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O amor Lacan, últimas pontuações

O anúncio da morte de Deus por Nietzsche foi recebido com uma ingenuidade que confunde, como se nenhuma questão referente a esse nome de Deus não se colocasse a mais ninguém. Foram conclusões precipitadas… Nietzsche retomou de Heine o anúncio dessa morte e soube fazer de Kant, que antropologizou Deus, seu efetivo “matador”. No entanto, suas observações sobre a fragilidade do Deus moral Kantiano, longe de terminar na ausência, a partir daí, de todo Deus, abriram a via para uma outra experiência do divino e do amor. Alguns, depois dele, foram e são advertidos de que o paganismo, essa invenção cristã, não ordena nada. E, dentre eles, Jacques Lacan.

                Ficaremos, a partir disso, menos surpresos que Lacan, uma vez ultrapassados seus setenta anos, tenha se dedicado a demarcar do amor divino este “amor Lacan”, como eu o chamo, que ele anseia fazer florescer e que não se opõe à condução a seu termo de cada análise. Propõe-se estudar como ele se empenhou nisso e precisar, assim, quais foram as consequências para a análise. De qual figura do amor se trata?

                Em contrapartida, nos surpreendemos ainda que seu discurso, longe de se contentar em ser descritivo, se faça prescritivo, pois, se sua proposição de 11 de junho de 1974 sobre o amor não reteve, pelo que se sabe, a atenção, não há nenhuma razão de julgá-la menos importante do que aquelas que ele fez em 1964 sobre a escola e, alguns anos mais tarde, sobre a análise didática. Tentaremos também remediar essa negligência.

 

Jean Allouch

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“ENSINEM OS FILHOS A FALHAR”

Com este título, a Revista Veja apresentou há algumas semanas suas páginas amarelas com uma entrevista com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun. Eis o link para a entrevista no site da veja na íntegra: http://veja.abril.com.br/091209/ensinem-filhos-falhar-p-021.shtml

 

Link para o livro A PERVERSÃO COMUM do psicanalista Jean-Pierre Lebrun: http://www.submarino.com.br/portal/Artista/4098089/+jean-pierre+lebrun/?franq=262638

Passados 20 anos de fundação da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa), algumas considerações já podem ser feitas. Duas décadas, historicamente falando, nem é tanto assim. Mas é suficiente para reconhecer quando uma instituição fez parte ativa dos acontecimentos de sua cidade. Buscando entender e responder tanto ao sofrimento subjetivo quanto aos impasses de nossa vida cotidiana. Fazendo isso por reconhecer a intensidade do trabalho necessário para que a psicanálise esteja à altura do seu tempo e não fique precocemente envelhecida.

Em 17 de dezembro de 1989, as 43 pessoas que assinaram a ata de funda­ção no salão do antigo Hotel Umbu, ali na Avenida Farrapos, colocavam seu compromisso, assumiam o desejo de fundar uma instituição psicanalítica baseada em alguns fundamentos que pudessem estar à altura da contribuição da psicanálise para nossa cultura. O primeiro deles, inédito na história do movimento psicanalítico, partia do princípio da dissolução dos grupos (e instituições de formação lacaniana) até então existentes. Explico: nossa cidade tem uma tradição no campo psicanalítico que vem desde a década de 40 do século passado. A partir dos anos 70 iniciou-se uma crescente influência do pensamento (leia-se teoria e prática) de Jacques Lacan em sua proposição de “retorno a Freud”. Após o falecimento de Lacan, em 1981, efetiva-se uma dispersão e disputa entre os psicanalistas que se consideravam seus herdeiros. Os efeitos dessa situação fizeram-se sentir em todo o mundo e até mesmo no Brasil. Inúmeros grupos eram formados e desfeitos rapidamente, ao sabor da transferência sobre o mestre e sua demanda amorosa (o que não era exclusivo dos lacanianos, diga-se, a bem da verdade). A desconfiança com os outros grupos constituía outra característica daquilo que Freud um dia denominou o narcisismo das pequenas diferenças.

A proposta de uma instituição que pudesse romper com esse ciclo surge como uma possibilidade de fazer um ato, uma interpretação. Responder ativamente aos impasses. Nada de uma federação de instituições, mas sim um lugar onde cada um pudesse assumir sua responsabilidade tanto com os efeitos de sua análise quanto com a história da própria psicanálise. Os outros fundamentos procuravam ser coerentes com esses dois princípios: uma circulação da transferência, não cristalizar os nomes, a fim de evitar um sistema piramidal de poder. Em outras palavras, respeitar as diferentes trajetórias de quem fazia um enorme esforço de trabalho comum. Um sistema de tomada de decisões por consenso, no qual o valor da palavra fosse verdadeiramente levado em conta. E, last but not least, a convicção de que uma instituição psicanalítica tem a responsabilidade de participar ativamente da vida de sua cidade. Sustentando a contribuição do discurso psicanalítico para a cultura; ou seja, reinventar o ato inaugural de Freud que introduziu uma forma laica de interpretar que se diferenciou tanto da visão religiosa quanto de uma hermenêutica. Foi assim que os congressos da Appoa buscavam discutir o que acontecia nos consultórios e na vida. O laço conjugal, as perguntas sobre como educar as crianças, as transformações no mundo do trabalho, o lugar do Brasil, sua descoberta ou invenção foram alguns dos temas amplamente debatidos. Pois, a partir do momento em que a psicanálise sustenta o valor da palavra (do significante) e do desejo, abre-se a possibilidade de que um exercício da responsabilidade seja efetivo. Efetividade que se manifesta quando reconhecemos que somos formados e informados pelos discursos que nos rodeiam. O debate com as mais diversas áreas torna-se necessário, uma vez que não há mais resposta única para os problemas que vivemos. Isso também faz parte da formação. Para esta, psicanalistas locais e internacionais trouxeram sua contribuição ao compartilhar um saber sobre a descoberta freudiana.

Lacan afirmou certa vez que o inconsciente é nosso único patrimônio de saber. Surpreendente e curioso pensar que nosso patrimônio fundamental não seja apreensível pela consciência (boa ou má); que está ligado aos nossos mais caros ideais e monumentos, mas também “à parte que te cabe neste latifúndio”, como dizia o poeta. Um saber que não se sabe, mas que se articula, a partir do reconhecimento de uma falta. Como o desejo, que também é falta; pois quem está pleno não pode amar.

Há momentos históricos em que decidimos nosso destino. Fazemos uma aposta, corremos o risco porque na vida não há garantias. Só posteriormente podemos avaliar os efeitos de nosso ato. Essa possibilidade, de crítica, só se dá quando podemos confiar na escuta do outro. Assim como o inconsciente é o discurso do Outro, não há possibilidade de um psicanalista isolado. Nesse caso, o narcisismo vence, perde a psicanálise. Também não há chance para uma instituição que se isole; faz-se necessário sustentar o diálogo com outras formas associativas, reconhecer as diferenças. Tive sorte de compartilhar o momento da aposta inaugural com outros que também estavam dispostos a assumir sua castração e os efeitos de sua análise. Uma forma de manter a psicanálise viva, buscando escutar a subjetividade de seu tempo.

ROBSON DE FREITAS PEREIRA – Membro e ex-presidente da Appoa para o Zero Hora

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