se definir pelo negativo, como as de Nietzsche, Heidegger, Gadamer, Carl Schmitt ou Michel Foucault. E, por fim, um terceiro campo, de crítica, que é o do marxismo e todas suas vertentes. Se o juspositivismo é o campeão do atual mundo neoliberal, de um eterno presente a ser sempre repetido sem variações, alguns não-juspositivistas, em certas circunstâncias, foram o esteio do radicalismo reacionário, apontando para o passado. Só o marxismo foi a base de sementes de um futuro diferente. Zizek aponta para o contraste veemente entre as radicalidades reacionária e marxista. A primeira, fascista, tem por mote a divisão, a segregação, o ódio. O socialismo tem o mote justamente contrário, a luta pela universalidade da classe trabalhadora e pela sua apropriação em comum da riqueza socialmente construída. O socialismo é o único mote radical que olha ao futuro.

Em face desse quadro, Zizek constrói sua reflexão tendo por base dois dos três grandes eixos do pensamento filosófico contemporâneo. O seu não-liberalismo faz de algumas das correntes existenciais-decisionistas e da psicanálise aliadas do marxismo, constituindo o pano de fundo da busca e da defesa das causas perdidas socialistas. O que tem identificado Zizek teoricamente, em suas últimas obras e em especial neste Em defesa das causas perdidas, é um amálgama filosófico forjado sob o esteio comum da ruptura com o liberalismo e as visões da reprodução democrática automática sob forma eleitoral e representativa mergulhadas no contexto capitalista. A dosagem de seu marxismo em face da psicanálise lacaniana ou dos excertos de filosofia não-juspositivista é fluida. Em determinadas horas, toma a frente das causas perdidas uma perspectiva existencial-decisionista. Em outros momentos de seu novo livro, é o marxismo, como crítica inclusive à forma mercantil, que pauta sua leitura de mundo. Marcelo Gomes Franco Grillo, no livro O direito na filosofia de Slavoj Zizek: perspectivas para o pensamento jurídico crítico (São Paulo, Alfa-Ômega, 2011), analisando as estratégias jurídicas implícitas do discurso de Zizek, aponta para as dificuldades resultantes de uma ampla frente de combate por ele construída contra o bem-estabelecido, imbricando ao mesmo tempo em contradições teóricas mas também, quiçá, em riquezas de múltiplos apoios e estratégias para a prática política.

Se nesta sua nova obra, Em defesa das causas perdidas, Slavoj Zizek, retoma o ontem radical, na verdade mira no amanhã: romper com a cínica estabilidade do hoje é sua busca teórica sôfrega, explosiva, original e sempre dinâmica. Construindo-se conforme a intervenção no presente, Zizek exprime uma face de ponta do pensamento crítico hoje, insólito no cenário filosófico porque persiste por apontar a causa socialista como meio de transformação dos impasses do presente. Opondo-se ao pensamento conservador, para o qual a estabilidade liberal decreta o fim da história, conforme o adágio Roma locuta, causa finita (Roma falou, a causa está encerrada), Zizek pauta seu livro pela proposição invertida: Causa locuta, Roma finita. Contra a aparentemente invencível Roma do capitalismo, Zizek entoa para que a causa socialista radicalmente fale.


*Alysson Leandro Mascaro é professor da Faculdade de Direito da USP e do professor do Programa de Pós-Graduação em Direito do Mackenzie.

fonte: operamundi.uol.com.br

Cisne Negro – dança alucinada

Publicado: sexta-feira, 4 fevereiro, 2011 em psicanálise
Filme conta a história de uma bailarina que não distingue mais a realidade

Marcello Castilho Avellar – EM Cultura

Em Cisne negro, filme de Darren Aranofsky, uma bailarina às vésperas de seu primeiro papel principal começa a conviver com alucinações cada vez mais alucinantes e vai, aos poucos, confundindo o mundo real com as criações de sua mente. O esqueleto da história não é novo. Entre suas versões mais célebres estão a ópera I pagliacci, de Ruggero Leoncavallo, em que um ator, traído pela esposa, mistura seu drama real com a peça que interpreta; ou o filme Fatalidade, de George Cukor, que deu a Ronald Colman o Oscar de melhor ator, representando um intérprete teatral que encena um Otello realista demais em que projeta os ciúmes da personagem para a ex-esposa, sua parceira de cena. Nestes exemplos, a lógica é simples: a desilusão amorosa enlouquece as pessoas e faz com que percam o sentido da realidade. Se o enredo de Cisne negro inova em alguma coisa, é na percepção de que o problema não está no amor, mas na sexualidade.

