Arquivo da categoria ‘amor’

O amor Lacan, últimas pontuações

O anúncio da morte de Deus por Nietzsche foi recebido com uma ingenuidade que confunde, como se nenhuma questão referente a esse nome de Deus não se colocasse a mais ninguém. Foram conclusões precipitadas… Nietzsche retomou de Heine o anúncio dessa morte e soube fazer de Kant, que antropologizou Deus, seu efetivo “matador”. No entanto, suas observações sobre a fragilidade do Deus moral Kantiano, longe de terminar na ausência, a partir daí, de todo Deus, abriram a via para uma outra experiência do divino e do amor. Alguns, depois dele, foram e são advertidos de que o paganismo, essa invenção cristã, não ordena nada. E, dentre eles, Jacques Lacan.

                Ficaremos, a partir disso, menos surpresos que Lacan, uma vez ultrapassados seus setenta anos, tenha se dedicado a demarcar do amor divino este “amor Lacan”, como eu o chamo, que ele anseia fazer florescer e que não se opõe à condução a seu termo de cada análise. Propõe-se estudar como ele se empenhou nisso e precisar, assim, quais foram as consequências para a análise. De qual figura do amor se trata?

                Em contrapartida, nos surpreendemos ainda que seu discurso, longe de se contentar em ser descritivo, se faça prescritivo, pois, se sua proposição de 11 de junho de 1974 sobre o amor não reteve, pelo que se sabe, a atenção, não há nenhuma razão de julgá-la menos importante do que aquelas que ele fez em 1964 sobre a escola e, alguns anos mais tarde, sobre a análise didática. Tentaremos também remediar essa negligência.

 

Jean Allouch

Anúncios

Livros de Jean Allouch: http://www.submarino.com.br/portal/Artista/1114/+jean+allouch/?franq=262638

As inscrições estão a todo vapor!

GARANTA A SUA VAGA

CARTAZIISIMPOSIO

Beth Goulart encena o monólogo SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR no CCBB em Brasília – DF

“O que me levou a fazer Clarice Lispector no teatro foi o mistério do espelho, a identificação que sinto por ela. A vontade de trazer mais luz sobre esta mulher que revolucionou a literatura brasileira, redimensionou a linguagem falando do indizível com a delicadeza da música, usando a escrita como uma revelação, buscando o som do silêncio ou fotografar o perfume. “A arte é o vazio que a gente entendeu” diz Clarice.

Quero atingir o vazio de mim mesma para refletir a profundidade desta mulher que conhece o segredo das palavras e suas dimensões. O questionamento, é a busca constante do artista diante de sua escolha, como ela, eu gosto de intensidades.

Há dois anos mergulhei num processo de pesquisa para escrever este roteiro lendo tudo o que podia de sua obra e livros biográficos. Fiz dois workshops com Daisy Justus, psicanalista, especializada em Clarice Lispector, que analisa sua obra sob a ótica da psicanálise. Vi e ouvi tudo o que podia sobre ela, suas entrevistas, fotos, o depoimento no MIS, a entrevista póstuma na TV Cultura, enfim me tornei uma esponja de tudo o que se referia a ela.

Neste olhar apaixonado escolhi sua obra para recontá-la. Construí um corpo narrativo com trechos de entrevistas, depoimentos e correspondências que preparam os personagens que irão se apresentar ao público como desdobramentos dela mesma. Os temas abordados são reflexões sobre criação, vida e morte, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, arte, loucura, amor, inspiração, aceitação e entendimento.

Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de “Perto do coração selvagem” talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto “Amor” é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de “Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres” vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto “Perdoando Deus” é uma bem humorada auto-critica.”

 

Temporada: de 10 de julho a 02 de agosto de 2009.

A pré-estréia, sessão do dia 9/07, será fechada para convidados.

1ª semana – de 10 a 12/07 – sexta a domingo.

Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 20h.

2ª, 3ª e 4ª semanas – de 16/07 a 02/08 – quinta a domingo.

Horários: de quinta a sábado às 21h e domingo às 20h.

LIVROS DE CLARICE LISPECTOR

Lições de Stonewall a São Paulo

Por Antonio Quinet*

1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas policiais com humilhação e prisão no Bar Stonewall, reduto gay do Greenwich Village em NY, os homossexuais reagiram e se rebelaram contra a polícia; a rebelião ganhou o apoio dos passantes e os policiais recuaram. É o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia. No ano seguinte, deu-se a primeira Parada Gay. Em São Paulo, além da bomba atirada numa sacola do alto de um prédio, outras agressões deixaram rapazes feridos. Um deles morreu. Aos 40 anos de Stonewall, ataques como o de São Paulo estão além da homofobia. São atos de homoterrorismo. Apesar das transformações nos costumes e leis e da maior liberdade de expressão da opção sexual, prevalece, mundo afora, a repressão através de atos de guerra. No Brasil, o número de assassinatos de homossexuais aumentou 55% em 2008 em relação ao ano anterior, revela a pesquisa anual sobre crimes com motivação homofóbica, do Grupo Gay da Bahia (GGB). Como se explica o homoterrorismo? Como a homofobia, termo que designa medo, se transforma em ódio? Por um lado, podemos pensar a partir da lógica da exclusão do diferente e situar o homossexual ao lado do negro e do judeu, vítimas de discriminação e intolerância (o triângulo gay era cor-de-rosa nos campos de concentração) e também, como se tem visto, aqueles que frequentam religiões “fora da norma”, como a Umbanda, alvos de agressões em seus templos. As mulheres, acrescente-se, continuam a ser discriminadas. Essa norma mítica, que se confunde com o “normal”, é a do “branco, masculino, jovem, heterossexual, cristão, financeiramente seguro e magro” (cf. Dollimore). O homossexual provoca o imaginário de um gozo outro, tão diferente, e ao mesmo tempo tão semelhante. Para a consciência da norma, é melhor qualificá-lo de pervertido, não-confiável, pois um gozo periférico, daí ser perigoso. Como disse Arnaldo Jabor, os gays “ (…) sempre foram uma fonte de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ‘clara’. O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a unicidade do desejo… o gay sério inquieta… o gay de terno, o gay forte, o gay caubói são muito próximos de nós (…).” Ao responder a uma mãe extremamente preocupada com a homossexualidade de seu filho, Sigmund Freud (que assinara uma petição pela descriminalização da homossexualidade) aponta, em 1935, que não é nenhuma desvantagem, nem vantagem, “não é motivo de vergonha, não é uma degradação, não é um vício e não pode ser considerada uma doença”. Apesar disso, só em 1973 a American Psychiatric Association (APA) deixou de classificar a homossexualidade como doença. E depois que ativistas gays, por duas vezes (1970 e 1971), invadiram seu encontro anual. A psicanálise, na mesma direção, se opõe à pedagogia do desejo, pois esta é uma falácia. Não se pode educar a pulsão sexual, desviá-la para acomodá-la aos ideais da sociedade. A pulsão segue os caminhos traçados pelo inconsciente, individual e singular. A pulsão não é louca: obedece à lógica de uma lei simbólica a que todos estamos submetidos. Para a psicanálise, o interesse exclusivo de um homem por uma mulher também merece esclarecimento. A investigação psicanalítica, diz Freud em seu texto premiado sobre Leonardo da Vinci, opõe-se à tentativa de separar os homossexuais dos outros seres como um “grupo de índole singular”, pois “todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e que de fato a consumaram no inconsciente”.
Ou seja, a bissexualidade é constitutiva de todos, seja a escolha homossexual praticada ou não. O complexo de Édipo, que cai no esquecimento, comporta também a ligação libidinal do filho para com o pai e da menina para com a mãe, além das ligações do filho com a mãe e da filha com o pai. Assim, o número de homossexuais que se proclamam como tais, diz Freud, “não é nada em comparação com os
homossexuais latentes”. Há uma diversidade enorme na homossexualidade tanto na praticada quanto na latente e sublimada. Devemos falar, portanto, de “homossexualidades”. As sexualidades são tantas quanto existem os sujeitos, determinadas pelas fantasias de cada um. A questão que se coloca nesse episódio de terror é como cada um lida com sua homossexualidade (patente ou latente) que se materializa nas amizades, nas relações entre parentes do mesmo sexo e em todo ajuntamento social. Segundo Freud, a libido homossexual é o cimento dos grupos e da massa, assim como a raiz dos ideais subjetivos de cada um se encontra em seu narcisismo (do amor por si mesmo e até a auto-estima). O “amar aos outros como a si mesmo” tem claramente fundamento homo (igual) erótico. A aceitação da homossexualidade do outro se encontra na dependência de como o sujeito lida com a sua própria. Quanto mais ele a rejeita em si mesmo, menos saberá lidar com ela, podendo fazer desse outro um objeto de ódio, de agressões e até de assassinato. Dentro de uma cultura machista e falocêntrica (existe no ocidente alguma que não o seja?) parece mais fácil para a mulher lidar com sua homossexualidade do que o homem. Não é à toa que o lipstick lesbian virou moda entre as meninas. O que está longe de ser o caso para os meninos que cedo, muitas vezes na escola, aprendem a prática do homoterrorismo. A
aceitação do outro como sexuado, diferente e independente, podendo fazer suas próprias escolhas de gozo sem ter que se desculpar, é um índice de civilização. O contrário é a barbárie.

ANTONIO QUINET é psicanalista e doutor
em filosofia. 

Os textos de Clarice Lispector sempre surpreenderam ao conseguir, de maneira intrigante e fascinante, dizer algo sobre a subjetividade.  A obra da escritora sempre causou interesse na psicanálise e é muito lida e discutida por psicanalistas.

O site submarino está fazendo uma promoção imperdível: Alguns livros da autora por R$ 9,90

A MAÇÃ NO ESCURO

MACANOESCURO

 

FELICIDADE CLANDESTINA

FELICIDADECLANDESTINA

 

ÁGUA VIVA

AGUAVIVA

 

UM SOPRO DE VIDA

SOPORDEVIDA

 

UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES

umaaprendizagem

 

LAÇOS DE FAMÍLIA

LACOSDEFAMILIA

 

A HORA DA ESTRELA

HORADAESTRELA

 

A VIA CRUCIS DO CORPO

VIACRUCISDOCORPO

Já foi estabelecida a data do II SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DE NITERÓI – RJ: 14 de novembro de 2009, sábado. Será realizado no mesmo local do I Simpósio (AMF- Associação Médica Fluminense) e, devido ao sucesso, num auditório maior. O tema escolhido é SEXUALIDADE: Sexuação e Escolha de objeto. Trataremos de temas como: heterossexualidade, homossexualidade feminina, homossexualidade masculina e bissexualidade. Como o material de divulgação está em andamento na gráfica, em breve vocês terão acesso.

Este ano haverá uma novidade: uma banca de livros de psicanálise a venda.

Lembrando que, quem se interessar em enviar trabalho – que dependerá da aprovação da comissão científica – para apresentar no evento, entrar em contato: (21) 9792-8326 / (21) 7870-2323 / flavia@pontolacaniano.com.br