Veja mais fotos do filme Cisne negro

O olhar de Aranofsky sobre seu enredo é freudiano. Aos poucos, o espectador vai conhecer a coleção de elementos que oprimem Nina Sayers (Natalie Portman) – a mãe repressora, a ausência paterna, a homossexualidade latente, a provável frigidez. Pode ser psicanálise de botequim – mas funciona dramaticamente. Cisne negro dá pinceladas numa possível histeria de Nina, e vai apresentando aos poucos seu mergulho num processo de esquizofrenia cada vez mais profundo. A partir de certo ponto, ela não consegue mais distinguir entre realidade e alucinação, e passa a agir indistintamente em função de qualquer uma das duas como se fossem a mesma coisa. A força com que Aranofsky nos apresenta este processo não vem de sua profundidade no sentido psicanalítico, mas de sua eficiência como contador de histórias por meio do cinema.

Confira os horários e onde está passando Cisne negro

O gatilho para a história escrita por Andres Heinz é um dos mais célebres balés do repertório clássico, O lago dos cisnes. Esse conto de fadas dançado explorou um dos mais antigos arquétipos da humanidade, a possibilidade do “duplo” – o bem e o mal, o amor e a depravação estão expressos em personagens que têm o mesmo corpo e face, a heroína Odette, rainha dos cisnes, e a vilã Odile. O cisne negro do título é disfarce de Odile e, por metonímia, tornou-se apelido do pas-de-deux que ela dança com o príncipe no terceiro ato, o momento máximo de sua dissimulação. Nina personifica o mesmo duplo – percebemos nela, o tempo todo, a moça construída socialmente, um cisne branco frígido, estéril e incapaz de aproveitar todo o seu potencial expressivo, e o cisne negro que se debate pela liberdade, agressivo, destruidor, erótico, e completamente estético. Cisne negro, nesse sentido, atua sobre nosso medo de que a fronteira entre bem e mal não seja nítida, de que para realizar certas coisas boas e belas podem ser necessários atos que sejam feios e ruins. As dificuldades do corpo sexual são as mesmas do corpo estético – e os dois se encontram exatamente na dança.

Para apresentar tudo isso, Darren Aranofsky usa um repertório que já conhece e empregou de maneira fascinante em seu melhor filme, o incômodo Réquiem para um sonho. Como nessa obra, temos em Cisne negro uma montagem ágil, em que o universo exterior da heroína se funde a sua realidade interior, sem qualquer diferença nítida na imagem, como se os seres humanos fossem um complexo em que mundo real e mente fossem inseparáveis. Cisne negro avança, em relação a Réquiem para um sonho, na maneira como lida com a tradição dos gêneros. Seria impossível, em primeiro lugar, classificá-lo como drama ou filme de suspense – é os dois ao mesmo tempo, e talvez nenhum deles. Da mesma maneira como Réquiem para um sonho, em seu sarcasmo, se apropriava de estruturas de humor negro para narrar seu drama, Cisne negro importa estratégias do filme de terror. Neste sentido, Cisne negro acaba sendo obra conservadora: admite a possibilidade de que o ser humano se erga a alturas impensadas, mas lembra sempre que esse processo tem um preço, e que tal preço pode ser terrível.

O filme está indicado ao Oscar nas categorias
• Filme
• Atriz (Natalie Portman)
• Direção (Darren Aranofsky)
• Montagem (Andrew Weisblum)
• Fotografia (Matthew Libatique)

CISNE NEGRO

FONTE: www.divirta-se.uai.com.br